HC 944989 - DECISAO
O pedido não foi conhecido porque a matéria não fora examinada pelo tribunal de origem e aplica-se a Súmula 691/STF, que impede a análise de habeas corpus contra indeferimento de liminar por relator em tribunal superior salvo flagrante ilegalidade; inexistindo ilegalidade manifesta ou teratologia nas decisões de...
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- Parties
- Paciente: GABRIEL CAMPOS DE MELO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática No Stj)
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Tráfico De Drogas (art. 33 Da Lei 11.343/2006), Habeas Corpus, Súmula 691/stf, Prisão Preventiva, Nulidade Do Flagrante, Medidas Cautelares Alternativas (art. 319 Do Cpp)
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Parties
GABRIEL CAMPOS DE MELO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática No Stj)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar em instância de origem
- 2 existência de flagrante ilegalidade que autorizaria exceção à Súmula 691/STF
- 3 fundamentação da decisão de custódia cautelar
Ratio Decidendi
O pedido não foi conhecido porque a matéria não fora examinada pelo tribunal de origem e aplica-se a Súmula 691/STF, que impede a análise de habeas corpus contra indeferimento de liminar por relator em tribunal superior salvo flagrante ilegalidade; inexistindo ilegalidade manifesta ou teratologia nas decisões de origem e estando a custódia preventiva plausivelmente fundamentada pela apreensão de grande quantidade de droga e indícios de atuação profissional, indeferiu-se a liminar.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de GABRIEL CAMPOS DE MELO em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 2230643-83.2024.8.26.0000. Consta dos autos a prisão em flagrante do paciente, posteriormente converti da em custódia preventiva, decorrente de suposta prática do delito capitulado no art. 33 da Lei 11.343/2006, termos em que denunciado. Em suas razões, sustentam os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal, devido à nulidade da decisão que indeferiu a liminar , em razão da ausência de fundamentação. Aduzem a nulidade do flagrante em razão da violação de domicílio realizada sem fundadas razões e sem autorização judicial, sendo ilícitas as provas dela derivadas. Alegam que a segregação processual do paciente se encontra despida de fundamentação idônea e se revelam adequadas e suficientes as medidas cautelares alternativas positivadas no art. 319 do CPP. Requerem, assim, liminarmente e no mérito, o trancamento da Ação Penal, bem como o relaxamento da prisão cautelar ou sua revogação, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a segregação cautelar foi decretada com base na seguinte motivação, adotada na origem (fl. 44 ): Com efeito, a custódia é recomendável para a garantia da ordem pública. Os fatos denotam a apreensão de grande quantidade de entorpecentes, o que corrobora com a destinação ilícita das substâncias. Deve-se sopesar, ainda, que, a despeito da primariedade dos autuados (fls. 61, 65 e 68), os policiais militares informaram que Welington exercia importante papel no tráfico de drogas na cidade de Barretos, o que é corroborado pela grande quantidade de entorpecentes apreendida, ao passo que Juliana e Gabriel atuavam com ele em conjunto, para armazenar e esconder as substâncias. Ademais, verifica-se que a droga estava escondida em diversos pontos da cidade e, em cada local, escondida em um ponto diferente, o que, certamente, demonstra o nível de profissionalidade dos autuados na prática do delito, sobreleva a reprovabilidade da conduta e demonstra a necessidade da segregação cautelar dos indiciados para garantia da ordem pública, uma vez que o estado de liberdade deles coloca em risco todo o tecido social. Quanto ao mais, trata-se de matérias sensíveis e que demandam maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do Habeas Corpus impetrado no Tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA