AREsp 2675984 - DECISAO
Rejeitar os embargos de declaração porque não se verificam obscuridade, contradição, omissão ou erro material no decisum; a alegação de suspensão de prazos por feriado local (Corpus Christi) não foi comprovada por documento oficial no ato da interposição, sendo insuficiente a mera menção; Corpus Christi não é...
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- Parties
- Embargante: GUSTAVO MURILO SANTANA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição
- Outcome
- Rejeitados os Embargos de Declaração
- Legal Topics
- Tempestividade Recursal, Feriados Locais, Comprovação De Suspensão De Prazos, Embargos De Declaração, Princípio Tempus Regit Actum, Multas Por Embargos Protelatórios
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Parties
GUSTAVO MURILO SANTANA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição
Legal Issues
- 1 tempestividade do recurso em razão de suposto feriado local (Corpus Christi)
- 2 necessidade de comprovação de feriado local por documento oficial no ato da interposição
- 3 aplicação temporária da Lei n. 14.939/2024 pelo princípio tempus regit actum
Ratio Decidendi
Rejeitar os embargos de declaração porque não se verificam obscuridade, contradição, omissão ou erro material no decisum; a alegação de suspensão de prazos por feriado local (Corpus Christi) não foi comprovada por documento oficial no ato da interposição, sendo insuficiente a mera menção; Corpus Christi não é feriado nacional segundo as leis federais citadas; a Lei n. 14.939/2024 não se aplica ao caso por força do princípio tempus regit actum, pois a intimação ocorreu antes de 31.7.2024; procede-se, assim, à rejeição dos embargos e à advertência sobre multa de 2% para futuras reiteradas peças protelatórias.
Court Disposition
Rejeitados os Embargos de Declaração
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração
- Advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, do CPC)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por GUSTAVO MURILO SANTANA à decisão de fls. 275, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: Inicialmente, insta indicar que no r. despacho proferido pela Doutora Ministra Maria Thereza, em razão de que sob sua avaliação, mediante sua análise do recurso de GUSTAVO MURILO SANTANA, a parte Embargante foi intimada da decisão agravada em 10/05/2024, sendo o agravo somente interposto em 03/06/2024. Assim, a mesma indicou em seu despacho que o recurso é manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias úteis, nos termos do art. 994, VIII, c/c os arts. 1.003, § 5º, 1.042, caput, e 219, caput, todos do Código de Processo Civil. Ocorre que a prazo iniciado em 10/05/2024 conforme muito bem indicado, e findou-se em 03/06/2024, tendo em vista que nos dias 30 e 31.05.2024 os prazos se restaram por suspensos no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em razão do feriado de Corpus Christi. .. Assim, diante da interposição ocorrer na instancia anterior em sua Comarca, devido a suspensão dos prazos o presente recurso foi interposto dentro do prazo legal (fls. 281/282). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Cumpre esclarecer, pois se encontra pacificado nesta Corte, que a ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não dotado de fé pública. Nesse sentido, AgInt no AREsp n. 2.227.508/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 27.6.2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.270.942/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 7.6.2023; e AgInt no AREsp n. 2.280.536/BA, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 24.5.2023. É certo que feriado nacional não precisa ser comprovado. Porém, o dia 30.05.2024 e 31.05.2024 são supostamente feriados locais, razão pela qual deveriam ter sido comprovados no momento da interposição do recurso, nos termos do art. 1.003, § 6º, do CPC (redação anterior à Lei n. 14.939/2024). Ressalte-se que em observância ao princípio do tempus regit actum, o entendimento da Lei n. 14.939/2024 só será aplicado quando a data de intimação do decisum recorrido tenha ocorrido a partir do dia 31.7.2024 (Mutatis mutandis, Enunciado Administrativo n. 3 do STJ). Registre-se que são considerados feriados nacionais somente aqueles que estão expressamente previstos na Lei nº 10.607/2002 e Lei nº 6.802/1980, as quais declaram feriados nacionais os dias 1º de janeiro, 21 de abril, 1º de maio, 7 de setembro, 12 de outubro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro. Como se percebe, o dia de Corpus Christi (Corpo de Cristo) não está previsto em nosso ordenamento jurídico no âmbito nacional. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1867014/AM, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19.08.2021; AgInt nos EDcl no REsp 1792664/RJ, Rel. Ministro Luis Felipe Salmão, Quarta Turma, DJe de 01.07.2021. Observe ainda que, "a jurisprudência desta Corte Superior entende que segunda-feira de carnaval, quarta-feira de cinzas, dias da Semana Santa que antecedem a Sexta-Feira da Paixão, Corpus Christi e Dia do Servidor Público são considerados feriados locais para fins de comprovação da tempestividade recursal" (AgInt nos EDcl no AREsp 1639906/ES, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe 24.06.2022). Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA