HC 649719 - DECISAO
Houve ilegalidade no afastamento do tráfico privilegiado pelo Tribunal de origem, uma vez que não se pode considerar inquéritos ou ações penais em curso como maus antecedentes e a consideração da quantidade da droga para afastar o §4º do art.33 somente seria possível se conjugada com outras circunstâncias que demonstrem dedicação ao tráfico; por isso reconheceu-se o direito do paciente à consideração da causa de diminuição prevista no §4º do art.33 da Lei 11.343/2006 e determinou-se a readequação da dosimetria pelo juízo de primeiro grau, com motivação e análise da possibilidade de conversão em pena restritiva de direitos e do regime inicial.
- Parties
- Paciente: WILSON DE SOUSA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Concessão Da Ordem De Ofício
- Outcome
- Não conhecido o habeas corpus, mas concedida a ordem de ofício para reconhecer o direito do paciente à consideração do §4º do art.33 da Lei 11.343/2006 na dosimetria da pena.
- Legal Topics
- Tráfico De Drogas, Dosimetria Da Pena, Tráfico Privilegiado, Presunção De Não Culpabilidade, Bis in Idem, Modulação Da Fração De Diminuição De Pena
Case Brief
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Parties
WILSON DE SOUSA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Concessão Da Ordem De Ofício
Legal Issues
- 1 Aplicação do §4º do art. 33 da Lei 11.343/2006 (tráfico privilegiado)
- 2 Valoração de inquéritos e ações penais em curso como antecedentes
- 3 Utilização da natureza e quantidade da droga em diferentes fases da dosimetria (bis in idem)
Ratio Decidendi
Houve ilegalidade no afastamento do tráfico privilegiado pelo Tribunal de origem, uma vez que não se pode considerar inquéritos ou ações penais em curso como maus antecedentes e a consideração da quantidade da droga para afastar o §4º do art.33 somente seria possível se conjugada com outras circunstâncias que demonstrem dedicação ao tráfico; por isso reconheceu-se o direito do paciente à consideração da causa de diminuição prevista no §4º do art.33 da Lei 11.343/2006 e determinou-se a readequação da dosimetria pelo juízo de primeiro grau, com motivação e análise da possibilidade de conversão em pena restritiva de direitos e do regime inicial.
Court Disposition
Não conhecido o habeas corpus, mas concedida a ordem de ofício para reconhecer o direito do paciente à consideração do §4º do art.33 da Lei 11.343/2006 na dosimetria da pena.
Orders
- Determino ao Juízo de primeiro grau que refaça a dosimetria da pena de acordo com as premissas indicadas, analisando também, com a devida motivação, a possibilidade de conversão da pena em restritiva de direitos e o regime inicial adequado à nova pena fixada.
- Comunique-se com urgência ao Juízo de primeira instância e ao Tribunal de origem para que adotem as providências necessárias.
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