AREsp 2479114 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque não há obscuridade, contradição, omissão ou erro material a ser sanado; aplicando-se o CPC/2015, a contagem iniciou-se em 30/5/2023 e terminou em 19/6/2023, razão pela qual o recurso especial interposto em 20/6/2023 foi intempestivo; ademais, a ausência de comprovação oficial de...
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- Parties
- Embargante: ALVARO RODRIGUES GARCIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 February 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Tempestividade De Recurso Especial, Contagem De Prazo, Feriado Local, Aplicação Do Cpc/2015, Embargos De Declaração (omissão, Obscuridade, Contradição, Erro Material)
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Parties
ALVARO RODRIGUES GARCIA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 tempestividade do recurso especial interposto em 20/6/2023
- 2 aplicação do Código de Processo Civil de 2015 (tempus regit actum)
- 3 necessidade de comprovação de feriado local para exclusão de dia útil
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque não há obscuridade, contradição, omissão ou erro material a ser sanado; aplicando-se o CPC/2015, a contagem iniciou-se em 30/5/2023 e terminou em 19/6/2023, razão pela qual o recurso especial interposto em 20/6/2023 foi intempestivo; ademais, a ausência de comprovação oficial de feriado local impede a exclusão do dia e, portanto, não há nulidade a ser corrigida pelos embargos.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
- Advirto a parte embargante que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, do CPC).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de embargos de declaração opostos por ALVARO RODRIGUES GARCIA à decisão de fls. 411/412, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante que: Conforme r. decisão de fls. 411/412, V. Exa. decidiu por não conhecer do presente Agravo em Recurso Especial, fundamentando que o recurso especial de fls. 337/342 havia sido interposto intempestivamente. Contudo, em que pese a cultura e o notório saber desta Emérita Ministra, insta salientar que o recurso especial de fls. 337/342 foi interposto tempestivamente, tendo em vista que v. acórdão recorrido foi publicado em 29/05/2023, logo a contagem do prazo iniciou-se em 30/05/2023, e teve seu término em 20/06/2023, ou seja, na mesma data do protocolo do recurso especial, pois, conforme Portaria GP 01, de 02 de Janeiro de 2023, no dia 08/06/2023 (Corpus Christis) não houve expediente no STJ. Logo, não deve ser considerado dia útil (fls. 415/416). Requer o conhecimento e acolhimento dos embargos declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É, no essencial, o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Quanto à tempestividade do recurso, impende esclarecer que o marco temporal de aplicação do Código de Processo Civil de 2015 é a intimação do decisum recorrido que, no presente caso, foi realizada sob a égide do novo codex Processual. Assim, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3 do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC", em observância ao princípio do tempus regit actum, ou seja, no presente caso aplicam-se as regras do Código de Processo Civil de 2015. Veja-se que houve a disponibilização da decisão do acórdão recorrido em 26/5/2023, considerando-se publicada em 29/5/2023 (fl. 335). Excluindo-se o dia 29/5/2023 (primeiro dia), inicia-se a contagem no dia 30/5/2023 finalizando o prazo no dia 19/6/2023, devendo ser comprovada a suspensão do expediente forense, acaso existente. Dessa forma, o prazo recursal de 15 (quinze) dias úteis, nos termos art. 994, VI, c/c os arts. 1.003, § 5º, 1.029, e 219, caput, todos do Código de Processo Civil, terminou no dia 19/6/2023, sendo que o recurso especial foi interposto somente em 20/6/2023, fora do prazo. Cumpre esclarecer, pois se encontra pacificado nesta Corte, que a ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não dotado de fé pública. Nesse sentido, AgInt no AREsp n. 2.227.508/BA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 27/6/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.270.942/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 5/6/2023, DJe de 7/6/2023; e AgInt no AREsp n. 2.280.536/BA, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 24/5/2023. É certo que os feriados nacionais não precisam ser comprovados. Porém, o dia 8/6/2023 é supostamente feriado local, razão pela qual deveria ter sido comprovado no momento da interposição do recurso. Ademais, registre-se que para a aferição da tempestividade do recurso dirigido ao STJ, é indiferente que tenha havido ou não expediente forense nesta Corte, pois o agravo e o recurso especial interpostos são endereçados ao presidente do tribunal a quo, regendo-se o respectivo prazo, em matéria de recesso forense e feriados, pela legislação local. Nesse sentido, o AgInt nos EDcl no AREsp 1482882/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 14/5/2020 e o AgInt no AREsp 1514470/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/12/2019. Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28/8/2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA