AREsp 2903667 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara, específica e fundamentada, todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial; não refutou a aplicação da Súmula 7 quanto à necessidade de evitar revolvimento do conjunto fático-probatório, tampouco demonstrou dissídio...
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- Parties
- Agravante: ISRAEL MOREIRA DE ASSIS ALENCAR; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade De Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Tráfico Privilegiado (art. 33, § 4º, Lei 11.343/2006), Incidência Do Art. 40, IV, Lei 11.343/2006 (armamento), Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmulas E Requisitos De Impugnação (súmulas 7, 83, 182 Do STJ E 284 Do Stf)
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Parties
ISRAEL MOREIRA DE ASSIS ALENCAR
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade De Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Se houve fundamentação idônea para aplicação da minorante do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006
- 2 Se o art. 40, IV, da Lei 11.343/2006 foi corretamente aplicado por falta de comprovação de que o armamento se destinava a auxiliar o tráfico
- 3 Admissibilidade do recurso especial face à vedação de revisão de matéria fática (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara, específica e fundamentada, todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial; não refutou a aplicação da Súmula 7 quanto à necessidade de evitar revolvimento do conjunto fático-probatório, tampouco demonstrou dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pela Súmula 83; a deficiência na fundamentação atrai a aplicação da Súmula 284 do STF por analogia, e a omissão quanto à impugnação específica autoriza a aplicação da Súmula 182 do STJ, tornando inviável o conhecimento do agravo.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ISRAEL MOREIRA DE ASSIS ALENCAR agrava da decisão que não admitiu o recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (Apelação Criminal n. 1.0000.23.199827-9/001). Nas razões do recurso especial, a defesa sustenta a violação e a interpretação jurisprudencial divergente do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, sob a tese de ausência de fundamentação idônea para aplicar a minorante do tráfico privilegiado em patamar mínimo, diante dos predicados subjetivos favoráveis do réu. Aponta o desrespeito e o dissídio jurisprudencial em relação ao art. 40, IV, da mesma Lei, por considerar que não houve comprovação de que o armamento se destinava a auxiliar o tráfico de drogas, razão pela qual não deveria incidir na reprimenda do recorrente. O recurso especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, em virtude da incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ e 284 do STF, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do agravo (fls. 944-959). Decido. O agravo em recurso especial tem como objetivo atacar todos os óbices apontados pelo Tribunal a quo ao inadmitir o recurso especial. Em obediência ao princípio da dialeticidade, a impugnação não pode ser genérica. Ademais, "a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, de modo que se o Agravante deixa de impugnar adequadamente qualquer um dos fundamentos de inadmissão, torna-se inviável o conhecimento do agravo em recurso especial em sua integralidade" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.785.474/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 3/5/2021). Deveras: .. o entendimento pacífico desta Corte é o da imprescindibilidade da impugnação de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sejam eles autônomos ou não, "pois não existe identidade entre a lógica da Súmula n. 182 do STJ e a da Súmula n. 283 do STF, uma vez que o conhecimento, ainda que parcial, do agravo em especial, obriga a Corte a conhecer de todos os fundamentos do especial, inclusive os não impugnados de modo específico" (AgRg no AREsp n. 68.639/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2/2/2012). (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.413.506/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 27/6/2019) No caso, a Corte de origem inadmitiu a pretensão por incidirem as Súmulas n. 7 e 83 do STJ e 284 do STF. Nas razões deste agravo, verifico que a parte deixou de refutar, de forma direta e objetiva, os motivos pelos quais o REsp não foi conhecido, sobretudo porque não rebateu a aplicação da Súmula n. 7 do STJ para a controvérsia relativa ao art. 40 da Lei n. 11.343/2006. Ademais, não houve fundamentação clara, específica e pormenorizada a respeito da desnecessidade de se adentrar no acervo fático-probatório dos autos para alterar o entendimento da instância de origem quanto à violação do art. 33, § 4º, da Lei n. 11343/2006. Para impugnação da Súmula n. 7, seria imprescindível à parte individualizar, de forma clara, específica e fundamentada, a desnecessidade de revolvimento subjetivo do conjunto fático e probatório para o acolhimento de suas alegações, o que não ocorreu no recurso. Somado a isso, para a impugnação da Súmula n. 83, entende esta Corte Superior que "o agravante deve demonstrar que os precedentes indicados na dec isão que inadmitiu o recurso especial são inaplicáveis ao caso ou deve colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ" (AgRg no AREsp n. 1.874.097/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, 5ª T., DJe 15/8/2022). Por fim, para ambas as controvérsias, observo que não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte não realizou, de forma satisfatória, o cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração da similitude fática e da identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, bem como a adequada transcrição e identificação do julgado citado. Tudo isso atrai, portanto, a aplicação da Súm ula n. 284 do STF, aplicada por analogia ao recurso especial: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Portanto, não observo que o agravante haja rebatido , concretamente, os óbices da inadmissão do recurso especial. Assim, deve ser aplicada, na espécie, a Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido, menciono o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. É inviável o processamento de agravo regimental que deixa de impugnar, de modo específico, os fundamentos da decisão agravada, relacionados às Súmulas N. 7 e 83 do STJ. Aplicação do enunciado sumular n. 182 desta Corte. 2. Agravo regimental não conhecido. (AgRg Resp 1.300.642/RS, Relator. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 21/11/2016). À vista do exposto, não conheço do a gravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA