AREsp 1953817 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque, quanto à alegação de omissão, a fundamentação do recurso especial era deficiente e genérica, incidindo a Súmula 284/STF; e, quanto à matéria de mérito debatida, o acórdão recorrido assentou-se em fundamento eminentemente constitucional, tornando...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Taxa De Ocupação, Foro, Laudêmio, Ilhas Costeiras, Emenda Constitucional 46/2005, Omissão Em Acórdão, Admissibilidade Do Recurso Especial, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 omissão em acórdão e cabimento de embargos de declaração (art. 1.022 CPC)
- 2 legitimidade da cobrança de taxa de ocupação e domínio da União (art. 20, IV da CF/88 e EC 46/2005)
- 3 aplicação dos Decretos-Leis n. 9.760/46 e n. 1.561/77 e distribuição do ônus da prova (art. 373 CPC)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque, quanto à alegação de omissão, a fundamentação do recurso especial era deficiente e genérica, incidindo a Súmula 284/STF; e, quanto à matéria de mérito debatida, o acórdão recorrido assentou-se em fundamento eminentemente constitucional, tornando inadmissível a revisão por recurso especial; majoraram-se honorários em 15% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pela FAZENDA NACIONAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO, assim resumido: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO TAXA DE OCUPAÇÃO FORO E LAUDÊMIO IMÓVEL SITUADO EM ILHA COSTEIRA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 462005 (ART 26 II CC O ART 20 IV DA CF88) ENCARGOS INDEVIDOS SEDE DE MUNICÍPIO PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 1.022, II, do CPC, no que concerne à ausência de pronunciamento sobre questão relevante para o julgamento da causa, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): De fato, a eg. Turma deixou de se pronunciar sobre questão relevante para o julgamento da causa, muito embora a Fazenda Nacional tenha diligentemente requerido sua manifestação por meio de embargos de declaração, persistindo a omissão que deu motivo aos embargos. Há que se frisar que os embargos de declaração, como já se demonstrou, eram plenamente cabíveis, não se justificando o comportamento da Turma em rejeitá-los. A omissão do aresto se torna ainda mais grave, tomando contornos de nulidade, uma vez que a Fazenda Nacional, diligentemente, interpôs o recurso adequado, visando sanar tal vício. No entanto, a Turma preferiu rejeitar os embargos declaratórios - como já se disse -, com a devida vênia, persistindo no erro. Note-se que a ofensa - e, por conseqüência, a nulidade do acórdão - nasceu no momento em que o Tribunal a quo rejeitou os embargos de declaração. Com efeito, a nulidade do julgado surgiu no momento em que a Turma deixou de acolher os embargos declaratórios, violando o art. 1.022, inc. II, do CPC. Até aquele momento era possível corrigir o erro no próprio Tribunal, contudo, com a rejeição dos embargos, o aresto se tornou nulo de pleno direito. De fato, observada a omissão no aresto, são cabíveis os embargos declaratórios. Este o caso em exame, vez que a simples leitura do acórdão embargado leva, de pronto, à constatação da omissão. (fl. 215). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 127 do Decreto-Lei n. 9.760/46, 1º do Decreto-Lei n. 1.561/77 e 373 do CPC, no que concerne à legitima cobrança da taxa de ocupação, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Entendeu a Eg. Turma do TRF 1a Região que, na forma do art. 20, IV da CF, com a redação conferida pela EC 46/2005, a ilha de São Luis encontra-se excluída do rol de bens pertencentes à União. No entanto, o domínio da União decorre, in casu, da própria Constituição Federal, independentemente das escrituras apresentadas pela Recorrida. Cabe ao particular o ônus de provar que possui domínio privado advindo de titulo legítimo do domínio público, ou seja, aquele cujo elo inicial da cadeia sucessória tenha origem no domínio público e não a União, sob pena de violação ao art. 333, I do CPC/73. Logo, é indiscutível que a propriedade do bem imóvel pertence a União, já que sua propriedade decorre da Carta Magna e a parte autora não comprovou a aquisição da propriedade através de domínio público, estando o v. acórdão assentado em fundamentação equivocada. O acórdão vulnerou ainda o art. 127 do Decreto-Lei 9.760/46 que trata da cobrança de taxa de ocupação: .. Como já exposto, o Tribunal não levou em consideração que a Recorrida não possui nenhum título outorgado pela União. O art.1º do Decreto-Lei 1.561/77 dispõe que "é vedada a ocupação gratuita de terrenos da União, salvo quando autorizados em lei". Destarte, plenamente cabível a cobrança da taxa de ocupação. .. Em que pese os precedentes do STJ divergirem quanto ao marco para fins de observância do decidido na ADI 4.264 MC/PE, se 27/05/2011 (data da disponibilização do acórdão no DJe, vide AgRg no REsp 1.526.584/RS) ou 16/03/2011 (data do julgamento da ADI 4.264 MC/PE), o Supremo Tribunal Federal entende que suas decisões, no âmbito do controle concentrado de constitucionalidade, "em regra, passam a produzir efeitos a partir da publicação, no veículo oficial, da ata de julgamento" (Rcl 6999 AgR/MG), razão pela qual o marco mais adequado deve ser o dia 28/0312011 (DJ nº 57). Por fim, a Fazenda Nacional detém legitimidade para cobrança do crédito tributário inscrito em dívida ativa da União, cujo procedimento de constituição do crédito não foi objeto de impugnação específica pelo executado, o que impõe concluir que as considerações acerca do processo de demarcação foram apenas obter dictum do julgado, sob pena de, ao contrário, configurar grave ofensa ao art. 333 do CPC/73(art. 373 do atual CPC) e, ainda, extrapolar o thema decidendum, ofendendo assim o principio da congruência. (fls. 217-218). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"), uma vez que a parte recorrente alega, genericamente, a existência de violação do art. 1.022 do CPC de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem, contudo, demonstrar especificamente quais os vícios do aresto vergastado e/ou a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "é deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF". (REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20/2/2020; REsp n. 1.838.279/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28/10/2019; e REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, é incabível o recurso especial pois interposto contra acórdão com fundamento eminentemente constitucional. Nesse sentido: "Possuindo o julgado fundamento exclusivamente constitucional, descabida se revela a revisão do acórdão pela via do recurso especial, sob pena de usurpação de competência". (AgRg no AREsp 1.532.282/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 19/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no REsp 1.302.307/TO, relatora Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 13/5/2013; REsp 1.110.552/CE, relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, DJe de 15/2/2012; AgInt no REsp 1.830.547/DF, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp 1.488.516/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 1º/7/2020; AgInt no AgInt no AREsp 1.484.304/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp 1.519.322/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 30/10/2019; AgInt no AREsp 1.358.090/SE, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 3/6/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.