AREsp 3155052 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou a matéria, concluiu pela natureza associativa (pessoal) da obrigação com aplicação do Tema 492/STF e Tema 882/STJ, a resolução da controvérsia exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ARTHUR AUGUSTUS LOPES DA SILVA DE MELO CASADO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Admissibilidade
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Taxa Associativa, Natureza Da Obrigação (pessoal Vs Propter Rem), Responsabilidade Do Adquirente, Registro/averbação Na Matrícula, Coisa Julgada, Admissibilidade De Recurso Especial, Tema 492/stf, Tema 882/stj, Súmula 7/stj, Prequestonamento
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ARTHUR AUGUSTUS LOPES DA SILVA DE MELO CASADO
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 alegada omissão e negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022, II, CPC)
- 2 alegada violação dos arts. 503, 506 e 508 do CPC
- 3 alegada ofensa aos arts. 1.354 e 1.345 do CC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou a matéria, concluiu pela natureza associativa (pessoal) da obrigação com aplicação do Tema 492/STF e Tema 882/STJ, a resolução da controvérsia exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ, e havia óbices summulares e falta de prequestionamento em pontos invocados pelo recorrente.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por ARTHUR AUGUSTUS LOPES DA SILVA DE MELO CASADO, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, assim ementado (fl. 106, e-STJ): EMENTA: CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. APLICAÇÃO DA TESE FIXADA NO TEMA 492/RG DO STF. EM RAZÃO DA AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL DA CONSTITUIÇÃO DA OBRIGAÇÃO AO PAGAMENTO DE TAXA ASSOCIATIVA, O NOVO ADQUIRENTE AUTOMATICAMENTE PASSA A SER O RESPONSÁVEL POR PARCELAS FUTURAS. RECURSO PROVIDO EM PARTE. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados, nos termos do acórdão de fls. 154-161, e-STJ. Nas razões de recurso especial (fls. 174-186, e-STJ), a parte recorrente aponta violação aos arts. 1.022, II, do CPC; 503, 506 e 508, do CPC; 1.354 do CC; 1.345 do CC. Sustenta, em síntese: a) omissão e negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022, II, do CPC) acerca dos limites do título executivo e da coisa julgada, da aplicação do art. 1.345 do CC e da definição do período de abril a dezembro de 2023 (fls. 178-181, e-STJ); b) violação dos arts. 503, 506 e 508 do CPC, por suposta extrapolação dos limites materiais da coisa julgada ao afirmar-se natureza associativa da obrigação e imputação ao recorrente após a alienação/consolidação (fls. 183-185, e-STJ); c) ofensa aos arts. 1.354 e 1.345 do CC, ao deixar de reconhecer a natureza propter rem do débito e a responsabilidade do adquirente/garantia do próprio imóvel, bem como a possibilidade de penhora do bem gerador das despesas (fls. 181-183, e-STJ). Contrarrazões apresentadas às fls. 210-221, e-STJ. Em juízo de admissibilidade, negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao presente agravo (fls. 226-229, e-STJ). Contraminuta apresentadas às fls. 251-261, e-STJ. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. De início, no que se refere à alegada violação do artigo 1.022, II, do Código de Processo Civil, não assiste razão ao recorrente. A parte insurgente sustenta que o Tribunal de origem teria se omitido quanto à análise dos limites do título executivo, da coisa julgada e da aplicabilidade do artigo 1.345 do Código Civil. Contudo, a Corte local examinou e decidiu, de modo claro e objetivo, as questões que delimitam a controvérsia, não havendo falar em negativa de prestação jurisdicional. Ao julgar os embargos de declaração, o Tribunal a quo rechaçou expressamente a existência de omissão, consignando que a matéria foi devidamente enfrentada. Confira-se (fl. 160, e-STJ): No caso, o acórdão e a ementa são claros no sentido de que as parcelas cobradas não possuem natureza "propter rem", por conseguinte não se aplica o art. 1.345 do CC. Além disso, ficou claro que a natureza da obrigação é pessoal e que ainda que o pedido no processo de conhecimento tenha informado o termo final de abril de 2023, em decorrência do art. 323 do CPC, a obrigação do associado perdurou até a consolidação propriedade fiduciária, ocorrida em 15/12/2023, em razão da aplicação do Tema 492/RG. (..) Não há qualquer omissão a ser sanada, estando claro o comando do julgamento no sentido de que é devido o pagamento das parcelas associativas até o dia 15/12/2023. Verifica-se que o Tribunal de origem indicou adequadamente os motivos que lhe formaram o convencimento, analisando de forma clara, precisa e completa as questões relevantes do processo e solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Ressalte-se que não caracteriza omissão ou falta de fundamentação a mera decisão contrária ao interesse da parte. Não há falar, portanto, em nulidade do acórdão recorrido por ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. 2. Quanto à apontada violação aos artigos 1.345 e 1.354 do Código Civil e 503, 506 e 508 do Código de Processo Civil, a insurgência também não prospera. O recorrente defende, em suma, que a obrigação em cobrança possui natureza propter rem e que o acórdão recorrido teria violado a coisa julgada ao afastar tal característica, que estaria contida no título executivo judicial. O Tribunal de origem, soberano na análise do conjunto fático-probatório, concluiu que a dívida possui natureza associativa (pessoal), e não condominial (propter rem), e que a responsabilidade do recorrente findou com a consolidação da propriedade em nome do credor fiduciário. Extrai-se do acórdão recorrido (fls. 111-113, e-STJ): Contudo, é sabido que, nos termos do art. 504, inc. I, do CPC que "Não fazem coisa julgada" "os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença". Além disso, deve-se levar em consideração a boa-fé processual na análise do pedido especificamente delimitado pela petição inicial (art. 322, caput e § 2º, do CPC) de condenação ao pagamento da taxa de manutenção de natureza associativa, de modo que a menção na parte dispositiva de que se tratava de taxa condominial, deve ser tratado como erro material passível de correção a qualquer tempo. Por conseguinte, não há fundamento que ampare a pretensão de modificação da decisão impugnada quanto à natureza pessoal da obrigação associativa expressamente assumida pelo agravante, conforme termo de adesão de ID 157064376 dos autos de origem. (..) E, a partir da consolidação da propriedade em favor do credor fiduciário no dia 15/12/2023, é que o agravante deixou de ser o responsável pelo pagamento das taxas de manutenção da Associação, com automático repasse ao novo proprietário. Nesse contexto, o acolhimento do pleito recursal, no sentido de reconhecer a natureza propter rem da obrigação e afastar a qualificação como taxa associativa, demandaria a necessária reanálise de matéria fático-probatória, como o estatuto social e o termo de adesão (fl. 110, e-STJ), providência vedada em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. Ademais, o entendimento da Corte local está em consonância com a jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. O acórdão recorrido aplicou corretamente a tese firmada no Tema 492/STF (RE 695.911/SP) e se alinhou ao que foi decidido no Tema 882/STJ (REsp 1.280.871/SP), os quais estabelecem o tratamento das taxas associativas. Conforme a jurisprudência pacífica, as taxas de manutenção criadas por associações de moradores têm natureza pessoal e não se equiparam às despesas condominiais, não obrigando os não associados ou aqueles que não anuíram. A Lei nº 13.465/17, citada no Tema 492/STF, possibilitou a cobrança de novos adquirentes, desde que o ato constitutivo da obrigação esteja registrado na matrícula do imóvel, exatamente como o Tribunal de origem considerou para definir o marco da transferência de responsabilidade. Incide, portanto, o óbice da Súmula 83/STJ, aplicável a recursos interpostos com fundamento em ambas as alíneas do permissivo constitucional. Verificam-se, ainda, os óbices das Súmulas 283 e 284 do STF, pois o recorrente não impugnou, de modo específico e suficiente, todos os fundamentos autônomos do acórdão, como a aplicação do Tema 492/STF e a vedação de penhora de bem de terceiro (art. 789 do CPC), além de apresentar fundamentação deficiente ao invocar o art. 1.354 do CC em uma discussão centrada no art. 1.345 do mesmo diploma. Finalmente, quanto aos artigos 503, 506 e 508 do CPC, a matéria não foi objeto de debate explícito no acórdão recorrido sob a ótica pretendida pelo recorrente, o que atrai a incidência da Súmula 211/STJ, por ausência de prequestionamento. Inafastáveis, assim, os óbices das Súmulas 7 e 83 do STJ, e 211, 283 e 284 do STF. 3. Do exposto, com fulcro no artigo 932 do CPC c/c a Súmula 568 do STJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA