REsp 2131767 - DECISAO
Em juízo de retratação, verificou-se erro quanto ao termo inicial do benefício, razão pela qual a decisão foi parcialmente reconsiderada; porém, o tribunal de origem entendeu que a matéria do termo inicial estava preclusa em razão da ausência de impugnação tempestiva, fundamento que não foi refutado nas razões do...
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- Parties
- Agravante: Agravante; Recorrente: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Juízo De Retratação / Decisão Interlocutória
- Outcome
- Reconsiderada parcialmente a decisão; prejudicado o agravo interno; não conhecido o Recurso Especial quanto ao termo inicial do benefício; majoração dos honorários recursais em 20%.
- Legal Topics
- Termo Inicial Do Benefício, Preclusão, Honorários Recursais, Recurso Especial, Agravo Interno
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Agravante
Agravante
INSS
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno / Juízo De Retratação / Decisão Interlocutória
Legal Issues
- 1 redefinição do termo inicial do benefício
- 2 preclusão por não impugnação de fundamento autônomo
- 3 fixação e majoração de honorários recursais nos termos do art.85, §11, CPC
Ratio Decidendi
Em juízo de retratação, verificou-se erro quanto ao termo inicial do benefício, razão pela qual a decisão foi parcialmente reconsiderada; porém, o tribunal de origem entendeu que a matéria do termo inicial estava preclusa em razão da ausência de impugnação tempestiva, fundamento que não foi refutado nas razões do Recurso Especial, justificando o não conhecimento do Recurso Especial quanto ao termo inicial. Além disso, determinou-se a majoração dos honorários recursais em 20% com fundamento no art.85, §§ 2º e 11, do CPC/2015 e na jurisprudência da Corte Especial do STJ.
Court Disposition
Reconsiderada parcialmente a decisão; prejudicado o agravo interno; não conhecido o Recurso Especial quanto ao termo inicial do benefício; majoração dos honorários recursais em 20%.
Orders
- RECONSIDERO parcialmente a decisão de fls. 2.017/2.022e
- Fica PREJUDICADO o agravo interno de fls. 2.028/2.033e
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Agravo Interno interposto contra a decisão que deu provimento ao Recurso Especial do INSS relativamente ao termo inicial do benefício. Sustenta a Agravante, em síntese, ser inviável a redefinição do termo inicial do benefício, porquanto tal matéria transitou em julgado diante da não interposição de recurso pela autarquia previdenciária. Por fim, requer o provimento do recurso, a fim de que seja reformada a decisão impugnada ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do Colegiado. Transcorreu, in albis, o prazo para impugnação (certidão de fl. 2.040e). Feito breve relato, decido. Em juízo de retratação, consoante o disposto no § 2º, do art. 1.021, do Código de Processo Civil, verifica-se o desacerto da mencionada decisão quanto ao termo inicial do benefício, razão pela qual de rigor sua reconsideração nesse ponto, passando a novo julgamento do recurso. Nas razões do Recurso Especial, o INSS apontou violação aos arts. 240 do Código de Processo Civil, 49, I, b, II e 54, da Lei n. 8.213/1991, sob o argumento de que somente foi constituído em mora a partir da citação, razão pela qual deve ser fixado nesta data o termo inicial do benefício. Contudo, observo que o tribunal de origem afastou tal alegação, sob o fundamento de que a questão em torno do termo inicial do benefício foi alcançada pela preclusão, conforme se extrai dos excertos do acórdão recorrido (fl. 1.882e): No caso, já na sentença de origem havia sido determinada a reafirmação da DER para a data quando o segurado implementasse os requisitos, a ser apurado pelo INSS, que o fez e implantou o benefício com DER reafirmada em 15/02/2018 (evento 97, SENTI, evento 100, INFBEN1). Observa-se que o próprio INSS implantou o benefício em atendimento a sentença de origem, fixando a sua data para além do término do processo administrativo e do ajuizamento da presente ação, e não apresentou, na oportunidade, nem embargos de declaração nem recurso sobre o termo inicial do benefício e nem sobre juros de mora e honorários advocatícios, que também restaram fixados na sentença de origem. Dito isto, não se conhece do recurso (ou de parte dele) quando o recorrente nele suscita matéria que não tenha sido objeto de alegação no momento oportuno, e, portanto, não tenha sido submetida à análise ao juízo de primeiro grau e/ou do órgão colegiado. Portanto, não tendo a parte autora suscitado a matéria quando da apresentação de contrarrazões de apelação ou dos embargos de declaração opostos anteriormente, operou-se a preclusão no caso concreto. Nas razões do Recurso Especial, tal fundamentação não foi refutada, implicando a inadmissibilidade do recurso, visto que esta Corte tem firme posicionamento, segundo o qual a falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 283 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nessa linha, destaco os seguintes julgados de ambas as Turmas que compõem a 1ª Seção desta Corte: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OCUPAÇÃO DE TERRA PÚBLICA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEMOLIÇÃO DE CONSTRUÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. SÚMULA N. 280 DO STF. ACÓRDÃO A QUO QUE CONCLUI, COM BASE NOS FATOS E PROVAS DOS AUTOS, PELA IRREGULARIDADE DA EDIFICAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. FUNDAMENTO AUTÔNOMO INATACADO. SÚMULA N. 283 DO STF. ALEGADA VIOLAÇÃO À LEI FEDERAL. DISPOSITIVOS NÃO INDICADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. (..) 4. A argumentação do recurso especial não atacou o fundamento autônomo e suficiente empregado pelo acórdão recorrido para decidir que o Código de Edificações do Distrito Federal autoriza à Administração Pública, no exercício regular do poder de polícia, determinar a demolição de obra irregular, inserida em área pública e de preservação permanente. Incide, no ponto, a Súmula 283/STF. 5. Revelam-se deficientes as razões do recurso especial quando o recorrente limita-se a tecer alegações genéricas, sem, contudo, apontar especificamente qual dispositivo de lei federal foi contrariado pelo Tribunal a quo, fazendo incidir a Súmula 284 do STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 438.526/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 08/08/2014); ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. FASE DE EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA POR ATO DE IMPROBIDADE. BENS IMÓVEIS PENHORADOS, LEVADOS A HASTA PÚBLICA E ARREMATADOS. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA, RESCINDINDO O ACÓRDÃO CONDENATÓRIO. PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DAS ARREMATAÇÕES. NECESSIDADE DE AÇÃO PRÓPRIA. IMÓVEIS QUE TERIAM SIDO ARREMATADOS POR PREÇO VIL. INDENIZAÇÃO QUE DEVE SER BUSCADA EM AÇÃO PRÓPRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO CUJOS FUNDAMENTOS NÃO SÃO IMPUGNADOS PELAS TESES DO RECORRENTE. SÚMULA N. 283 DO STF. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. (..) 4. Com relação aos demais pontos arguidos pelo recorrente, forçoso reconhecer que o recurso especial não merece conhecimento, porquanto, além da ausência de prequestionamento das teses que suscita (violação dos artigos 687, 698 do CPC e 166, inciso IV, e 1.228 do Código Civil) (Súmula n. 211 do STJ), tem-se que as razões recursais não impugnam, especificamente, os fundamentos do acórdão recorrido, o que atrai o entendimento da Súmula n. 283 do STF. 5. Não sendo possível o retorno ao status quo ante, deve o prejudicado pedir indenização por meio de ação própria, caso entenda que aquela arbitrada pelo juízo da execução é insuficiente para recompor sua indevida perda patrimonial. Recurso especial não conhecido. (REsp 1.407.870/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/08/2014, DJe 19/08/2014). Não conhecido integralmente do Recurso Especial, de rigor a fixação de honorários recursais. No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Impende destacar que a Corte Especial deste Tribunal Superior, na sessão de 9.11.2023, concluiu o julgamento do Tema n. 1.059/STJ (Recursos Especiais ns. 1.864.633/RS, 1.865.223/SC e 1.865.553/PR, acórdãos pendentes de publicação), fixando a tese segundo a qual a majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e limitada a consectários da condenação. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18/05/2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Nessa linha a compreensão da Corte Especial deste Tribunal Superior (v.g.: AgInt nos EAREsp 762.075/MT, Rel. Min. Felix Fischer, Rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe de 07.03.2019). Assim, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, de rigor a majoração, em 20% (vinte por cento), dos honorários anteriormente fixados na origem. Posto isso, nos termos do § 2º, do art. 1.021, do Código de Processo Civil, RECONSIDERO parcialmente a decisão de fls. 2.017/2.022e, restando, por conseguinte, PREJUDICADO o agravo interno de fls. 2.028.2.033e, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial quanto ao termo inicial do benefício. Publique-se e intimem-se. EMENTA