HC 1025129 - DECISAO
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ALEXSANDER DOS SANTOS GONCALVES em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO no julgamento da Apelação Criminal n. 0021596-08.2019.8.08.0024. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 5...
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- Parties
- Paciente: ALEXSANDER DOS SANTOS GONCALVES; Órgão Prolator Do Acórdão: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (impetração Contra Acórdão Com Trânsito Em Julgado)
- Legal Topics
- Tráfico Privilegiado (art.33, §4º, Lei 11.343/06), Trânsito Em Julgado, Revisão Criminal, Presunção De Inocência, Competência Do STJ
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Parties
ALEXSANDER DOS SANTOS GONCALVES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (impetração Contra Acórdão Com Trânsito Em Julgado)
Legal Issues
- 1 Aplicação da causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado (art.33, §4º, Lei 11.343/06)
- 2 Possibilidade de conhecimento de Habeas Corpus após o trânsito em julgado do acórdão impugnado
- 3 Cabimento de Habeas Corpus como substitutivo de revisão criminal perante o STJ
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DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ALEXSANDER DOS SANTOS GONCALVES em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO no julgamento da Apelação Criminal n. 0021596-08.2019.8.08.0024. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 5 (cinco) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime semiaberto, pela prática do delito capitulado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo afastou indevidamente a aplicação da causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado, prevista no no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, sob o argumento de que o paciente responde a outra ação penal, sem que haja provas concretas de dedicação a atividades criminosas ou integração em organização criminosa, o que caracteriza fundamento inidôneo. Alega que o paciente preenche todos os requisitos para a aplicação do tráfico privilegiado, sendo primário, de bons antecedentes, não integrando organização criminosa e não se dedicando a atividades criminosas. Por fim, aduz que, conforme entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, a existência de processos em curso não tem o condão de afastar a benesse, por violar o princípio da presunção de inocência. Requer, em suma, liminarmente e no mérito, o reconhecimento do tráfico privilegiado. É o relatório. Decido. Consoante informação obtida no site do Tribunal a quo, ocorreu o trânsito em julgado do acórdão impugnado. Ou seja, o presente Habeas Corpus foi impetrado contra condenação proferida na origem já transitada em julgado e não há, neste Tribunal, julgamento de mérito em relação à ela passível de revisão. Segundo a jurisprudência do STJ, não deve ser conhecido o writ manejado como substitutivo de revisão criminal em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Isso porque, consoante o artigo 105, inciso I, alínea e, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar, originariamente, somente as revisões criminais e as ações rescisórias de seus próprios julgados. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados colegiados desta Corte: AgRg no HC n. 903.400/RS, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma; DJe de 17.6.2024; AgRg no HC n. 885.889/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.6.2024; AgRg no HC n. 852.988/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no HC n. 908.528/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 28.5.2024; AgRg no HC n. 883.647/MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 15.5.2024; AgRg no HC n. 887.735/PE, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 25.4.2024; HC n. 790.768/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe de 10.4.2024; AgRg no HC n. 757.635/SC, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 15.3.2024; AgRg no HC n. 825.424/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 820.174/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 15.8.2024; AgRg no HC n. 913.826/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024. Ademais, não se verifica no julgado impugnado ilegalidade flagrante que justifique a concessão de Habeas Corpus de ofício nos termos do § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA