HC 642558 - DECISAO

HC 642558 - DECISAO

O Tribunal concluiu que, em observância ao princípio da não culpabilidade e à jurisprudência do STF, inquéritos e ações penais em curso não podem ser considerados maus antecedentes aptos a afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006; como o Tribunal de origem afastou o redutor unicamente com base em processo em curso, houve flagrante constrangimento legal, o que autorizou a atuação ex officio com fundamento no art. 654, §2º do CPP para reconhecer o direito do paciente à aplicação do redutor na terceira fase da dosimetria, determinando o refeito da dosimetria e a modulação motivada da fração a ser aplicada pelo juiz de primeira instância.

Parties
Paciente: BRUNO SOUSA DAMASCENO; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios; Manifestante: Ministério Público Federal
Court
Superior Tribunal de Justiça
Jurisdiction
Brazil
Judgment Date
27 October 2021
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão (ordem Concedida)
Outcome
Ordem concedida (reconhecido o direito à aplicação da causa de diminuição do art.33, §4º, da Lei 11.343/2006); habeas corpus não conhecido quanto ao procedimento, mas concedida a ordem de ofício
Legal Topics
Tráfico Privilegiado, Dosimetria Da Pena, Antecedentes Criminais, Habeas Corpus, Princípio Da Presunção De Não Culpabilidade

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Parties

BRUNO SOUSA DAMASCENO

Paciente

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios

Autoridade Coatora

Ministério Público Federal

Manifestante

Procedural Posture

Habeas Corpus / Decisão (ordem Concedida)

  1. 1 Aplicabilidade do art.33, §4º, da Lei 11.343/2006 (tráfico privilegiado) diante de inquéritos ou ações penais em curso
  2. 2 Possibilidade de revisão ex officio da dosimetria pelo STJ com fundamento no art. 654, §2º do CPP
  3. 3 Se inquéritos e ações penais em curso constituem maus antecedentes para afastar reduções legais

Ratio Decidendi

O Tribunal concluiu que, em observância ao princípio da não culpabilidade e à jurisprudência do STF, inquéritos e ações penais em curso não podem ser considerados maus antecedentes aptos a afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006; como o Tribunal de origem afastou o redutor unicamente com base em processo em curso, houve flagrante constrangimento legal, o que autorizou a atuação ex officio com fundamento no art. 654, §2º do CPP para reconhecer o direito do paciente à aplicação do redutor na terceira fase da dosimetria, determinando o refeito da dosimetria e a modulação motivada da fração a ser aplicada pelo juiz de primeira instância.

Court Disposition

Ordem concedida (reconhecido o direito à aplicação da causa de diminuição do art.33, §4º, da Lei 11.343/2006); habeas corpus não conhecido quanto ao procedimento, mas concedida a ordem de ofício

Orders

  • Reconhecer ao paciente o direito à aplicação da causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006 na terceira fase da dosimetria, com modulação motivada da fração pelo julgador
  • Determinar ao Juízo de primeiro grau que refaça a dosimetria da pena de acordo com as premissas indicadas, analisando, com motivação, a possibilidade de conversão da pena em restritiva de direitos e o regime inicial adequado à nova pena fixada