REsp 2065107 - DECISAO
Não conheço do recurso especial, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, porque a controvérsia ventilada envolve interpretação de matéria constitucional (relevante à aplicação do teto e à metodologia de cálculo), competência do STF; subsidiariamente, o Tribunal de origem decidiu que o novo teto deve incidir...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: VALDIR AFONSO GUITEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do recurso especial
- Legal Topics
- Teto Previdenciário, Aposentadoria Proporcional, Coeficiente De Cálculo, Revisão De Benefício, Decadência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VALDIR AFONSO GUITEL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Momento de aplicação do teto previdenciário nas aposentadorias proporcionais (antes ou após a incidência do coeficiente)
- 2 Competência para exame de questões constitucionais em recurso especial
- 3 Incidência da decadência do art.103 da Lei 8.213/1991 sobre revisão por aplicação de novos tetos
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, porque a controvérsia ventilada envolve interpretação de matéria constitucional (relevante à aplicação do teto e à metodologia de cálculo), competência do STF; subsidiariamente, o Tribunal de origem decidiu que o novo teto deve incidir sobre o salário-de-benefício antes da aplicação do coeficiente em aposentadorias proporcionais para evitar conversão indevida em aposentadoria integral.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do recurso especial
Orders
- Sem arbitramento de honorários recursais, pois o recurso especial se origina de agravo de instrumento.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por VALDIR AFONSO GUITEL com respaldo nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (e-STJ fl. 51): PREVIDENCIÁRIO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. NOVO TETO ESTABELECIDO PELAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS Nº 20/1998 E 41/2003. APOSENTADORIA PROPORCIONAL. MOMENTO DA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE PROPORCIONALIDADE NO CÁLCULO DO BENEFÍCIO. 1. A diretriz assentada no julgamento do RE nº 564.354/SE pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que somente após a definição do valor do benefício é que deve ser aplicado o limitador (teto), tem aplicação apenas aos benefícios cujo coeficiente de cálculo corresponde a 100% do salário de benefício. 2. Logo, na revisão dos benefícios previdenciários calculados nas competências em que passaram a vigorar as Emendas Constitucionais 20/98 e 41/03 pela diferença nos percentuais de reajuste dados ao teto e aos benefícios previdenciários deve ser observada a incidência do respectivo coeficiente de cálculo - que representa a proporcionalidade da renda mensal do benefício - após a aplicação do teto vigente na competência do efetivo pagamento, e não antes, uma vez que é esta a única maneira de garantir que, mantido o procedimento de evolução da renda mensal determinado pelo Supremo Tribunal Federal, o benefício não tenha a sua proporcionalidade afetada pela recuperação dos valores glosados quando da incidência do limitador antes do efetivo pagamento. Em suas razões, a parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, vulneração dos arts. 29, 41 e 53 da Lei n. 8.213/1991, argumentando, em suma, que a readequação do benefício previdenciário aos novos tetos introduzidos pelas Emendas Constitucionais n. 20/98 e 41/03, deve-se dar com a aplicação do coeficiente, proporcionais, no salário de benefício sem limitação e, então, evoluí-lo, conforme o decidido pelo STF no RE n. 564.354/SE. Segundo defende, deve ser aplicado o coeficiente de 70% sobre seu salário-de-benefício, para aferição de sua RMI, na medida em que alcançou 30 anos de contribuição na data de sua aposentadoria, assim, o cálculo deve utilizar o salário-de-benefício em limitação ao teto previdenciário, multiplicado pelo coeficiente de teto e, a partir deste resultado, obtém-se o valor a evoluir para fins de pagamento conforme o decidido pelo STF. Afirmou também que "deve ser evoluído o salário de benefício através da média atualizada dos salários de contribuição, sem incidência do teto limitador, uma vez que este constitui elemento extrínseco ao cálculo, o que corresponde ao comando estampado na decisão do STF no RE 564.354, ou seja, a média corrigida dos salários de contribuição integrantes do período básico de cálculo, aplicando-se posteriormente ao salário de benefício o coeficiente de cálculo (70%)" (e-STJ fl. 69). Sem contrarrazões (e-STJ. fls. 78). Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 94/95. Passo a decidir. No que toca à vulneração dos arts. 29, 41 e 53 da Lei n. 8.213/1991, a Corte de origem decidiu a controvérsia acerca da adequação da renda mensal do benefício aos novos tetos instituídos pelas ECs n . 20/98 e 41/03 da seguinte forma, a saber (e-STJ fls. 55/56): A incidência do novo teto, todavia, se faz sobre o salário-de-benefício, que é a base de cálculo sobre a qual se aplica o coeficiente no caso da aposentadoria proporcional, e não sobre a renda mensal inicial. Isso é irrelevante no caso de aposentadorias integrais, com coeficiente de 100% do salário-de-benefício, mas ganha relevo no caso de aposentadorias proporcionais, como já antecipado. No caso dos autos, como o segurado é titular de aposentadoria proporcional calculada em 82% sobre o valor do salário de benefício, o procedimento correto para a execução do julgado é a aplicação, sobre o salário-de-benefício obtido a partir da média dos salários-de-contribuição, dos novos tetos nas datas das emendas constitucionais, e, no momento imediatamente seguinte, a aplicação do percentual de 82% sobre o resultado. Entendimento diverso, a propósito, conduziria à concessão, em muitos casos, de aposentadoria integral a determinados segurados, mesmo que não atingidos 35 anos de tempo de serviço/contribuição. Isso porque, a se entender que o limitador constitui elemento externo ao cálculo da RMI, devendo ser aplicado somente após a incidência do coeficiente, já no cálculo original da RMI isso deveria ser observado. Ora, salários-de-contribuição que atualizados atingem valores superiores ao teto obviamente vão conduzir a média aritmética superior ao teto. No caso de uma média aritmética de salários-de-contribuição equivalente a 125% do teto, por exemplo, uma aposentadoria proporcional com coeficiente de 80% do salário-de-benefício conduziria a uma renda equivalente a 100% do teto caso aplicado o limitador apenas após a aplicação do coeficiente de cálculo. Tratando-se o teto de limitador do salário-de-benefício, deve, portanto, ser aplicado antes da incidência do coeficiente de cálculo da renda mensal inicial. E se isso vale para a apuração da renda mensal inicial, também deve valer para a apuração dos reflexos da elevação do teto nos reajustes posteriores, pois não pode uma aposentadoria proporcional ser convertida, após a concessão, em aposentadoria integral. O recorrente, contudo, pretende a reforma do acórdão baseando-se no que alega ter sido decidido pelo STF no RE 564.354/SE, em sede de repercussão geral, no sentido de que o percentual de proporcionalidade do benefício deve ser aplicado antes do teto vigente à época da concessão do benefício, desiderato a que não se presta o apelo nobre. Cumpre salientar que o recurso especial não é remédio processual adequado para conhecer de irresignação fundada em suposta afronta a preceito ou interpretação de decisão constitucional, sendo essa atribuição da Suprema Corte, em sede de recurso extraordinário (art. 102, III, da CF). Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. APLICAÇÃO DOS TETOS DAS EC 20/1998 E 41/2003. DECADÊNCIA. ART. 103, CAPUT, DA LEI 8.213/1991. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Trata-se de Recurso Especial questionando a aplicação dos tetos previstos nas Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2003 a benefícios concedidos anteriormente à vigência de tais normas. 2. O escopo do prazo decadencial da Lei 8.213/1991 é o ato de concessão do benefício previdenciário, que pode resultar em deferimento ou indeferimento da prestação previdenciária almejada, consoante se denota dos termos iniciais de contagem do prazo constantes no art. 103, caput, da Lei 8.213/1991. 3. Por ato de concessão deve-se entender toda manifestação exarada pela autarquia previdenciária sobre o pedido administrativo de benefício previdenciário e as circunstâncias fático-jurídicas envolvidas no ato, como as relativas aos requisitos e aos critérios de cálculo do benefício, do que pode resultar o deferimento ou indeferimento do pleito. 4. A pretensão veiculada na presente ação consiste na revisão das prestações mensais pagas após a concessão do benefício para fazer incidir os novos tetos dos salários de benefício, e não do ato administrativo que analisou o pedido da prestação previdenciária. 5. Por conseguinte, não incide a decadência prevista no art. 103, caput, da Lei 8.213/1991 nas pretensões de aplicação dos tetos das Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2003 a benefícios previdenciários concedidos antes dos citados marcos legais, pois consubstanciam mera revisão das prestações mensais supervenientes ao ato de concessão. 6. Da leitura do voto condutor do acórdão recorrido, vê-se que a solução da controvérsia, no sentido de conceder a revisão do benefício previdenciário da parte autora, observando os valores dos tetos estabelecidos nas Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2003, foi dirimida pelo Tribunal de origem sob enfoque exclusivamente constitucional, competindo ao Supremo Tribunal Federal eventual reforma do acórdão recorrido, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da Constituição Federal. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência no sentido de que "não cabe a esta Corte, em recurso especial, o exame de matéria constitucional, cuja competência é reservada ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, inciso III, da Carta Magna" (STJ, AgRg no AREsp 470.765/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 31/03/2014). 7. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.656.894/ES, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 20/06/2017). Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Sem arbitramento de honorários recursais, pois o recurso especial se origina de agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA