AREsp 3192768 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou especificamente e de forma pormenorizada os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, notadamente a ausência do indispensável cotejo analítico entre as circunstâncias fáticas do caso e dos precedentes invocados,...
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- Parties
- Agravante: JOSENILDO DE ALMEIDA DO NASCIMENTO FILHO; Recorrido (tribunal De Origem): TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ; Apelante (na Apelação): MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão Do Agravo)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Tráfico De Drogas Privilegiado (art. 33, §4º, Lei 11.343/2006), Inadmissibilidade De Recurso Especial Por Ausência De Demonstração Analítica De Divergência Jurisprudencial, Súmula N. 123 STJ, Requisitos De Admissibilidade Do Recurso Especial (art. 105, III, Al. C, Cf)
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Parties
JOSENILDO DE ALMEIDA DO NASCIMENTO FILHO
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Recorrido (tribunal De Origem)
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ
Apelante (na Apelação)
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão Do Agravo)
Legal Issues
- 1 Se houve demonstração analítica de divergência jurisprudencial exigida para admissibilidade do recurso especial
- 2 Se a decisão do Tribunal de origem que inadmitiu o recurso especial foi genérica ou padronizada em afronta à Súmula n. 123/STJ
- 3 Aplicação do benefício do tráfico privilegiado (art. 33, §4º, Lei 11.343/2006) e sua suficiência fática no caso concreto
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou especificamente e de forma pormenorizada os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, notadamente a ausência do indispensável cotejo analítico entre as circunstâncias fáticas do caso e dos precedentes invocados, circunstância que legitima a manutenção da inadmissão conforme arts. 1.029, §1º do CPC, 255 do RISTJ e Súmula n. 123/STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOSENILDO DE ALMEIDA DO NASCIMENTO FILHO contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ que inadmitiu o recurso especial. Consta dos autos que o agravante foi condenado, em primeiro grau, pela prática do crime previsto no art. 33, caput, c/c art. 40, inciso V, da Lei nº 11.343/2006. O juízo singular reconheceu a causa de diminuição do art. 33, §4º, da mesma Lei, fixando pena de 1 ano, 8 meses e 28 dias de reclusão em regime aberto, substituída por penas restritivas de direitos, e 173 dias-multa. O Ministério Público estadual interpôs recurso de apelação. O TJPR deu-lhe provimento para afastar o tráfico privilegiado e reconhecer a causa de aumento referente ao tráfico interestadual (art. 40, inciso V, da Lei 11.343/06), redimensionando a pena definitiva para 6 anos e 27 dias de reclusão em regime semiaberto e 606 dias-multa. Inconformada, a defesa interpôs recurso especial com fundamento no art. 105, III, c, da Constituição Federal, alegando dissídio jurisprudencial quanto à aplicação da minorante do tráfico privilegiado, sustentando que o Tribunal de origem teria contrariado entendimento desta Corte ao afastar o benefício com base exclusivamente na quantidade de droga apreendida e no modus operandi do transporte, sem outros elementos probatórios que demonstrassem de forma concreta a dedicação do agente à atividade criminosa. O TJPR inadmitiu o recurso especial ao fundamento de que a divergência jurisprudencial não foi demonstrada na forma exigida pelos arts. 1.029, §1º, do CPC e 255 do RISTJ, porquanto o recorrente teria se limitado à transcrição de ementas sem realizar o necessário cotejo analítico entre os casos confrontados (fls. 575-576). A defesa interpôs o presente agravo, sustentando, em síntese, que: (i) a decisão de inadmissão é genérica e padronizada, ofendendo a Súmula n. 123, STJ; (ii) o recurso especial não se limitou à transcrição de ementas, tendo evidenciado de forma pormenorizada a similitude fática entre o caso concreto e os acórdãos paradigmas; e (iii) o agravante preenche os quatro requisitos legais do art. 33, §4º, da Lei 11.343/06, sendo réu primário, de bons antecedentes, sem dedicação a atividades criminosas e sem integração a organização criminosa (fls. 587-598). O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do agravo (fls. 633-635). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. O recurso especial foi interposto exclusivamente com fundamento na alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, ou seja, pela via da divergência jurisprudencial. Para que essa modalidade de recurso seja admissível, não basta a mera afirmação de que outros Tribunais decidiram de forma diferente: é imprescindível a demonstração analítica da divergência que efetivamente revelem a divergência de interpretação, bem como a indicação precisa das circunstâncias fáticas que identificam ou assemelham os casos em confronto. No caso em exame, a análise das razões do recurso especial, cotejadas com os paradigmas invocados, revela que a defesa, conquanto tenha transcrito trechos de ementas de acórdãos desta Corte notadamente o REsp 2.049.263/MG (Rel. Min. Daniela Teixeira, 5ª Turma, DJEN 25/02/2025), o AgRg no AREsp 2.364.756/RS (Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 5ª Turma, DJe 22/03/2024) e o HC 927.121/SP (Rel. Min. Daniela Teixeira, 5ª Turma, DJe 09/12/2024) , não procedeu ao indispensável cotejo analítico entre as circunstâncias fáticas de cada um desses precedentes e as circunstâncias do caso concreto. Ao contrário do que sustenta o agravante, a decisão do TJPR não é genérica nem padronizada: ela identificou com precisão o vício do recurso especial a ausência de cotejo analítico e citou jurisprudência específica desta Corte sobre o requisito, o que satisfaz plenamente o comando da Súmula n. 123, STJ, segundo a qual "a decisão que admite, ou não, o recurso especial deve ser fundamentada, com o exame dos seus press upostos gerais e constitucionais". Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. 1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). 2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. .. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA