AREsp 2000841 - DECISAO
O agravo foi conhecido e o recurso especial não conhecido em razão da deficiência de fundamentação: a parte recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais objeto do dissídio nem realizou o cotejo analítico necessário para demonstrar divergência jurisprudencial, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF;...
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- Parties
- Agravante: AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Tarifas Bancárias, Revisional De Contrato, Restituição De Valores, Juros Remuneratórios, Enriquecimento Ilícito, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Parties
AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Forma de devolução de tarifas cobradas por serviços de terceiros (incidência de juros remuneratórios ou devolução simples com correção e juros de mora)
- 2 Admissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação e ausência de indicação precisa de dispositivos legais e de cotejo analítico para demonstrar dissídio jurisprudencial
- 3 Aplicação da Súmula 284/STF quanto à deficiência de fundamentação em recurso extraordinário
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido e o recurso especial não conhecido em razão da deficiência de fundamentação: a parte recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais objeto do dissídio nem realizou o cotejo analítico necessário para demonstrar divergência jurisprudencial, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF; assim, não tendo sido comprovado o dissídio, o recurso especial não foi conhecido, e foi majorado o percentual de honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim resumido: AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. TARIFA POR SERVIÇOS DE TERCEIROS. SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTE O PEDIDO INICIAL. APELO DA AUTORA. ENCARGOS REFLEXOS INCIDIDOS. RESTITUIÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS SOBRE A TARIFA A SER RESTITUÍDA (SERVIÇO DE TERCEIROS). POSSIBILIDADE. VERBA ACESSÓRIA QUE SEGUE A SORTE DO PRINCIPAL. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO A SER IMPEDIDO POR PARTE DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. - Diante da abusividade da cobrança da tarifa (serviços de terceiros), a restituição dos juros remuneratórios se torna obrigatória, pois o acessório segue a sorte do principal. - A medida visa impedir o enriquecimento ilícito da instituição financeira, uma vez que, como a tarifa foi diluída no contrato, constituindo a própria parcela a ser paga, ao ser considerada ilegal, devem ser descontada de cada parcela, sobre ela incidindo os juros remuneratórios, conforme cálculo que deve ser apurado na fase de liquidação de sentença. Apelação provida. Quanto à controvérsia, sustenta divergência jurisprudencial atinente à devolução de tarifas bancárias de acordo com as mesmas taxas de juros remuneratórios, colacionando como paradigma aresto desta Corte, e argumenta: Cinge-se o mérito recursal acerca da cobrança de tarifas de terceiros e da forma da sua devolução. O acórdão recorrido considerou que a devolução das tarifas que foram determinadas pela sentença deve se dar com os mesmos encargos de juros remuneratórios do contrato, sob o fundamento de que o acessório segue o principal nos termos do artigo 92 do Código Civil conforme trecho abaixo transcrito: .. Como se vê, foi determinada a devolução do valor das tarifas de acordo com as mesmas taxas de juros remuneratórios. Sem razão, contudo. O tema das tarifas bancárias foi decidido por este Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.578.553/SP, julgado pelo rito do artigo 1.040 do Código de Processo Civil e cuja segue abaixo para melhor compreensão: .. Como se observa, restou delimitada uma série de limitações à cobrança das tarifas por serviços de terceiros. Entretanto, quando houver a constatação de abusividade, foi entendido que a devolução deve se dar de forma simples apenas como se extrai do dispositivo do acórdão do aludido recurso que abaixo se transcreve para facilitar a compreensão: .. Como se observa, no paradigma deste Superior Tribunal de Justiça, em que pese se tenha constatado a abusividade e determinado a devolução como consequência, a forma de devolução é simples com correção monetária e juros de mora à taxa legal desde a citação. (fls. 225-228). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.