REsp 1938635 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque o recorrente não demonstrou prejuízo efetivo decorrente da ausência de intimação sobre a homologação dos cálculos; o Tribunal de origem corretamente concluiu pela inexistência de prejuízo e, por se tratar de matéria fática, seu reexame é vedado em recurso especial nos termos da...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Autora: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Teto Previdenciário, Readequação Do Salário De Benefício, Nulidade Processual, Intimação, Juros E Correção Monetária, Prescrição Quinquenal
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
parte autora
Autora
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade imediata do art. 14 da EC 20/1998 e do art. 5º da EC 41/2003 a benefícios limitados ao teto anterior
- 2 Nulidade da sentença por ausência de intimação para manifestação sobre homologação de cálculos (art. 283, parágrafo único, CPC/2015)
- 3 Exigência de demonstração de prejuízo efetivo para declaração de nulidade
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque o recorrente não demonstrou prejuízo efetivo decorrente da ausência de intimação sobre a homologação dos cálculos; o Tribunal de origem corretamente concluiu pela inexistência de prejuízo e, por se tratar de matéria fática, seu reexame é vedado em recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ; o acórdão também observou a jurisprudência sobre a aplicação das ECs 20/1998 e 41/2003.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto peloINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL com respaldonas alíneas "a" e "c"do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃOassim ementado (e-STJ fls. 142/143): PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUCIONAL. BENEFÍCIO LIMITADO AO TETO PREVISTO NO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA. READEQUAÇÃO DO SALÁRIO DE BENEFÍCIO. APLICAÇÃO IMEDIATA DO ART. 14 DA EC 20/98 E ART. 5º DA EC 41/2003. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL NO RE 564.354. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. .. 4. A Reforma da Previdência Social, levada a efeito pela Emenda Constitucional n. 20/98, modificou o teto dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social elevando-o ao patamar de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais), conforme estabelecido em seu art. 14. Posteriormente, na segunda Reforma da Previdência Social, implementada pela Emenda Constitucional n. 41/2003, o referido teto sofreu nova majoração, para o valor de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), nos termos do seu art. 5º. 5. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 564.354 (relatora Ministra CarmenLúcia Julgado em 08/09/2010 Dje de 14/02/2011), em repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que não ofende o ato jurídico perfeito a aplicação imediata do art. 14 da Emenda Constitucional n. 20/1998 e do art. 5º da Emenda Constitucional n. 41/2003 aos benefícios previdenciários limitados a teto do regime geral de previdência estabelecido antes da vigência dessas normas, de modo a que passem a observar o novo teto constitucional. 6. Considerando que no caso em apreço, de acordo com os documentos acostados aos autos, o salário de benefício da parte autora foi limitado ao teto, está correta a sentença que lhe assegurou o direito à revisão da renda mensal inicial de seu benefício, com a aplicação dos tetos estipulados pelas Emendas Constitucionais ns. 20/98 e 41/03, para apurar eventual resíduo ainda existente ao tempo das referidas emendas, com o respectivo pagamento das diferenças eventualmente devidas respeitada a prescrição quinquenal. 7. Assente-se, porém, que os benefícios previdenciários se reajustam pelos índices previstos em lei, de modo que a promulgação das emendas constitucionais que elevaram o teto dos benefícios não gera direito automático à elevação do benefício de prestação continuada, o que só ocorrerá se ainda houver resíduo a ser recuperado, por isso que (a) primeiro emite-se juízo declaratório dedireito ao acertamento da relação jurídica, declarando o direito da parte autora ao reajustamento dos salários de contribuição, pelos índices legais; (b) depois, emite-se juízo condenatório, tanto que, apurando-se o valor do benefício ao tempo da promulgação da EC n. 20, e sendo esse valor de benefício igual ou superior a 1.200,00 (mil e duzentos reais), terá o segurado direito à elevação do valor do benefício, a partir daí apenas e até esse valor, que continuará a ser atualizado pelos índices legais, e, se adiante, ao tempo da promulgação da EC n. 41, ainda for o benefício inferior a R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), idêntico procedimento deverá ser adotado. 8. Juros e correção monetária nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal. 9. Apelação do INSS e remessa oficial, tida por interposta, parcialmente providas, apenas para fixar o pagamento dos juros e da correção monetária conforme orientações do Manual de Cálculos da Justiça Federal. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 159/164). Em suas razões, a parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial,violação do art. 283, parágrafoúnico, do CPC/2015, argumentando, em suma,que não foi intimadapela sentençapara se manifestar acerca da homologação dos cálculosfeitos pela contadoria judicial, "o que lhe impediu de efetivar o seu direito ao contraditório" (e-STJ fl. 169). Contrarrazões às e-STJ fls. 180/187. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem à e-STJ fl. 197. Passo a decidir. Verifico que a pretensão recursal nãomerece prosperar. No tocante à aventada nulidade da sentença (art. 283do CPC/2015), observa-se que o acórdão recorrido está em sintonia com a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual a declaração de nulidade processual pressupõe a demonstração de efetivoprejuízoao exercício do direito de defesa. A esse propósito, vide: PROCESSUAL CIVIL. NORMAS SOBRE NULIDADE. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DOS CÁLCULOS DE LIQÜIDAÇÃO. INTIMAÇÃO DO DESPACHO QUE DEFERE PEDIDO DE VISTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. REAPRECIAÇÃO DE PROVAS. SÚMULA Nº 07/STJ. - Em tema de nulidade no processo civil, o princípio fundamental que norteia o sistema preconiza que para o reconhecimento da nulidade do ato processual é necessário que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos consequentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. - Se o Tribunal de origem, com os olhos nas informações prestadas pelo perito que refez os cálculos de liquidação, reconheceu a inexistência de qualquer prejuízo ao interesse do INSS pela ausência da publicação do despacho que deferiu o pedido de vista da conta, a análise da pretensão de que todos os autos do processo prescindem de intimação, sob pena de nulidade, requer a apreciação do quadro fático delineado na execução, o que é vedado em sede de especial. - Recurso especial não conhecido.(REsp 61.417/SP, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado em 08/06/1999, DJ 28/06/1999, p. 156) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR. ART. 544, § 4º, II, A, DO CPC. SUPERAÇÃO DE EVENTUAL NULIDADE, NO JULGAMENTO MONOCRÁTICO DO RECURSO, PELO RELATOR, PELO POSTERIOR JULGAMENTO COLEGIADO. PRECEDENTES DO STJ. ALEGADA NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM, PELA AFRONTA AO ART. 514 DO CPC.AUSÊNCIADEPREJUÍZO.NÃO DECLARAÇÃO DA NULIDADE, POR FORÇA DO PRINCÍPIO PAS DE NULLITÉ SANS GRIFE. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, DIANTE DO ACERVO PROBATÓRIO DOS AUTOS, CONCLUIU PELA LITISPENDÊNCIA ENTRE A AÇÃO ORDINÁRIA E O MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. .. . II. Na esteira da jurisprudência desta Corte, a declaração de nulidade dos atos judiciais, em consonância com o princípio pas de nullité sans grief, demanda a efetiva demonstração doprejuízosofrido pela parte. Nesse sentido: STJ, AgRg no AREsp 198.356/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, DJe de 10/12/2015; EDcl no AREsp 648.507/ES, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/11/2015; AgRg no REsp 1.431.148/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015. .. (AgRg no AREsp 175.189/MG, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2016, DJe 09/03/2016). No caso, o Tribunal a quo assim rechaçou oprejuízoà defesa(e-STJ fl. 135): A alegação de cerceamento de defesa da parte recorrente pela ausência de intimação para manifestação acerca dos cálculos judiciais não merece prosperar, pois não ficou comprovado nos autos quaisquer danos processuais à parte apelante, uma vez que esta não ficou impedida de manejar os recursos impugnativos cabíveis, ainda que em momento posterior à sentença. Como se sabe, não havendo prejuízo a qualquer das partes, ou para o interesse público, não se deve declarar a nulidade do feito. Em face das premissas fáticas assentadas no acórdão objurgado, a modificação do entendimento firmado pelas instâncias ordinárias demandaria, induvidosamente, o reexame de todo material cognitivo produzido nos autos, desiderato incompatível com a via especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se. Intimem-se.