HC 686177 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a condenação do paciente transitou em julgado (certificada em 14/10/2020) antes da impetração (9/8/2021), e o STJ, na conformidade do art. 105, I, e, da CF, não é competente para conhecer de writs destinados a reformar decisões condenatórias já definitivas das instâncias de...
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- Parties
- Paciente: MARCOS NOVAIS MELO; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (Apelação Criminal n. 1.0054.06.019463-3/001)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 October 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 34, Xx, Do Ristj)
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus
- Legal Topics
- Trânsito Em Julgado, Cerceamento De Defesa, Intimação De Defensor Dativo, Competência Do STJ, Revisão Criminal, Flagrante Ilegalidade
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Parties
MARCOS NOVAIS MELO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (Apelação Criminal n. 1.0054.06.019463-3/001)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 34, Xx, Do Ristj)
Legal Issues
- 1 admissibilidade de habeas corpus no STJ após trânsito em julgado da condenação
- 2 alegação de cerceamento de defesa pela não intimação para constituição de novo defensor e não intimação da advogada dativa para todos os atos (art. 261 CPP)
- 3 alcance da competência do STJ nos termos do art. 105, I, e, da CF
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a condenação do paciente transitou em julgado (certificada em 14/10/2020) antes da impetração (9/8/2021), e o STJ, na conformidade do art. 105, I, e, da CF, não é competente para conhecer de writs destinados a reformar decisões condenatórias já definitivas das instâncias de origem; não se verificou, tampouco, flagrante ilegalidade que justificasse concessão de ordem de ofício.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MARCOS NOVAIS MELO em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (Apelação Criminal n. 1.0054.06.019463-3/001). Em primeiro grau, o paciente foi condenado às penas de 2 anos e 11 meses de reclusão em regime aberto e de 291 dias-multa, pela prática do crime descrito no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. O Tribunal de origem deu provimento ao recurso ministerial para condená-lo também pelo delito de associação ao tráfico e afastar a minorante, redimensionando a reprimenda para 12 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado e de 1.757 dias-multa. Nas razões do presente writ, os impetrantes alegam que o paciente sofre constrangimento ilegal em razão do cerceamento de defesa, visto que não houve intimação para constituir novo defensor, assim como não se intimou a advogada dativa para todos atos do processo, violando-se, portanto, o art. 261 do CPP. Requerem, liminarmente e no mérito, a suspensão do trânsito em julgado do acórdão do Tribunal de origem no julgamento da apelação, reabrindo-se o prazo recursal e expedindo-se alvará de soltura em favor do paciente, para que possa recorrer em liberdade. O pedido de liminar foi indeferido às fls. 157-158. As informações foram prestadas às fls. 179-214 e 216-219. É o relatório. Decido. Nos casos em que a pretensão esteja em conformidade ou em contrariedade com súmula ou jurisprudência pacificada dos tribunais superiores, a Terceira Seção desta Corte admite o julgamento monocrático da impetração antes da abertura de vista ao Ministério Público Federal, em atenção aos princípios da celeridade e da efetividade das decisões judiciais, sem que haja ofensa às prerrogativas institucionais do parquet ou mesmo nulidade processual (AgRg no HC n. 674.472/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 10/8/2021; AgRg no HC n. 530.261/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 7/10/2019). Sendo essa a hipótese dos autos, passo ao exame da impetração. No caso, a condenação sofrida pelo paciente é definitiva, pois, conforme informações prestadas pelo Tribunal de origem (fl. 230), foi certificado o trânsito em julgado da sentença condenatória em 14/10/2020, e o presente writ foi impetrado somente em 9/8/2021. Em consulta, verifica-se que não há, no STJ, julgamento de mérito passível de revisão criminal em relação a essa condenação. Assim, ocorrendo o trânsito em julgado de decisão condenatória nas instâncias de origem, não é dado à parte optar pela impetração de writ nesta instância superior, uma vez que a competência do STJ prevista no art. 105, I, e, da Constituição Federal restringe-se ao processamento e julgamento de revisões criminais de seus próprios julgados. A propósito, confiram-se os seguintes precedentes: HC n. 602.425/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 6/4/2021; AgRg no HC n. 628.964/RS, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 8/2/2021; AgRg no HC n. 521.849/SC, Sexta Turma, relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 19/8/2020; e AgRg no HC n. 632.467/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 18/12/2020. No mesmo sentido, a orientação do STF: AgRg no HC n. 134.691/RJ, relator Ministro Alexandre de Moraes, Primeira Turma, DJe de 1º/8/2018; AgRg no HC n. 149.653/SP, relator Ministro Dias Toffoli, Segunda Turma, DJe de 6/2/2018; AgRg no HC n. 144.323/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe de 30/8/2017; e HC n. 199.284/SP, relator Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe de 16/8/2021. Também não há flagrante ilegalidade que justifique a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do presente habeas corpus . Publique-se. Intimem-se. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Após o trânsito em julgado, remetam-se os autos ao arquivo.