REsp 1924298 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial dos autores e deu-se provimento para fixar o termo inicial dos juros de mora na data da notificação da autoridade coatora no mandado de segurança coletivo, em conformidade com jurisprudência do STJ; não se conheceu do agravo em recurso especial interposto pela SPPREV por...
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- Parties
- Recorrente: ABELITA PEREIRA DOS SANTOSE OUTROS; Agravante: SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV -; Interessada/recorrente: Fazenda do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial E Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Mérito Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conhecido parcialmente o recurso especial dos autores e provido para fixar o termo inicial dos juros de mora na data da notificação da autoridade coatora no writ coletivo; não conhecido o agravo em recurso especial da SPPREV; majoração de honorários não determinada em sede de recurso, cabendo ao juízo de origem a...
- Legal Topics
- Termo Inicial Dos Juros De Mora, Mandado De Segurança Coletivo, Prescrição, Legitimidade Ativa De Associação, Honorários Advocatícios, Admissibilidade Recursal (art. 1.042 Cpc/2015), Súmula 7/stj
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Parties
ABELITA PEREIRA DOS SANTOSE OUTROS
Recorrente
SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV -
Agravante
Fazenda do Estado de São Paulo
Interessada/recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial E Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Mérito Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Qual é o termo inicial dos juros de mora em ação de cobrança fundada em direito reconhecido em mandado de segurança coletivo
- 2 Admissibilidade de agravo em recurso especial quando o Tribunal de origem aplicou precedente repetitivo (art. 1.042 CPC/2015)
- 3 Necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão recorrida (art. 932, III, CPC/2015)
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial dos autores e deu-se provimento para fixar o termo inicial dos juros de mora na data da notificação da autoridade coatora no mandado de segurança coletivo, em conformidade com jurisprudência do STJ; não se conheceu do agravo em recurso especial interposto pela SPPREV por incabibilidade na hipótese de decisão do Tribunal a quo fundada em precedente repetitivo (art.1.042 CPC/2015) e por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão recorrida (art. 932, III, CPC/2015). Quanto aos honorários, determinou-se que o juízo de origem proceda à sua fixação, observando o art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conhecido parcialmente o recurso especial dos autores e provido para fixar o termo inicial dos juros de mora na data da notificação da autoridade coatora no writ coletivo; não conhecido o agravo em recurso especial da SPPREV; majoração de honorários não determinada em sede de recurso, cabendo ao juízo de origem a...
Orders
- Conhecer parcialmente do recurso especial dos autores e, nessa parte, dar-lhe provimento para fixar o termo inicial dos juros de mora na data da notificação da autoridade coatora no mandado de segurança coletivo
- Não conhecer do agravo em recurso especial interposto pela SPPREV (art. 1.042 CPC/2015 e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ)
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por ABELITA PEREIRA DOS SANTOSE OUTROS com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, e de agravo interposto pelaSÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV - contra a decisão que inadmitiu o recurso especial fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, a parte autora ajuizou ação de cobrança com valor da causa atribuído em R$ 53.000,00 (cinquenta e três mil reais), em 01/12/2016, tendo como objetivo o recebimento dos valores reconhecidos pretéritos (quinquênio anterior) à impetração do Mandado de Segurança Coletivo nº 0029622-82.2011.8.26.0053. Após sentença que julgou procedentes os pedidos, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO deu parcial provimento à remessa necessária e àapelação doentepúblico, restando consignado que os juros de mora incidirão a partir da citação da ação de cobrança, momento em que se deu a constituição em mora do devedor. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: APELAÇÃO AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA POLICIAIS MILITARES INATIVOS E PENSIONISTAS ADICIONAL DE LOCAL DE EXERCÍCIO Pretensão de percepção de somas relativas a direito reconhecido em sede mandamental coletiva Quinquênio anterior à impetração do mandado de segurança coletivo n. 0029622-82.2011.8.26.0053, impetrado pela Associação dos Policiais Militares da Reserva, reformados, da Ativa e Pensionistas da Caixa Beneficente da Polícia Militar AIPOMESP Sentença de improcedência Prescrição Inocorrência Legitimidade ativa Tendo em vista tratar-se de legitimidade extraordinária da associação no mandado de segurança coletivo, não se exige autorização expressa dos associados, nem comprovação do momento da filiação, bastando a comprovação da filiação Ilegitimidade ativa de duas coautoras, que não comprovaram a associação, e que, por isso, devem ser excluídas da lide Legitimidade passiva A SPPREV é parte legítima para figurar no polo passivo da ação, nos termos do art. 40 da Lei Complementar n.1.10/07 A cobrança de verbas salariais anteriores à impetração do mandado de segurança é viável por meio da presente ação de cobrança, por observância da Súmula 271 do STF Ante o reconhecimento do direito por decisão acobertada pela imutabilidade da coisa julgada, são devidas as diferenças pretéritas correspondentes Juros e correção monetária conforme parâmetros fixados pelo STF Repercussão Geral Tema n. 810 do STF atrelada ao RE n. 870.947 julgada em 20/09/2017 Termo inicial Juros de mora e correção devidos a partir da citação na ação de cobrança Momento em que a Fazenda Estadual foi constituída em mora com relação aos credores individualmente Sentença reformada Reexame necessário e recurso da SPPREV parcialmente providos. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. A Fazenda do Estado de São Paulo e a SPPREV interpuseram recurso especial, apontando violação do art. 2º-A da Lei nº 9.494/97; dos arts. 1º e 9º do Decreto nº 20.910/32; e do art. 5º da Lei nº 11.960/09. Afirma que a parte autora não comprovou a condição de filiada a Associação à época da impetração da demanda coletiva paradigma, o que tem por consequência a sua ilegitimidade ativa, além da inépcia da inicial ausência de pressuposto processual por inobservância de requisito para esta demanda nos termos do art. 2º- A, parágrafo único, da Lei nº 9.494/97. Sustenta que a propositura de mandado de segurança coletivo não poderia interromper a prescrição do direito dos indivíduos representados nestas demandas, muito menos dos que sequer eram associados da impetrante. Pugna pela aplicação da Lei nº 11.960/09 quanto ao índice da correção monetária. Apresentadas contrarrazões. Após decisum que inadmitiu o recurso especial, com base na incidência da Súmula n. 7/STJ, na consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do STJ quanto à apontada violação aos arts. 2º-A e 2º-B da Lei nº 9.494/97, na ausência de afronta a dispositivo legal e na consonância com julgado repetitivo (Tema nº 905/STJ), foi interposto o presente agravo. Abelita Pereira dos Santose outros interpuseram recurso especial, apontando violação dos arts. 85 e240 do CPC/15e do art. 405 do CC/02, bem como divergência jurisprudencial. Sustentam que o termo inicial dos juros de mora considerado seja a data da notificação da autoridade coatora no writ coletivo. Por fim, alegam que os honorários foram fixados em desconformidade com o regramento disposto no art. 85 do CPC/15. Não foram apresentadas contrarrazões. O recurso foi admitido. É o relatório. Decido. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo nº 3/STJ: "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". AGRAVO EM RECURSO ESPECIALDA SPPREV Preliminarmente, cumpre destacar que a decisão recorrida foi publicada em data posterior a 17 de março de 2016, sendo plenamente aplicável, segundo o Enunciado Administrativo n. 3 do Plenário do STJ, o art. 1.042 do Código de Processo Civil de 2015, que estabelece não ser cabível a interposição de agravo contra a decisão que não admite o recurso especial, quando a matéria, nele discutida, tiver sido decidida pelo Tribunal de origem em conformidade com precedente firmado por esta Corte sob o rito do art. 1.036 do CPC/2015 (art. 543-C do CPC/73). Desse modo, não se afigura possível a apresentação de qualquer outro recurso a esta Corte Superior contra tal decisão, porque incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador da sistemática dos recursos representativos de controvérsia, instituída pela Lei n. 11.672/2008. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO PUBLICADA NA VIGÊNCIA O CPC/2015. 1. IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA (CPC/2015, ART 932, III). NECESSIDADE. 2. PARTE DO RECURSO ESPECIAL NÃO ADMITIDA NA ORIGEM PORQUE AS MATÉRIAS FORAM JULGADAS SEGUNDO O RITO DO ART. 543-C DO CPC: TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADOS. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. NÃO CABIMENTO DO AGRAVO NESSES PONTOS (CPC/2015, ART. 1.042). 3. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. ERRO GROSSEIRO. CARACTERIZAÇÃO. 4. RECURSO CONHECIDO APENAS QUANTO À ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. MÉRITO. AFASTAMENTO. 5. AGRAVO PARCIALMENTE CONHECIDO PARA, NESSA EXTENSÃO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 85, §§ 8º E 11, DO CPC/2015. 1. Com o advento do Código de Processo Civil de 2015 passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo contra decisão que não admite recurso especial quando a matéria nele veiculada já houver sido decidida pela Corte de origem em conformidade com recurso repetitivo (art. 1.042, caput). Tal disposição legal aplica-se aos agravos apresentados contra decisão publicada após a entrada em vigor do Novo CPC, em conformidade com o princípio tempus regit actum. 2. A interposição do agravo previsto no art. 1.042, caput, do CPC/2015 quando a Corte de origem o inadmitir com base em recurso repetitivo constitui erro grosseiro, não sendo mais devida a determinação de outrora de retorno dos autos ao Tribunal a quo para que o aprecie como agravo interno. 3. Não se configura ofensa ao art. 535 do CPC/73 quando o Tribunal de origem, embora rejeite os embargos de declaração opostos, manifesta-se acerca de todas as questões devolvidas com o recurso e consideradas necessárias à solução da controvérsia, sendo desnecessária a manifestação pontual sobre todos os artigos de lei indicados como violados pela parte vencida. 4. Agravo parcialmente conhecido para, nessa extensão, negar provimento ao recurso especial, com majoração dos honorários advocatícios, na forma do art. 85, §§ 8º e 11, do CPC/2015. (AREsp 959.991/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/8/2016, DJe 26/8/2016). Assim, por ser incabível, não se deve conhecer do presente recurso no que concerne à matéria objeto do Tema n. 905 do STJ. Ademais, da análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial também com base na incidência da Súmula n. 7/STJ, na consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do STJ quanto à apontada violação aos arts. 2º-A e 2º-B da Lei nº 9.494/97 e na ausência de afronta a dispositivo legal. A parte agravante, entretanto, deixou de impugnar especificamente os óbices referentes à consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do STJ quanto à apontada violação aos arts. 2º-A e 2º-B da Lei nº 9.494/97. Desse modo, forçosa é a incidência do art. 253, I, do Regimento Interno do STJ e do art. 932, III, do CPC/2015, que assim dispõe, in verbis: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; A propósito, confira-se o precedente da E. Corte Especial do STJ no EAResp 746.775 / PR, julgado em 19 de setembro de 2018: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. Por fim, em casos análogos, pela incidência da Súmula n. 182/STJ, destacam-se as seguintes decisões monocráticas: REsp n. 1.869.485/SP, Relª Minª Assusete Magalhães, DJe de 3/04/2020, REsp n. 1.815.659/SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 02/04/2020, REsp n. 1.849.606/SP, Relª Minª Regina Helena Costa, DJe de 20/03/2020, Resp n. 1.811.370/SP, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 12/03/2020. RECURSO ESPECIAL DOS AUTORES O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que o termo inicial dos juros de mora da ação de cobrança, lastreada no direito reconhecido na via mandamental, deve ser fixado na data da notificação da autoridade coatora no writ, pois é o momento em que, nos termos do art. 240 do CPC/15 (antigo art. 219 do CPC/73), ocorre a interrupção do prazo prescricional e a constituição em mora do devedor. Confira-se: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. POLICIAL MILITAR. ADICIONAL DE LOCAL DE EXERCÍCIO (ALE). DIREITO RECONHECIDO NA VIA MANDAMENTAL. AÇÃO DE COBRANÇA DAS PARCELAS ANTERIORES À IMPETRAÇÃO. TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA. NOTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE COATORA QUANDO DA IMPETRAÇÃO DO MANDAMUS. OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ACERVO FÁTICO E PROBATÓRIO. SÚM. 7/STJ. EXTENSÃO DO BENEFÍCIO CONCEDIDO EM AÇÃO MANDAMENTAL COLETIVA A NÃO ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO DE ANTÔNIO ZUIM E OUTROS 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que "o termo inicial dos juros de mora da ação de cobrança, lastreada no direito reconhecido na via mandamental, deve ser fixado na data da notificação da autoridade coatora no writ, pois é o momento em que, nos termos do art. 219 do CPC/1973, ocorre a interrupção do prazo prescricional e a constituição em mora do devedor" (REsp. 1.151.873/MS, Rel. Min. LAURITA VAZ, DJe 23.3.2012). (..) 7.5 .Recurso Especial não provido. (REsp 1800475/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/05/2019, DJe 29/05/2019) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO N. 568/STJ. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO PARA AS PARTES. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. ÓBICES AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. I - Na origem, trata-se de ação de cobrança contra a São Paulo Previdência - SPPREV, em que se busca o pagamento de Adicional Local de Exército - ALE, que teria vencido dentro do quinquênio que antecedeu a impetração de mandado de segurança coletivo que reconheceu o direito à aludida parcela aos militares inativos e pensionistas. Na sentença se julgou procedente o pedido. No Tribunal houve reforma da sentença para julgar procedente a ação e condenar o ente fazendário, inclusive com incidência de juros e correção monetária, respeitada a prescrição. II - O Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento no sentido de que o termo inicial dos juros de mora, em ação de cobrança dos valores pretéritos ao mandado de segurança, é o momento em que a autoridade coatora é notificada no writ. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.711.432/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 7/8/2018, DJe 14/8/2018; REsp n. 1.151.873/MS, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 13/3/2012, DJe 23/3/2012. III - No mais, tem-se que o redimensionamento de verba honorária exige o revolvimento de fatos e provas dos autos, providência esta vedada no especial, em virtude do óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ, compreensão relativizada apenas quando o valor fixado se mostrar irrisório ou exorbitante, o que não se verifica na hipótese dos autos. No mesmo sentido manifestou-se o d. Ministério Público Federal, em parecer. IV - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1752557/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/04/2019, DJe 03/05/2019) Quanto à verba honorária, o Tribunal a quo a fixou nos seguintes termos, in verbis: Desta forma, de rigor dar parcial provimento ao reexame necessário e à apelação da SPPREV para extinguir o feito com relação aos coautores Aparecida Ramos Magalhães e Catarina Ramos Maurício, por ilegitimidade ativa ad causam, condenando-os ao pagamento de metade das custas e das despesas processuais, bem como dos honorários advocatícios ao procurador da SPPREV, ora fixados, por equidade, em R$ 500,00 (art. 85, §§ 2º e 8º, CPC) observada a justiça gratuita. (fl. 358) Na hipótese, verifica-se que os honorários arbitrados em R$ 500,00 (quinhentos reais) foram arbitrados em favor da SPPREV, dada a extinção do feito em relação aos coautores Aparecida Ramos Magalhães e Catarina Ramos Maurício. Ademais, os honorários sucumbenciais em favor da parte Autora serão oportunamente fixados em liquidação de sentença, conforme disposto na sentença ordinária àfl. 226. Assim, evidente a deficiência recursal quanto à apontada violação ao art. 85 do CPC/15, de modo a atrair a incidência, por analogia, do Enunciado nº 284 da Súmula do STF. Ante o exposto, com esteio no art. 255, § 4º, I e III, do RISTJ, conheço parcialmente do recurso especialdos Autores para, nessa parte, dar-lhe provimento para fixar o termo inicial dos juros de mora da ação de cobrança, lastreada no direito reconhecido na via mandamental, na data da notificação da autoridade coatora no writ coletivo e, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso especial da SPPREV. Em relação aos honorários advocatícios, considerando o não conhecimento do recurso da SPPREV e, ainda, que a Corte a quo deixou à cargo do juízo de origem a sua fixação, nos termos do art. 85, § 4º, II, do CPC/2015, não será possível a majoração também nesta oportunidade. Caberá, portanto, ao Juízo de origem a fixação dos honorários, que deverá levar em consideração a interposição do presente recurso, nos termos do § 11 do art. 85 do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se.