HC 628905 - DECISAO
A Corte, alinhada ao entendimento do STF, concluiu que anotações de CAC relativas a inquéritos ou ações penais pendentes não são idôneas para afastar a redução do art. 33, §4º da Lei de Drogas por violação à presunção de não culpabilidade; por isso, concedeu-se a minorante de 2/3 e procedeu-se ao redimensionamento...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Interposto Contra Decisão Denegatória; Reconsideração Da Decisão Concedendo a Ordem
- Outcome
- Decisão reconsiderada para conceder a ordem e reconhecer a minorante do tráfico privilegiado, fixando pena de 2 anos e 15 dias de reclusão, em regime semiaberto, e 204 dias-multa, com substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
- Legal Topics
- Tráfico Privilegiado, Art. 33, §4º, Lei 11.343/2006, Presunção De Não Culpabilidade, Agravo Regimental, Substituição De Pena Privativa Por Restritiva De Direitos
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Procedural Posture
Agravo Regimental / Interposto Contra Decisão Denegatória; Reconsideração Da Decisão Concedendo a Ordem
Legal Issues
- 1 Pode-se afastar a minorante do art. 33, §4º da Lei 11.343/2006 com base em anotações do CAC que indiquem ações penais em andamento?
- 2 Se inquéritos policiais ou ações penais sem trânsito em julgado são fundamento idôneo para afastar a redução prevista no §4º do art. 33 da Lei de Drogas.
Ratio Decidendi
A Corte, alinhada ao entendimento do STF, concluiu que anotações de CAC relativas a inquéritos ou ações penais pendentes não são idôneas para afastar a redução do art. 33, §4º da Lei de Drogas por violação à presunção de não culpabilidade; por isso, concedeu-se a minorante de 2/3 e procedeu-se ao redimensionamento da pena, mantendo-se o regime semiaberto e determinando a substituição da pena privativa por restritiva de direitos.
Court Disposition
Decisão reconsiderada para conceder a ordem e reconhecer a minorante do tráfico privilegiado, fixando pena de 2 anos e 15 dias de reclusão, em regime semiaberto, e 204 dias-multa, com substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Orders
- Reconsiderar a decisão e conceder a ordem reconhecendo a minorante do art. 33, §4º, da Lei 11.343/2006 na fração de 2/3
- Fixar a pena em 2 anos e 15 dias de reclusão, em regime semiaberto, e 204 dias-multa
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão que denegou a ordem. Sustenta a agravante que "o redutor previsto no artigo 33, §4º, da Lei 11.343/06 foi afastado com fundamento exclusivo nas anotações do CAC de JÚLIO CESAR que, supostamente, demonstraria a dedicação às atividades criminosas" (fl. 468). Nesse contexto, requer a reconsideração da decisão ou sua submissão à Sexta Turma para julgamento. O paciente foi condenado à pena de 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime fechado, e 641 dias-multa, como incurso no art. 33, caput, da Lei 11.343/2006. Interposta apelação, foi parcialmente provida para redimensionar a reprimenda para 6 anos e 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime semiaberto. A minorante do tráfico privilegiado foi indeferida pelos seguintes fundamentos (fl. 440): Em fase subsequente, após análise detida do processado, entende-se não ter lugar a aplicação da minorante prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06, patenteada a dedicação do recorrente a atividades criminosas, extraindo-se da CAC de fl. 44 registro de ação penal em andamento relativa aos delitos previstos nos arts. 157, §2º, I e II do CP e art. 16, IV, da Lei 10826/03. Com razão a agravante. A Sexta Turma desta Corte, alinhando-se ao Supremo Tribunal Federal, passou a adotar a orientação de que "inquéritos policiais e/ou ações penais ainda sem a certificação do trânsito em julgado não constituem fundamento idôneo a justificar o afastamento do redutor descrito no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas, em observância ao princípio constitucional da presunção de não culpabilidade" (AgRg no HC 641.362/SC, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 22/06/2021, DJe 30/06/2021). Assim, deve ser reconsiderada a decisão para conceder a ordem, reconhecendo-se a minorante do tráfico privilegiado na fração de 2/3. Fixada a pena-base em 5 anos e 3 meses de reclusão e 525 dias-multa, pelo acórdão (fl. 410), pela manutenção de uma circunstância judicial desfavorável, ausentes agravantes e atenuantes, incide a minorante do tráfico privilegiado em 2/3, resultando a pena de 1 ano e 9 meses de reclusão e 175 dias-multa, e, em seguida, o aumento de 1/6 (fl. 413), resultado a pena definitiva de 2 anos e 15 dias de reclusão e 204 dias-multa. Mantenho o regime semiaberto, em virtude da existência de circunstância judicial desfavorável. Substitui-se a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, a ser determinada pelo juízo das execuções. Ante o exposto, reconsidero a decisão para fixar a pena de de 2 anos e 15 dias de reclusão, em regime semiaberto, e 204 dias-multa, substituindo-se a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Publique-se. Intimem-se.