HC 956382 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque ataca acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado e foi utilizado como substitutivo de revisão criminal, matéria que, por competência constitucional e pela jurisprudência do STJ, não é processável nesta Corte quando não há julgamento de mérito desta Corte passível...
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- Parties
- Paciente: KAIQUE THARLEY COELHO; Órgão Prolator Do Acórdão: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (writ Impetrado Após Trânsito Em Julgado)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Trânsito Em Julgado, Tráfico Privilegiado (art. 33, §4º, Lei 11.343/2006), Revisão Criminal, Preclusão Temporal
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Parties
KAIQUE THARLEY COELHO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (writ Impetrado Após Trânsito Em Julgado)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de conhecimento de habeas corpus para atacar acórdão já transitado em julgado
- 2 Aplicação da causa especial de diminuição do art. 33, §4º, da Lei 11.343/2006
- 3 Competência do STJ para processar pedidos que equivalem a revisão criminal
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque ataca acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado e foi utilizado como substitutivo de revisão criminal, matéria que, por competência constitucional e pela jurisprudência do STJ, não é processável nesta Corte quando não há julgamento de mérito desta Corte passível de revisão; ademais não foi demonstrada teratologia ou coação ilegal apta a autorizar o remédio constitucional nos termos do art. 654, §2º, do CPP.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de KAIQUE THARLEY COELHO contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no julgamento da apelação criminal n. 1.0134.12.005180-7/001. Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado, em primeira instância, pela prática do crime previsto no art. 33, caput, c/c art. 40, inciso VI, ambos da Lei nº 11.343/06, às penas de 06 (seis) anos, 09 (nove) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, em regime fechado, mais 681 (seiscentos e oitenta e um) dias- multa (fls. 46-62). Inconformada, a defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem que, por unanimidade, deu parcial provimento ao apelo defensivo para reduzir a pena para 05 anos e 10 meses, em regime inicial semiaberto, mais pagamento de 583 dias-multa, consoante voto condutor do acórdão de fls. 65-82. O acórdão transitou em julgado em 02/03/2021. Dai o presente writ, onde a impetrante aponta constrangimento ilegal na negativa de aplicação da causa especial de diminuição do § 4º do artigo 33 da Lei de Drogas. Para tanto, sustenta que o paciente é primário, de bons antecedentes, e não há indícios que se dedicasse a época dos fatos à atividades criminosas nem que integre/integrava organização criminosa há época dos fatos. Requer, assim, em caráter liminar e no mérito, a concessão da ordem para que haja a aplicação da causa especial de diminuição de pena referente ao art. 33, §4º, da Lei nº 11.343/2006, em sua fração máxima (2/3), com consequente fixação do regime aberto e substituição da pena corporal por restritiva de direitos. É o relatório. DECIDO. Cinge-se a controvérsia em torno da possível ilegalidade na negativa de aplicação da figura do tráfico privilegiado em favor do paciente. Com efeito, ocorrendo o trânsito em julgado de decisão condenatória nas instâncias de origem, não é dado à parte optar pela impetração de writ nesta instância superior, uma vez que a competência do Superior Tribunal de Justiça, prevista no artigo 105, I, "e", da Constituição Federal, restringe-se ao processamento e julgamento de revisões criminais de seus próprios julgados. Na hipótese em apreço, o presente writ foi impetrado contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado (consulta ao sítio do Tribunal a quo). Diante dessa situação, não deve ser conhecido o presente habeas corpus, porquanto fora manejado como substitutivo de revisão criminal. Anoto que não há, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, julgamento de mérito passível de revisão criminal em relação a essa condenação. Nessa linha: " .. como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido" .. " (HC 288.978/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 21/5/2018). " .. 4. Tratando-se de impetração que se destina a atacar acórdão proferido em sede de apelação criminal, já transitado em julgado, contra o qual seria cabível a interposição de revisão criminal, depara-se com flagrante utilização inadequada da via eleita, circunstância que impede o seu conhecimento. .. " (AgRg no HC n. 486.185/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 07/05/2019). " .. 3. É inviável o conhecimento do mandamus ora em exame, pois restou manejado como substitutivo de revisão criminal. Note-se que, "como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido" (HC 288.978/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Rel. p/ acórdão Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 15/3/2018, DJe 21/5/2018). 4. Nos termos do art. 105, inciso I, alínea "e", da Constituição da República, compete ao Superior Tribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". 5. Com o advento do trânsito em julgado da sentença condenatória, após o exame dos sucessivos recursos defensivos, compete à defesa, caso entenda cabível e se o desejar, ajuizar revisão criminal no Tribunal de Justiça, com vistas à revisão do julgado. .. " (AgRg no HC n. 751.787/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 20/4/2023). Cito, também, a orientação do Supremo Tribunal Federal: AgRg no HC n. 134.691/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe de 1º/8/2018; AgRg no HC n. 144.323/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 30/8/2017; e HC n. 199.284/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 16/8/2021. Demais a mais, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em respeito à segurança jurídica e a lealdade processual, tem se orientado no sentido de que mesmo as nulidades denominadas absolutas, ou qualquer outra falha ocorrida no acórdão impugnado, também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal" (AgRg no HC 690.070/PR, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe 25/10/2021). De todo modo, não verifico na decisão impugnado nenhuma teratologia ou coação ilegal que autorize a concessão da ordem nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intime-se. EMENTA