AREsp 2663499 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica e fundamentada todos os óbices constantes da decisão de inadmissibilidade do Tribunal a quo — notadamente a ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial (Súmula 284/STF) e a necessidade de revolvimento do...
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- Parties
- Agravante: IGOR GUILHERME MOTA DA SILVA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Tráfico Privilegiado (art. 33, §4º, Lei 11.343/2006), Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Súmula 182 Do STJ, Cotejo Analítico Do Dissídio Jurisprudencial
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Parties
IGOR GUILHERME MOTA DA SILVA
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade
Legal Issues
- 1 Aplicação da minorante do tráfico privilegiado (art. 33, §4º, Lei 11.343/2006)
- 2 Requisitos de admissibilidade do recurso especial quanto à comprovação de dissídio jurisprudencial (Súmula 284 do STF)
- 3 Vedação ao reexame de fatos e provas no recurso especial (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica e fundamentada todos os óbices constantes da decisão de inadmissibilidade do Tribunal a quo — notadamente a ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial (Súmula 284/STF) e a necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ) — incidindo, assim, a Súmula 182 do STJ que torna inviável o processamento do agravo.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO IGOR GUILHERME MOTA DA SILVA agrava da decisão que não admitiu o recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 0000719-78.2018.8.26.0542). Consta dos autos que o ora agravante foi condenado, pela prática do delito previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 6 anos de reclusão, em regime fechado e multa. Nas razões do recurso especial, a defesa apontou a violação dos arts. 155 e 156 do CPP e 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, por considerar que o recorrente preenche os requisitos legais para aplicação da minorante do tráfico privilegiado. O recurso especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, com fulcro nos óbices processuais das Súmulas n. 284 (não comprovação do dissídio) e 7 do STJ, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do recurso (fls. 690-691). Decido. O agravo em recurso especial tem como objetivo atacar todos os óbices apontados pelo Tribunal a quo ao inadmitir o recurso especial. Em obediência ao princípio da dialeticidade, a impugnação não pode ser genérica. Ademais, "a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, de modo que se o Agravante deixa de impugnar adequadamente qualquer um dos fundamentos de inadmissão, torna-se inviável o conhecimento do agravo em recurso especial em sua integralidade" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.785.474/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 3/5/2021). Deveras: .. o entendimento pacífico desta Corte é o da imprescindibilidade da impugnação de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sejam eles autônomos ou não, "pois não existe identidade entre a lógica da Súmula n. 182 do STJ e a da Súmula n. 283 do STF, uma vez que o conhecimento, ainda que parcial, do agravo em especial, obriga a Corte a conhecer de todos os fundamentos do especial, inclusive os não impugnados de modo específico" (AgRg no AREsp n. 68.639/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2/2/2012). (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.413.506/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 27/6/2019) No caso, a Corte de origem inadmitiu a pretensão com fulcro nas Súmulas n. 284 do STF e 7 do STJ. Para impugnação da Súmula n. 284 do STF, seria imprescindível à parte comprovar que apresentou o dissídio jurisprudencial e que realizou o indispensável cotejo analítico, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, o que não ocorreu, pois o agravante nem sequer refutou a aplicação do referido óbice . Ademais, não houve fundamentação clara, específica e pormenorizada a respeito da desnecessidade de se adentrar no acervo fático-probatório dos autos para alterar o entendimento da instância de origem. Na verdade, a parte apenas fez considerações genéricas e reiterou as razões recursais, afetas ao mérito, o que, na visão da jurisprudência reiterada desta Corte Superior, é insuficiente para superar o óbice processual. Para impugnação da Súmula n. 7 era imprescindível à parte individualizar, de forma clara, específica e fundamentada, a desnecessidade de revolvimento subjetivo do conjunto fático e probatório para o acolhimento de suas alegações, o que não ocorreu no recurso. Portanto, constato que o agravante não rebateu, concretamente, todos os óbices da inadmissão do recurso especial. Assim, é inegável a aplicação, na espécie, da Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido, menciono o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. É inviável o processamento de agravo regimental que deixa de impugnar, de modo específico, os fundamentos da decisão agravada, relacionados às Súmulas N. 7 e 83 do STJ. Aplicação do enunciado sumular n. 182 desta Corte. 2. Agravo regimental não conhecido. (AgRg Resp 1.300.642/RS, Relator. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 21/11/2016). À vista do exposto, não conheço do a gravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA