REsp 1963431 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido fundamentou-se exclusivamente em dispositivo de lei estadual (art. 4º, § 7º, da Lei Estadual nº 11.608/2003), o que impede o reexame pelo Superior Tribunal de Justiça conforme a Súmula 280/STF; com fundamento no art. 932 do CPC/15 e na Súmula 568/STJ,...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ROSANA MARIA CELESTINI; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Não se conhece do recurso especial.
- Legal Topics
- Taxa Judiciária, Base De Cálculo, Meação Do Cônjuge Supérstite, Interpretação De Lei Estadual, Súmula 280/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ROSANA MARIA CELESTINI
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Incidência da taxa judiciária sobre a meação do cônjuge supérstite em inventário
- 2 Possibilidade de conhecimento de recurso especial quando o acórdão recorrido fundamentou-se exclusivamente em lei estadual (Súmula 280/STF)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido fundamentou-se exclusivamente em dispositivo de lei estadual (art. 4º, § 7º, da Lei Estadual nº 11.608/2003), o que impede o reexame pelo Superior Tribunal de Justiça conforme a Súmula 280/STF; com fundamento no art. 932 do CPC/15 e na Súmula 568/STJ, determinou-se o não conhecimento do recurso.
Court Disposition
Não se conhece do recurso especial.
Orders
- Não conhecimento do recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial, interposto por ROSANA MARIA CELESTINI, com fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contraacórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fls. 22/25, e-STJ): Agravo de instrumento - Inventário - A meação do cônjuge supérstite integra a base de cálculo para a taxa judiciária - Inteligência do art. 4º, § 7º, da Lei n. 11.608/2003 - Confirma-se decisão - Nega-se provimento ao recurso. Embargos declaratórios rejeitados, nos termos do aresto de fls. 32/36 (e-STJ). Nas razões do especial (fls. 39/58, e-STJ), ainsurgenteaponta, além de divergência jurisprudencial, violação aos disposto nos artigos 1.022, I, e II, 1.025, 1.026, do CPC/15; 77, do CTN; e 1.571, I, do CC. Insurge-se, em suma, contra a base de cálculo da taxa judiciária incidentesobre a totalidade dos bens em ação de inventário. Aduz, para tanto, que ela deve incidir sobre a prestação de serviço público específico, divisível e efetivamente prestado, excluindo-se, por conseguinte, a meação da companheira supérstite. Assevera que apesar do entendimento firmado pela Corte de origem,"o cálculo da taxa judiciária devida em razão da prestação de serviço público forense deve contemplar apenas e tão somente o valor a ser transmitido aos herdeiros, isto é, o valor líquido da partilha, que corresponde ao valor total, com a exclusão das dívidas e da meação da companheira supérstite, já que a meação da cônjuge supérstite não constitui patrimônio do de cujus, não se enquadrando no conceito legal de herança"(fl. 50, e-STJ). Sem contrarrazões (certidão de fl. 101, e-STJ) e após juízo positivo de admissibilidade (fls. 102/104, e-STJ), os autos ascenderam a esta Corte Superior de Justiça. Instado, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso. É o breve relatório. Decido. A irresignação não comporta acolhimento. 1.Extrai-se dos autos que, ao negar provimento ao recurso interposto pela ora insurgente, pautou-se a Corte estadual sobre um único fundamento, qual seja, a subsunção dos fatos à regra prevista no art. 4º, § 7º, da Lei estadual 11.608/2003. É o que se extrai do seguinte excerto do aresto hostilizado (fl. 24, e-STJ): O art. 4º, § 7º, da Lei n. 11.608/2003 estabelece expressamente que a meação do cônjuge supérstite integra a base de cálculo para a taxa judiciária. Assim decide este e. TJ. A título de exemplo, vide o v. acórdão proferido pela 1ª Câmara de Direito Privado e relatado pelo e. Des. Francisco Loureiro, com menção a inúmeras decisões desta Corte, no Agravo Interno n. 2088126-94.2020.8.26.0000/50000, julgado recentemente (24/06/2020), cuja ementa é a seguinte: "AGRAVO INTERNO. Decisão monocrática que nega seguimento a Agravo de Instrumento. Manutenção. Discussão sobre a base de cálculo da taxa judiciária em inventário. Inclusão da meação do cônjuge supérstite para fins de incidência da taxa judiciária, que não se confunde com o ITCMD. Inteligência do artigo 4º, § 7º, da Lei Estadual nº 11.608/2003. Precedentes deste Tribunal. Recurso desprovido". Pelas razões expostas, nega-se provimento ao recurso. Assim, ainda que a peça recursal aponte violação à lei federal, observa-se que a decisão recorrida fundou-se, exclusivamente, em dispositivo de lei estadual. Neste contexto, inviável o conhecimento do recurso especial, conforme precedentes desta Corte: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. 2. LEGITIMIDADE ATIVA. CONTRATO DE CESSÃO. PROVAS QUE DEMONSTRAM A TRANSFERÊNCIA DOS DIREITOS. MODIFICAR AS CONCLUSÕES DO ACÓRDÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 3. ALIENAÇÕES ANTERIORES À LEI ESTADUAL N. 10.682/1996 INTEGRAIS. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO. SÚMULA 283/STF. 4. COMPREENSÃO ADOTADA NA ORIGEM COM BASE EM LEI ESTADUAL. ENUNCIADO N. 280/STF. 5. AGRAVO DESPROVIDO. .. 4. Sem descurar de que as razões recursais indicam afronta a dispositivos da legislação infraconstitucional, sua análise demanda o enfrentamento de artigos da Lei Estadual n. 10.682/1996, que orientou a compreensão adotada na origem. Dessa forma, não compete a esta Corte o reexame da matéria em questão, de acordo com a Súmula 280/STF. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1271789/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/08/2018, DJe 16/08/2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO POR MORTE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/1973. NÃO CARACTERIZAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280 DO STF. AGRAVO NÃO PROVIDO. .. 2. A eg. Corte Estadual dirimiu a controvérsia com base na interpretação das Leis Estaduais nº 4.136 de 1961 e nº 3.096 de 1956, de maneira que, para se aferir a procedência das alegações da recorrente, seria necessária a incursão em matéria de direito local, o que, no entanto, é vedado a esta Corte de Justiça, em sede de recurso especial,aplicando-se, por analogia, a Súmula 280/STF, segundo a qual "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 816.883/RS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 15/09/2016, DJe 05/10/2016) Ademais, considerando que o dissídio suscitado trata da mesma questão, "a constatação do óbice da Súmula 280/STF também obsta o conhecimento do recurso pela divergência jurisprudencial" (AgInt no AREsp 1269765/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 16/08/2018, DJe 21/08/2018). Cumpre destacar, por oportuno, que eventual descompasso entre os artigos apontados como vulnerados e odispositivo de lei que fundamentou o aresto recorrido há de ser dirimido pelo Supremo Tribunal Federal, à luz do disposto no art. 102, III, "d", da Constituição Federal. 2. Do exposto, com amparo no artigo 932 do CPC/15 c/c a súmula 568/STJ, não se conhece do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.