AREsp 2614221 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o agravante não especificou o ponto do acórdão supostamente omisso, nem demonstrou, por precedentes atuais e análogos, que o acórdão recorrido estaria em desacordo com a jurisprudência do STJ ou que os precedentes invocados seriam inaplicáveis;...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Teto Previdenciário, Readequação Do Salário De Benefício, Prescrição Quinquenal, Honorários Advocatícios, Súmula 83/stj, Súmula 284/stf, Tema 544/stj, Art. 1.022 Do CPC
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 aplicação imediata dos tetos das Emendas Constitucionais n. 20/1998 e n. 41/2003
- 3 prescrição quinquenal das parcelas previdenciárias
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o agravante não especificou o ponto do acórdão supostamente omisso, nem demonstrou, por precedentes atuais e análogos, que o acórdão recorrido estaria em desacordo com a jurisprudência do STJ ou que os precedentes invocados seriam inaplicáveis; aplicou-se a Súmula 83/STJ para indeferir a admissão do recurso especial e fundamentou-se no art. 932 do CPC/2015 para decidir.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Com fundamento no art. 932 do CPC/2015, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Em atenção ao art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado e majorado, respeitados os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL de decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão proferido na Apelação Cível n. 1005142-30.2019.4.01.3300. Eis a ementa (fls. 461-487): PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUCIONAL. BENEFÍCIO LIMITADO AO TETO PREVISTO NO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA. READEQUAÇÃO DO SALÁRIO DE BENEFÍCIO. APLICAÇÃO IMEDIATA DO ART. 14 DA EC 20/98 E ART. 5º DA EC 41/2003. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL NO RE 564.354. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA 111 DO STJ. SENTENÇA MANTIDA. 1. Trata-se de ação ajuizada para fins de readequação do valor do benefício previdenciário, eventualmente alcançado, à época de sua concessão, pelo teto previsto no regime geral da previdência, pretendendo-se a atualização dos salários de contribuição ao tempo da concessão do benefício para alçar-se aos novos tetos limitadores estabelecidos pelas Emendas Constitucionais nºs 20/98 e 41/2003, preservando-se, dessa forma, o valor real da renda mensal obtida a título de aposentadoria. 2. Não há falar em caducidade, considerando que a presente ação não tem por objeto a revisão do cálculo da renda mensal inicial do benefício previdenciário, mas tão somente a readequação dos valores dela resultantes (RMI) aos novos tetos limitadores estabelecidos pelas Emendas Constitucionais ns. 20/98 e 41/2003. 3. Em se tratando de benefícios de natureza previdenciária, a prescrição alcança apenas as parcelas vencidas antes do quinquênio que precede ao ajuizamento da ação, nos termos da Súmula 85/STJ, bem como da jurisprudência firmada no âmbito desta Corte, não havendo discussão concernente a termo inicial de eventual ação civil pública, cuja possibilidade de interromper a prescrição, ou não, é matéria afetada pelo Superior Tribunal de Justiça ao regime de recursos repetitivos (Tema 1005). 4. A Reforma da Previdência Social, levada a efeito pela Emenda Constitucional n. 20/98, modificou o teto dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social elevando-o ao patamar de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais), conforme estabelecido em seu art. 14. Posteriormente, na segunda Reforma da Previdência Social, implementada pela Emenda Constitucional n. 41/2003, o referido teto sofreu nova majoração, para o valor de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), nos termos do seu art. 5º. 5. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 564.354 (relatora Ministra Carmem Lúcia - Julgado em 08/09/2010 - Dje de 14/02/2011), em repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que não ofende o ato jurídico perfeito a aplicação imediata do art. 14 da Emenda Constitucional n. 20/1998 e do art. 5º da Emenda Constitucional n. 41/2003 aos benefícios previdenciários limitados a teto do regime geral de previdência estabelecido antes da vigência dessas normas, de modo a que passem a observar o novo teto constitucional. 6. Considerando que no caso em apreço, de acordo com os documentos acostados aos autos, o salário de benefício da parte autora foi limitado ao teto, está correta a sentença que lhe assegurou o direito à revisão da renda mensal inicial de seu benefício, com a aplicação dos tetos estipulados pelas Emendas Constitucionais ns. 20/98 e 41/03, para apurar eventual resíduo ainda existente ao tempo das referidas emendas, com o respectivo pagamento das diferenças eventualmente devidas respeitada a prescrição quinquenal. 7. Assente-se, porém, que os benefícios previdenciários se reajustam pelos índices previstos em lei, de modo que a promulgação das emendas constitucionais que elevaram o teto dos benefícios não gera direito automático à elevação do benefício de prestação continuada, o que só ocorrerá se ainda houver resíduo a ser recuperado, por isso que (a) primeiro emite-se juízo declaratório de direito ao acertamento da relação jurídica, declarando o direito da parte autora ao reajustamento dos salários de contribuição, pelos índices legais; (b) depois, emite-se juízo condenatório, tanto que, apurando-se o valor do benefício ao tempo da promulgação da EC n. 20, e sendo esse valor de benefício igual ou superior a 1.200,00 (mil e duzentos reais), terá o segurado direito à elevação do valor do benefício, a partir daí apenas e até esse valor, que continuará a ser atualizado pelos índices legais, e, se adiante, ao tempo da promulgação da EC n. 41, ainda for o benefício inferior a R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), idêntico procedimento deverá ser adotado. 8. Correção monetária e juros moratórios, conforme Manual de Cálculos da Justiça Federal, observada quanto aos juros a Lei n. 11.960, de 2009, a partir da sua vigência. 9. Honorários advocatícios, de 10% da condenação, nos termos da Súmula n. 111 do STJ. 10. A sentença foi publicada na vigência do atual CPC (a partir de 18/03/2016, inclusive), devendo-se aplicar o disposto no art. 85, § 11, arbitrando-se honorários advocatícios recursais. 11. Apelação do INSS desprovida. Ao compulsar o acórdão, extraem-se estes excertos: Assim, considerando que no caso em apreço, de acordo com os documentos acostados aos autos, o salário de benefício da parte autora foi limitado ao teto, está correta a sentença que lhe assegurou o direito à revisão da renda mensal inicial de seu benefício, com a aplicação dos tetos estipulados pelas Emendas Constitucionais ns. 20/98 e 41/03, respeitada a prescrição quinquenal. .. Síntese Não se pode presumir que o valor do benefício da parte autora seria maior ao tempo da promulgação da Emenda Constitucional n. 20 e, muito menos, se ainda teria algo a ser complementado em razão da Emenda n. 41. Por essa razão, deve-se: a) primeiro, emitir juízo declaratório de direito ao acertamento da relação jurídica, declarando o direito da parte autora ao reajustamento dos salários de contribuição, pelos índices legais; b) depois, emitir juízo condenatório, tanto que, apurando-se o valor do benefício ao tempo da promulgação da EC n. 20, sendo esse valor de benefício igual ou superior a R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais), terá o segurado direito à elevação do valor do benefício, a partir daí apenas, e esse valor continuará a ser atualizado pelos índices legais, e, se adiante, ao tempo da promulgação da EC n. 41, ainda for o benefício inferior a R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), idêntico procedimento deverá ser adotado. No caso de haver resíduo a ser pago ao segurado, devem ser observadas as seguintes diretrizes: a: a prescrição, no caso, atinge as prestações anteriores a cinco anos da data em que deveriam ter sido pagas, conforme regra do parágrafo único do art. 103 da Lei 8.213/91, ficando consignado que valores eventualmente pagos administrativamente devem ser compensados, evitando-se, dessa forma, o enriquecimento ilícito da parte; b. os juros de mora e a correção monetária devem observar o contido no Manual de Cálculos da Justiça Federal, ressaltando que se aplica o INPC após a entrada em vigor da Lei n. 11.960/2009, tendo em vista a imprestabilidade da TR como índice de correção monetária de débitos judiciais, conforme fundamentos utilizados pelo STF no julgamento das ADI nº 493 e 4.357/DF, e ainda pelo STJ no julgamento do R Esp n. 1.270.439/PR, pelo rito do art. 543-C do CPC. Os embargos de declaração (fls. 497-511) não foram acolhidos (fls. 524-536). O recurso especial defendendo a omissão sobre "a distinção de cálculo da RMI entre os benefícios posteriores e anteriores a 1988 (que se submetiam a outro regime jurídico)"; a eventual decadência; o afastamento dos critérios de cálculo (Tema n. 544/STJ); o afastamento da possibilidade de alteração dos critérios de cálculo da renda mensal inicial do benefício não foi admitido na origem, por ausência de violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC; por estar em conformidade com julgados do STJ; e pela vedação da Súmula n. 284/STF. O INSS novamente alega nulidade nos embargos de declaração. Sustenta haver decadência em relação à "adequação da RM aos tetos". Aponta distinção entre o direito de revisão dos benefícios e o direito ao benefício previdenciário. Conclui pela pretensão de afastar a possibilidade de alteração dos critérios de cálculo da renda mensal inicial do benefício, e não dos critérios de evolução da Renda Mensal (limitação ao teto somente para fins de pagamento). Pede o afastamento da Súmula 284/STF. É o relatório. Decido. Satisfeitos os requisitos de admissibilidade do agravo, passo a analisar o recurso especial. Não obstante o recurso especial alegar violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, não especifica qual o ponto do acórdão recorrido em relação ao qual haveria omissão, contradição, obscuridade ou erro material, tampouco a relevância da análise dessas questões para o caso concreto. Portanto, o conhecimento desse capítulo recursal é obstado pela falta de delimitação da controvérsia, atraindo a aplicação da Súmula n. 284 do STF. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.311.559/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023; REsp n. 2.089.769/PB, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19/9/2023, DJe de 21/9/2023. De fato, o INSS não opôs recurso em relação à prescrição, de forma que a aplicação da Súmula n. 284/STF é insubsistente. A Corte a quo não admitiu o apelo nobre, pois o aresto atacado estaria em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior (Súmula n. 83/STJ). Entretanto, a parte agravante, nas razões do agravo em recurso especial, não cuidou de trazer nenhum julgado contemporâneo ao provimento judicial agravado e proferido em moldura fática análoga, de forma a atestar que o acórdão recorrido não estaria em harmonia com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Tampouco demonstrou que os precedentes apontados na decisão agravada seriam inaplicáveis à hipótese dos autos. Nessas condições, não se desobrigou do ônus de comprovar a incorreção do decisum que inadmitiu o apelo nobre. Na espécie, a parte agravante cingiu-se a sustentar a nulidade do acórdão dos embargos de declaração, a aplicação do Tema n. 544/STJ e a inaplicabilidade da Súmula n. 284/STF, por se tratar de tema inexistente no recurso especial. A adequada impugnação ao fundamento do juízo negativo de admissibilidade que aplicou a Súmula 83/STJ pressupõe demonstração por meio de precedentes atuais de que a jurisprudência do STJ não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes por meio de distinguishing, o que não ocorre na hipótese. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.168.637/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que "A Súmula 83 do STJ é de possível aplicação tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional" (AgInt no AREsp n. 1.900.711/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC/2015, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER d o recurso especial. Em atenção ao disposto no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado e majorado (fl. 486), respeitados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo . Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. TETO. LIMITAÇÃO DO BENEFÍCIO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 NÃO CONFIGURADA. SÚMULA N. 83/STJ. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.