AREsp 2783289 - DECISAO
Conheceu-se em parte do agravo; no tocante à cobrança da comissão de corretagem, não se conheceu do agravo por configurar erro grosseiro sua interposição quando a matéria foi decidida segundo julgamento de recurso repetitivo (art. 1.042 NCPC); não houve omissão apta a ensejar embargos de declaração (art. 1.022...
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- Parties
- Agravante: HEDGE PRESTADORA DE SERVIÇOS E INVESTIMENTOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Mérito No STJ
- Outcome
- Agravo conhecido em parte; recurso especial conhecido e não provido; majorados os honorários advocatícios em 2%, limitados a 20%.
- Legal Topics
- Taxa De Fruição, Comissão De Corretagem, Inadmissão De Recurso Especial, Recurso Repetitivo, Omissão (art. 1.022 Cpc)
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Parties
HEDGE PRESTADORA DE SERVIÇOS E INVESTIMENTOS LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Mérito No STJ
Legal Issues
- 1 cabimento de agravo contra decisão que inadmite recurso especial fundada em entendimento de recurso repetitivo (art. 1.042 NCPC)
- 2 alegada omissão do acórdão recorrido (art. 1.022, II, NCPC)
- 3 validade de cláusula que transfere ao promitente comprador o pagamento de comissão de corretagem perante dever de informação
Ratio Decidendi
Conheceu-se em parte do agravo; no tocante à cobrança da comissão de corretagem, não se conheceu do agravo por configurar erro grosseiro sua interposição quando a matéria foi decidida segundo julgamento de recurso repetitivo (art. 1.042 NCPC); não houve omissão apta a ensejar embargos de declaração (art. 1.022 NCPC); e manteve-se a vedação à cobrança da taxa de fruição para lote não edificado por estar o acórdão recorrido em sintonia com a jurisprudência do STJ, razão pela qual o recurso especial foi conhecido e negado provimento. Foi majorado em 2% o valor dos honorários advocatícios, limitados a 20%.
Court Disposition
Agravo conhecido em parte; recurso especial conhecido e não provido; majorados os honorários advocatícios em 2%, limitados a 20%.
Orders
- Conheço em parte do agravo
- Conhecer do recurso especial
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por HEDGE PRESTADORA DE SERVIÇOS E INVESTIMENTOS LTDA. (HEDGE) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 385/391). É o relatório. Decido. A irresignação deve ser conhecida, em parte. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, HEDGE alegou, a par de divergência jurisprudencial, a violação dos arts. 1.022, II, do CPC, e 402, 403, 724, 725, 884 e 885 do CC, ao sustentar (1) omissão do acórdão recorrido acerca da exigência de cobrança da comissão de corretagem e da taxa de fruição; (2) a validade da cláusula contratual que transfere ao promitente comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem, desde que observado o dever de informação ao consumidor; e (3) a possibilidade de cobrança da taxa de fruição. (1) Do art. 1.042 do NCPC Com o advento do NCPC, aos 18/3/2016, passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo contra decisão que inadmite recurso especial com base em entendimento firmado no julgamento de recurso repetitivo, in verbis: Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice- presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO PUBLICADA NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. 1. IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA (CPC/2015, ART 932, III). NECESSIDADE. 2. PARTE DO RECURSO ESPECIAL NÃO ADMITIDA NA ORIGEM PORQUE AS MATÉRIAS FORAM JULGADAS SEGUNDO O RITO DO ART. 543-C DO CPC: TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADOS. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. NÃO CABIMENTO DO AGRAVO NESSES PONTOS (CPC/2015, ART. 1.042). 3. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. ERRO GROSSEIRO. CARACTERIZAÇÃO. 4. RECURSO CONHECIDO APENAS QUANTO À ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. MÉRITO. AFASTAMENTO. 5. AGRAVO PARCIALMENTE CONHECIDO PARA, NESSA EXTENSÃO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 85, §§ 8º E 11, DO CPC/2015. 1. Com o advento do Código de Processo Civil de 2015 passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo contra decisão que não admite recurso especial quando a matéria nele veiculada já houver sido decidida pela Corte de origem em conformidade com recurso repetitivo (art. 1.042, caput). Tal disposição legal aplica-se aos agravos apresentados contra decisão publicada após a entrada em vigor do Novo CPC, em conformidade com o princípio tempus regit actum. 2. A interposição do agravo previsto no art. 1.042, caput, do CPC/2015 quando a Corte de origem o inadmitir com base em recurso repetitivo constitui erro grosseiro, não sendo mais devida a determinação de outrora de retorno dos autos ao Tribunal a quo para que o aprecie como agravo interno. 3. Não se configura ofensa ao art. 535 do CPC/73 quando o Tribunal de origem, embora rejeite os embargos de declaração opostos, manifesta-se acerca de todas as questões devolvidas com o recurso e consideradas necessárias à solução da controvérsia, sendo desnecessária a manifestação pontual sobre todos os artigos de lei indicados como violados pela parte vencida. 4. Agravo parcialmente conhecido para, nessa extensão, negar provimento ao recurso especial, com majoração dos honorários advocatícios, na forma do art. 85, §§ 8º e 11, do CPC/2015. (AREsp nº 959.991/RS, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, DJe de 26/8/2016 - sem destaque no original.) No caso dos autos, no que se refere à cobrança da comissão de corretagem, conforme anotou a decisão agravada, o aresto recorrido está em sintonia com a orientação assentada pela Segunda Seção do STJ no julgamento do REsp nº 1.551.956/SP (Tema nº 938), julgado sob o rito dos repetitivos. Portanto, não se pode conhecer do agravo, no particular, por constituir erro grosseiro a sua interposição. (2) Da violação do art. 1.022, II, do NCPC Sobre os temas controvertidos, ao julgar o recurso de apelação interposto pela ora insurgente, o TJMS assim se pronunciou: Com efeito, a taxa de fruição é uma indenização a ser paga por aquele que utilizou o imóvel e não pretende mais prosseguir com o contrato, caracterizando-se, portanto, como uma reparação similar ao "aluguel". Não obstante, é vedada cobrança de taxa de fruição quando o objeto da promessa de compra e venda ou da ação reivindicatória é lote de terreno não edificado, como no caso, pois, em tal situação, o possuidor não aufere qualquer proveito econômico sobre o imóvel. .. Analisando a cláusula décima sétima do contrato (f. 30), apesar de haver previsão de que o vendedor teria de ser ressarcido em 6% do valor do contrato a título de comissão de corretagem, observa-se que na cláusula segunda (f. 22) não há clara indicação com destaque dos valores monetários que a referida taxa de corretagem resulta. O que se analisa aqui é a validade dessa cláusula, frente ao dever de informação ao consumidor, pois segundo a posição firmada pelo STJ, a cláusula que transfere a obrigação de pagamento ao consumidor deve indicar, ainda, o montante do valor da comissão, o que entendo não ter sido devidamente destacado. .. Ademais, como bem delineado pelo juízo a quo: " não há demonstração nos autos da efetiva prestação desse serviço por profissional que justifique a retenção de valores a esse título." Nesse enfoque, o ônus do pagamento da taxa de corretagem não se transfere ao comprador desistente, diante da falha na prestação do dever de informação (e-STJ, fls. 255/258). Não há falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional, pois, a pretexto da alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC, o que busca HEDGE é apenas manifestar o seu inconformismo com o resultado do julgamento que lhe foi desfavorável, não se prestando a estreita via dos embargos de declaração a promover o rejulgamento da causa, já que inexistentes quaisquer dos vícios elencados nos referidos dispositivos da lei adjetiva civil. A jurisprudência desta Corte é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE VEÍCULO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. DANOS MORAIS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF. LIMITAÇÃO DE COBERTURA. REEXAME. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, porquanto o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tiver encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. 2. Verifica-se que o Tribunal estadual analisou todas as questões relevantes para a solução da lide, de forma fundamentada, não havendo que se falar em negativa de prestação jurisdicional. 3. A falta de impugnação de argumento suficiente para manter, por si só, o acórdão impugnado, a argumentação dissociada bem como a ausência de demonstração da suposta violação à legislação federal impedem o conhecimento do recurso, na esteira dos enunciados n. 283 e 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A revisão das conclusões estaduais demandaria, necessariamente, o revolvimento das cláusulas contratuais e do acervo fático-probatório dos a utos, providência vedada na via estreita do recurso especial, ante o óbice disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp nº 1.500.162/SP, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado aos 25/11/2019, DJe de 29/11/2019 - sem destaque no original.) Não se verifica, assim, a apontada contrariedade à lei processual. (3) Da taxa de fruição Segundo a orientação jurisprdencial desta Corte Superior, na hipótese de rescisão de contrato de promessa de compra e venda de terreno não edificado por interesse exclusivo do adquirente, é indevida a condenação do consumidor ao pagamento de taxa de ocupação/fruição. Confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESCISÃO. DESISTÊNCIA DO COMPRADOR. ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. DECAIMENTO. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 7 DO STJ. TAXA DE FRUIÇÃO DO IMÓVEL. LOTE NÃO EDIFICADO. NÃO CABIMENTO. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N.º 568 DO STJ. CONHECEU-SE DO AGRAVO INTERNO E NEGOU-SE-LHE PROVIMENTO. 1. Nos termos a jurisprudência desta Corte, a apreciação do quantitativo em que o autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca, esbarra no óbice da incidência da Súmula n.º 7 do STJ. 2. A jurisprudência sedimentada nesta Corte entende ser inviável a cobrança de taxa de fruição no caso de lote não edificado, em razão da efetiva ausência de utilização do bem. 3. A conclusão adotada na origem encontra-se em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça sendo aplicável a Súmula n.º 568 do STJ. 4. Não evidenciada a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ser integralmente mantido em seus próprios termos. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp nº 2.141.386/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado aos 24/10/2022, DJe de 26/10/2022.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL (LOTE). TAXA DE FRUIÇÃO INDEVIDA. ARRAS CONFIRMATÓRIAS. RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Consoante entendimento desta Corte Superior, tratando-se de terreno sem edificação e não havendo prova de realização de qualquer benfeitoria no lote, bem como ausente qualquer comprovação de prejuízo efetivo, não há que se falar em indenização a título de fruição do imóvel (REsp 1.863.007/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 23/3/2021, DJe 26/3/2021). 2. "A controvérsia foi dirimida no TJSP nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, de que o arrependimento do promitente comprador de unidade habitacional em construção não importa em perda das arras se estas forem confirmatórias, admitindo-se, contudo, a retenção, pelo vendedor, de parte das prestações pagas, como forma de indenizá-lo pelos prejuízos eventualmente suportados com o desfazimento do negócio. Aplicação, ao caso, da Súmula nº 568 do STJ." (AgInt no REsp 1.864.915/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 27/8/2020). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp nº 1.940.543/SP, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado aos 10/10/2022, DJe de 21/10/2022.) Assim, porque os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido estão em sintonia com o entendimento firmado nesta Corte, deve ser ele mantido. Incide, à hipótese, o comando da Súmula nº 83 do STJ. Nessas condições, CONHEÇO EM PARTE do agravo para CONHECER do recurso especial, NEGANDO-LHE PROVIMENTO. MAJORO em 2% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em favor da parte recorrida, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. LOTE URBANO NÃO EDIFICADO. DISTRATO POR INICIATIVA DO PROMITENTE COMPRADOR. (1) RECURSO ESPECIAL NÃO ADMITIDO NA ORIGEM PORQUE A MATÉRIA FOI JULGADA SEGUNDO O RITO DO ART. 1.030, I, B, DO NCPC. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.042 DO NCPC. NÃO CABIMENTO. (2) VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO NCPC. NÃO OCORRÊNCIA. (3) COBRANÇA DE TAXA DE FRUIÇÃO. NÃO CABIMENTO. SINTONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 83 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO, EM PARTE. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO.