AREsp 1671375 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o enfrentamento da matéria exigiria reexame do contexto fático-probatório (reconhecimento da alodialidade e da cadeia dominial), o que é vedado em recurso especial nos termos da Súmula 7/STJ; aplicou-se também o Enunciado Administrativo 3 do STJ quanto aos requisitos do CPC/2015.
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- Parties
- Agravante: UNIÃO; Agravado: AUTOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo em Recurso Especial da UNIÃO negado provimento
- Legal Topics
- Taxa De Ocupação, Ação Anulatória De Débito, Usucapião, Cadeia Dominial, Averbação Na Matrícula, Súmula 7/stj, Enunciado Administrativo 3/stj
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Parties
UNIÃO
Agravante
AUTOR
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Cabimento de recurso especial diante de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ)
- 2 Anulação de constituição de débito referente à taxa de ocupação
- 3 Reconhecimento de alodialidade do terreno por usucapião e regularidade da cadeia dominial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o enfrentamento da matéria exigiria reexame do contexto fático-probatório (reconhecimento da alodialidade e da cadeia dominial), o que é vedado em recurso especial nos termos da Súmula 7/STJ; aplicou-se também o Enunciado Administrativo 3 do STJ quanto aos requisitos do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo em Recurso Especial da UNIÃO negado provimento
Orders
- Publique-se
- Intimações necessárias
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO. TAXA DE OCUPAÇÃO. CADEIA NOMINAL REGULAR. REVISÃO. ALTERAÇÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Agrava-se de decisão que inadmitiu o recurso especial interposto pela UNIÃO, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TRF3, assim ementado: DIREITO ADMINISTRATIVO, CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO. TAXA DE OCUPAÇÃO. ALODIALIDADE DO TERRENO PROCLAMADA EM SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO E NÃO DESCONSTITUÍDA. CADEIA DOMINIAL REGULAR. HONORÁRIOS RECURSAIS. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1. No caso dos autos, pretendem os autores a anulação da constituição de débitos referentes a taxa de ocupação e laudêmio, a exclusão de seus nomes do CADIN e o cancelamento de inscrição de imóvel em Registro Imobiliário Patrimonial - RIP. 2. O autor é adquirente de unidade autônoma situada na Av. Bartolomeu de Gusmão, n. 41, Santos - SP que compõe bem imóvel edificado em terreno de marinha, cujo domínio foi judicialmente" afastado da União Federal, e convertido em propriedade particular ,a qual, por sua vez, foi transmitida na cadeia sucessória dominial, começando com José Bento de Carvalho, executado em ação fiscal na qual se declarou a aquisição da propriedade do bem por meio de usucapião. 3. O requerente trouxe aos autos elementos satisfatoriamente aptos a comprovar sentença transitada em julgado, por força da qual teria ficado determinada a averbação à margem das transcrições da alodialidade dos terrenos da marinha, como, aliás, a Jurisprudência desta Corte tem reiteradamente admitido. Precedentes. 4. Afastada a alegação recursal deque não seria cabível arguir usucapião em sede de ação de execução fiscal, uma vez que tal possibilidade é reconhecida desde longa data pela Jurisprudência, como se vê do enunciado da Súmula 237 do E. Supremo Tribunal Federal, segundo o qual "o usucapião pode ser arguido em defesa", súmula estaque foi aprovada em sessão plenária do Pretório Excelso em 13/12/1963. 5. De se concluir, portanto, que o imóvel do autor, situado na Avenida Bartolomeu de Gusmão,41,apartamento 46,Santos/SP, embora edificado sobre terreno de marinha, foi alodiado, por força do reconhecimento judicial da usucapião em favor de José Bento de Carvalho, sendo certo que o autor demonstrou a regularidade da cadeia dominial do bem, portanto de rigor a manutenção da sentença de procedência do pedido de anulação dos atos de constituição de débito, em desfavor do autor, referentes à cobrança de taxa de ocupação do imóvel. 6. Honorários advocatícios devidos pela União majorados para 12% sobre o valor atualizado da causa. 7. Apelação não provida (fls. 258/259). 2. Nas razões do seu recurso especial (fls. 263/281), a parte agravante sustenta violação dos arts. 503 e 504 do CPC/2015; 1º, da Lei 6.830, de 22 de setembro de 1980. Alega que o juízo da vara das execuções fiscais jamais poderia ter declarado a prescrição aquisitiva do imóvel, determinando a averbação na matricula dos imóveis (fls. 274). 3. Devidamente intimada, a parte agravada apresentou as contrarrazões recursais (fls. 285/297 ). 4. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo (fls. 312/313 ), fundada na aplicação do óbice da Súmula 7/STJ, razão pela qual se interpôs o presente agravo em recurso especial, ora em análise. 5. É o relatório. 6. A irresignação não merece prosperar. 7. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 8. Ainda, nos exatos termos do acórdão recorrido, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema: Conforme se extrai dos autos, o autor é adquirente de unidade autônoma situada na Av. Bartolomeu de Gusmão, n. 41, Santos - SP que compõe bem imóvel edificado em terreno de marinha, cujo domínio foi judicialmente afastado da União Federal, e convertido em propriedade particular, a qual, por sua vez, foi transmitida na cadeia sucessória dominial, começando com José Bento de Carvalho, executado em ação fiscal na qual se declarou a aquisição da propriedade do bem por meio de usucapião. De fato, o requerente trouxe aos autos elementos satisfatoriamente aptos a comprovar sentença transitada em julgado, por força da qual teria ficado determinada a averbação à margem das transcrições da alodialidade dos terrenos da marinha (fls.28/57),como, aliás, a Jurisprudência desta Corte tem reiteradamente admitido. Do mesmo modo, não merece prosperar a tese recursal de usucapião do domínio direto do imóvel pela União porque, conforme fundamentado, reconhecida a alodialidade do terreno, é certo que aos autores cabe a propriedade plena do imóvel, e não apenas do domínio útil, como pretende sustentar a apelante. De se concluir, portanto, que o imóvel do autor, situado na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 41, apartamento 46, Santos/SP, embora edificado sobre terreno de marinha, foi alodiado, por força do reconhecimento judicial da usucapião em favor de José Bento de Carvalho, sendo certo que o autor demonstrou a regularidade da cadeia dominial do bem, portanto de rigor a manutenção da sentença de procedência do pedido de anulação dos atos de constituição de débito, em desfavor do autor, referentes à cobrança de taxa de ocupação do imóvel.(fls. 251/257). 9. Com efeito, o Tribunal de origem reconheceu que o agravado demonstrou a regularidade da cadeia dominial do bem. Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do recurso especial. Sendo assim, incide a Súmula 7 do STJ, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 10. Nesse sentido, cito os seguintes julgados deste Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MULTA COMINATÓRIA. REVISÃO. VALOR. RAZOABILIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. NÃO PROVIMENTO. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 2. O valor da multa cominatória não é definitivo, pois poderá ser revisto em qualquer fase processual, inclusive em cumprimento de sentença, caso se revele excessivo ou insuficiente (art. 537, § 1º, do Código de Processo Civil). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.804.507/DP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe 11/2/2021). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. OFENSA AO ART. 5o, XXXVI, DA CF. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 2. VIOLAÇÃO AO ART. 6o, § 1º, DA LINDB. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. 3. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DA MULTA. PRECEDENTES. NECESSIDADE DE REDUÇÃO DO VALOR EXECUTADO. 3.1. MONTANTE DESPROPORCIONAL. CONCLUSÃO FUNDADA EM FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. É inviável o exame de ofensa a eventual violação de dispositivos e princípios constitucionais, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102 da Constituição Federal. 2. Consoante a jurisprudência desta Corte, é "inviável o conhecimento do Recurso Especial por violação do art. 6º da LICC, uma vez que os princípios contidos na Lei de Introdução ao Código Civil - direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada -, apesar de previstos em norma infraconstitucional, são institutos de natureza eminentemente constitucional (art. 5º, XXXVI, da CF/1988)" - (AgRg no REsp n. 1.402.259/RJ, Relator o Ministro Sidnei Beneti, DJe 12/6/2014). 3. O valor da multa cominatória não é definitivo, pois poderá ser revisto em qualquer fase processual, inclusive em cumprimento de sentença, caso se revele excessivo ou insuficiente (art. 537, § 1º, do Código de Processo Civil/2015). 3.1 Modificar o entendimento do Tribunal local, quanto ao valor das astreintes após o redimensionamento efetuado pelo Tribunal originário, incorrerá em reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável, devido ao óbice da Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno improvido (AgInt no REsp 1.790.775/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,DJe 20/3/2020) 11. Em face do exposto, nego provimento ao Agravo em Recurso Especial da UNIÃO. 12 . Publique-se. Intimações necessárias.