HC 903674 - DECISAO
O habeas corpus foi considerado inadequado como substitutivo de recurso ou revisão criminal; inexistindo flagrante ilegalidade nos autos (ainda que analisado de ofício) e havendo reincidência, mostrou-se adequado o regime inicial mais gravoso, razão pela qual o pedido não foi conhecido e a ordem não foi concedida.
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- Parties
- Parte Que Impetrou: defesa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Denegatória/decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Não conhecimento do habeas corpus substitutivo; na análise de ofício, ordem não concedida por ausência de flagrante ilegalidade.
- Legal Topics
- Tráfico De Drogas (art. 33, Lei 11.343/06), Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Admissibilidade Do Habeas Corpus, Constrangimento Ilegal, Reincidência
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Parties
defesa
Parte Que Impetrou
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Denegatória/decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substitutivo de recurso ou revisão criminal
- 2 necessidade de flagrante ilegalidade para concessão de ofício
- 3 fixação do regime inicial de cumprimento da pena diante da reincidência
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi considerado inadequado como substitutivo de recurso ou revisão criminal; inexistindo flagrante ilegalidade nos autos (ainda que analisado de ofício) e havendo reincidência, mostrou-se adequado o regime inicial mais gravoso, razão pela qual o pedido não foi conhecido e a ordem não foi concedida.
Court Disposition
Não conhecimento do habeas corpus substitutivo; na análise de ofício, ordem não concedida por ausência de flagrante ilegalidade.
Orders
- Não conheço do habeas corpus substitutivo.
- Na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão assim ementado (e-STJ fl. 8): "APELAÇÃO. TRÁFICO DE DROGAS (ARTIGO 33, CAPUT, DA LEI 11343/06). Absolvição. Insuficiência probatória. Impossibilidade. Provas seguras de autoria e materialidade. Palavras coerentes e seguras das testemunhas Validade. Responsabilização inevitável. Legalidade e compatibilidade evidenciadas. Conjunto probatório seguro e coeso. Traficância caracterizada. Pena e Regime fixado dentro dos limites legais e de forma fundamentada. Recurso não provido." Imputa-se ao paciente a suposta prática do crime de previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06 (e-STJ fl. 8). A defesa alega, em síntese: a) A ocorrência de constrangimento ilegal, tendo em vista que o regime inicial de cumprimento da penal foi imposto com fundamentação inidônea; b) Ressalta que a quantidade de droga apreendida é pequena, sendo 9,9 gramas de cocaína 4,8 gramas de crack. Ao final, requer a concessão da ordem para que seja afastado o regime prisional fechado, e que seja concedido o regime semiaberto, nos termos do art. 33, § 2º, alínea "b" do CP e Súmulas nºs. 718, 719 do e. STF e 440 do c. STJ (e-STJ fl. 5). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). "A Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça restringe a admissibilidade do habeas corpus quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem de ofício (HC nº 535.063/SP)". (AgRg no HC n. 741.874/SP, sob a minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação trazida a esta instância, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. De fato, há de se relembrar, quanto ao tema, que "(..) Em relação ao regime inicial de cumprimento de pena, certo é que, desde o julgamento do HC n. 111.840/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 17/12/2013, pelo STF, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei n. 8.072/90, com redação dada pela Lei n. 11.464/07, o Tribunal da Cidadania firmou entendimento de que o julgador deve observar o disposto no art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, quando da fixação do regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade, independentemente de o crime ser hediondo ou equiparado. (..)" (AgRg no HC 839735 / SP, RELATOR Ministro MESSOD AZULAY NETO, QUINTA TURMA, DATA DO JULGAMENTO 05/12/2023, DATA DA PUBLICAÇÃO/FONTE DJe 11/12/2023) No caso concreto, presente reincidência, encontra-se adequado o estabelecimento do regime inicial mais gravoso. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA