HC 966140 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a via eleita é inadequada para reexaminar matéria fático-probatória; as instâncias ordinárias registraram elementos concretos que evidenciam dedicação do paciente a atividades criminosas (balanças, material de fracionamento, anotações, elevada quantidade de drogas), justificando o...
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- Parties
- Paciente: GABRIEL DA SILVA SANTOS; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento (decisão Final)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Tráfico De Drogas Privilegiado (art. 33, § 4º, Lei 11.343/2006), Dosimetria Da Pena, Reexame De Provas, Súmula 7/stj
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Parties
GABRIEL DA SILVA SANTOS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento (decisão Final)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do redutor do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 ao paciente
- 2 Adequação do habeas corpus como via para reexame de matéria fático-probatória
- 3 Existência de constrangimento ilegal na dosimetria da pena
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a via eleita é inadequada para reexaminar matéria fático-probatória; as instâncias ordinárias registraram elementos concretos que evidenciam dedicação do paciente a atividades criminosas (balanças, material de fracionamento, anotações, elevada quantidade de drogas), justificando o afastamento do redutor do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006, e não há ilegalidade a ser sanada de ofício.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Liminar indeferida
- Não conhecer do habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de GABRIEL DA SILVA SANTOS, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS prolatado no julgamento da Apelação Criminal n. 1.0000.23.054193-0/001. Extrai-se dos autos que o Juízo da Vara Criminal da Comarca de Pará de Minas/MG julgou procedente ação penal para condenar o paciente ao cumprimento de 5 anos de reclusão, em regime semiaberto, mais multa, pela prática do crime de tráfico de drogas (art. 33 da Lei n. 11.343/2006). Irresignada, a defesa interpôs apelação que foi desprovida pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, nos termos do acórdão que restou assim ementado: "APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DOSIMETRIA. MINORANTE DO ARTIGO 33, § 4º, DA LEI Nº 11.343/06. REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. DESCABIMENTO. 1. O acusado que se dedica a atividades criminosas não faz jus à incidência da minorante prevista no artigo 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06. 2. Ausentes os requisitos do artigo 28-A do Código de Processo Penal, não há que se falar em cabimento do acordo de não persecução penal, até porque compete unicamente ao Ministério Público deliberar sobre a propositura." (fl. 8) Neste writ, a defesa sustenta que o paciente faz jus ao reconhecimento da causa especial de diminuição de pena do tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/06. Realça não se justificar o afastamento da benesse com base em inquéritos policiais ou ações penais em curso e enfatiza que a quantidade de entorpecentes apreendida, isoladamente, não ampara o desacolhimento da minorante. Aduz que o acórdão contestado agregou fundamento em desfavor do apelante para rejeitar o tráfico privilegiado. Invoca a aplicabilidade da decisão proferida no Habeas Corpus n. 826.730/MG, sob pena de violação ao inciso VI, § 2º, do art. 315 do Código de Processo Penal - CPP. Requer, em liminar e no mérito, a concessão da ordem para reconhecer o tráfico privilegiado e redimensionar a pena. Liminar indeferida às fls. 44/45. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento da impetração, conforme parecer de fls. 52/57. É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de meio próprio de impugnação, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do próprio Superior Tribunal de Justiça. Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável o processamento do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Como cediço, o parágrafo 4º do art. 33 da Lei de Drogas disciplina a incidência de causa especial de redução da pena, hipótese denominada pela doutrina como "tráfico de drogas privilegiado". O dispositivo contém a seguinte redação: "Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa." Sendo assim, para que o réu possa ter o benefício da diminuição, deverá cumprir, cumulativamente, 4 requisitos, quais sejam: (a) ser primário; (b) possuir bons antecedentes; (c) não se dedicar às atividades criminosas; (d) não integrar organização criminosa. Os dois pressupostos iniciais são de avaliação estritamente objetiva, basta verificar a certidão de antecedentes criminais do agente para chegar à conclusão se ele preenche ou não esses requisitos. Quanto às duas últimas condições, a análise envolve apreciação subjetiva do magistrado processante, a partir dos elementos de convicção existentes nos autos, para aferir se o apenado se dedicava às atividades criminosas ou integrava organização criminosa. No caso em análise, as instâncias ordinárias afirmaram a dedicação do paciente à atividade criminosa a partir de circunstâncias concretas evidenciadas nos autos. No ponto, destacou-se a apreensão de balanças de precisão, equipamentos para fracionamento das drogas, anotações referentes à divisão territorial do controle do tráfico de drogas com outro traficante preso, além do fato do flagrante ter se dado em cumprimento de medida de busca e apreensão no local em razão do grande fluxo de pessoas envolvidas com a traficância (fls. 11/12). Cabe destacar que a ref orma das conclusões a que chegaram as instâncias ordinárias constitui matéria que refoge ao restrito escopo do habeas corpus, porquanto demanda percuciente reexame de fatos e provas, inviável no rito eleito. DIREITO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. CONSIDERÁVEL QUANTIDADE DE DROGAS. MINORANTE DO ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006. IMPOSSIBILIDADE. CIRCUNSTÂNCIAS CONCRETAS EVIDENCIAM DEDICAÇÃO A ATIVIDADES CRIMINOSAS. REVOLVIMENTO PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 7 E 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial com base na Súmula n. 83/STJ. O agravante foi condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, no regime semiaberto, nos termos do art. 33, caput, c/c o art. 40, IV, ambos da Lei n. 11.343/2006. 2. No recurso especial, o agravante requereu a redução da pena-base e o reconhecimento do tráfico privilegiado. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se a decisão que afastou a aplicação do redutor do tráfico privilegiado e fixou a pena-base acima do mínimo legal está em consonância com a jurisprudência do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. A jurisprudência do STJ permite considerar a quantidade e natureza das drogas na dosimetria da pena, desde que não haja bis in idem. 5. Não há falar-se em inidoneidade no acréscimo da basilar diante da quantidade expressiva de drogas apreendidas (509,470g de maconha e 672,315g de cocaína). 6. A decisão agravada considerou, além da elevada quantidade e nocividade das drogas, a posse de arma e balança de precisão como justificativas para afastar o redutor do tráfico privilegiado, pois evidenciada a dedicação a atividades ilícitas. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (AREsp n. 2.576.793/PE, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJe de 31/12/2024.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO. BENEFÍCIO DO TRÁFICO PRIVILEGIADO. INCIDÊNCIA. REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Para aplicação da causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, o condenado deve preencher, cumulativamente, todos os requisitos legais, quais sejam, ser primário, de bons antecedentes, não se dedicar a atividades criminosas, nem integrar organização criminosa, podendo a reprimenda ser reduzida de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços), a depender das circunstâncias do caso concreto. 2. No presente caso, verifica-se que os fundamentos utilizados pela Corte de origem para não aplicar o referido redutor ao caso concreto estão em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal, na medida em que dizem respeito à dedicação da agravante à atividade criminosa (tráfico de drogas), tendo em vista que foram apreendidos no mesmo contexto em que arrecadada a elevada quantidade de droga (1.125g de cocaína), de natureza altamente deletéria, 3 balanças de precisão, 1 caderno com anotações relacionadas ao tráfico de drogas e a quantia de R$ 3.363,00, situação que corrobora a conclusão de que se dedicava às atividades ilícitas, o que justifica o afastamento da redutora do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. Assim, para se acolher a tese de que ela não se dedica a atividade criminosa, para fazer incidir o art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, como requer a parte recorrente, imprescindível o reexame das provas, procedimento sabidamente inviável na instância especial. Inafastável a incidência da Súmula n. 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.753.433/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJe de 23/12/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. APLICAÇÃO DO REDUTOR PREVISTO NO § 4º DO ART. 33 DA LEI N. 11.343/2006. IMPOSSIBILIDADE. DEDICAÇÃO ÀS ATIVIDADES CRIMINOSAS. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. VIA ELEITA INADEQUADA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A decisão agravada não conheceu do habeas corpus substitutivo de recurso próprio e deixou de conceder a ordem de ofício por não identificar ilegalidade na dosimetria da pena. As instâncias ordinárias afastaram a incidência do redutor previsto no art. 33, § 4º, da Lei n. 1.343/06 em face das circunstâncias concretas extraídas da instrução processual evidenciarem a dedicação do paciente às atividades criminosas, destacando-se o transporte interestadual de grande quantidade de substância entorpecente, a apreensão de cadernos com anotações do tráfico, balança de precisão e embalagens utilizadas no fracionamento e difusão ilícita da droga, além dos dados obtidos da quebra de sigilo telefônico dos envolvidos. 2. A via eleita, marcada por cognição sumária e rito célere é inadequada para infirmar a conclusão adotada na origem. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 925.428/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 11/12/2024, DJe de 16/12/2024.) Ausente, portanto, qualquer constrangimento ilegal que justifique a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA