AREsp 1865310 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a parte recorrente apresentou alegações genéricas e não demonstrou de modo específico a violação de dispositivos federais (aplicação, por analogia, da Súmula 284 do STF), além de as demais questões serem de fundamento eminentemente constitucional...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Interlocutória)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Taxa De Ocupação, Laudêmio, Demarcação De Ilha Costeira, Notificação Pessoal, Ônus Da Prova, Prequestionamento, Súmulas STF (282, 284, 356), Honorários Advocatícios, Inadmissibilidade Do Recurso Especial Quando O Acórdão Tem Fundamento Eminentemente Constitucional
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Interlocutória)
Legal Issues
- 1 alegada negativa de prestação jurisdicional (arts. 458 II e 1.022 II do CPC)
- 2 ônus da prova (art. 333 I do CPC/73)
- 3 existência de título outorgado pela União e cobrança de taxa de ocupação (art. 127 do Decreto-Lei 9.760/1946)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a parte recorrente apresentou alegações genéricas e não demonstrou de modo específico a violação de dispositivos federais (aplicação, por analogia, da Súmula 284 do STF), além de as demais questões serem de fundamento eminentemente constitucional e/ou não terem sido prequestionadas, incidindo as Súmulas 282 e 356 do STF.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pela FAZENDA NACIONAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no art. 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO, assim resumido: PROCESSUAL CIVIL ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO ILHA COSTEIRA SÃO LUÍS/MA EC 46/2005 DEMARCAÇÃO NECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO PESSOAL, SOB PENA DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITORIO INEXIGIBILIDADE DA COBRANÇA DE TAXA DE OCUPAÇÃO E LAUDÊMIO EFEITOS DA MEDIDA CAUTELAR NA ADI 4.264-PE ENTENDIMENTO FIRMADO NESTA CORTE RECURSO ADESIVO DANO MORAL CARACTERIZAÇÃO HIPÓTESE DO ART. 940 DO C. CIVIL NÃO CONFIGURADA HONORÁRIOS ADVOCATICIOS AGRAVO RETIDO NÃO CONHECIDO. Quanto à primeira controvérsia, alega violação dos arts. 458, inciso II, e 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil no que concerne à ocorrência de negativa de prestação jurisdicional. Quanto à segunda controvérsia, alega violação do art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil de 1973 no que concerne ao ônus da prova, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Cabe ao particular o ônus de provar que possui domínio privado advindo de título legítimo do domínio público, ou seja, aquele cujo elo inicial da cadeia sucessória tenha origem no domínio público e não a União, sob pena de violação ao art. 333, I do CPC/73. Logo, é indiscutível que a propriedade do bem imóvel pertence a União, já que sua propriedade decorre da Carta Magna e a parte autora não comprovou a aquisição da propriedade através de domínio público, estando o v. acórdão assentado em fundamentação equivocada (fl. 224). Quanto à terceira controvérsia, alega violação do art. 127 do Decreto-Lei n. 9.760/1946 no que concerne à inexistência de título outorgado pela União ao autor/particular, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O acórdão vulnerou ainda o art. 127 do Decreto-Lei 9.760/46 que trata da cobrança de taxa de ocupação: "Art. 127. Os atuais ocupantes de terrenos da União, sem titulo outorgado por esta, ficam obrigados ao pagamento anual da taxa de ocupação." Como já exposto, o Tribunal não levou em consideração que a Recorrida não posssui nenhum título outorgado pela União (fl. 224). Quanto à quarta controvérsia, alega violação do art. 1º do Decreto-Lei n. 1.561/1977 no que concerne à vedação à ocupação gratuita de terreno da União, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O art. 1º do Decreto-Lei 1.561/77 dispõe que "é vedada a ocupação gratuita de terrenos da União, salvo quando autorizados em lei". Destarte, plenamente cabível a cobrança da taxa de ocupação (fls. 224/225). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, no que diz respeito à alegação de violação do art. 458, inciso II, do Código de Processo Civil, incide o óbice da Súmula n. 284 do STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o dispositivo de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; e AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019. No mais, incide mais uma vez o óbice da Súmula n. 284 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"), uma vez que a parte recorrente alega, genericamente, a existência de violação do art. 1.022 do CPC de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem, contudo, demonstrar especificamente quais os vícios do aresto vergastado e/ou a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "é deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorrido, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF" (REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20/2/2020; REsp n. 1.838.279/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28/10/2019; e REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018. Quanto às demais controvérsias, por sua vez, é incabível o recurso especial pois interposto contra acórdão com fundamento eminentemente constitucional. Nesse sentido: "Possuindo o julgado fundamento exclusivamente constitucional, descabida se revela a revisão do acórdão pela via do recurso especial, sob pena de usurpação de competência". (AgRg no AREsp 1.532.282/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 19/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no REsp 1.302.307/TO, relatora Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 13/5/2013; REsp 1.110.552/CE, relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, DJe de 15/2/2012; AgInt no REsp 1.830.547/DF, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp 1.488.516/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 1º/7/2020; AgInt no AgInt no AREsp 1.484.304/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp 1.519.322/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 30/10/2019; e AgInt no AREsp 1.358.090/SE, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 3/6/2019. Ainda que assim não fosse, incidem os óbices das Súmulas n. 282 e 356 do STF, uma vez que as questões não foram examinadas pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.