HC 1007312 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque o writ foi impetrado após o trânsito em julgado e funciona como substituto inadequado da revisão criminal, cuja apreciação deveria ocorrer na instância originária; além disso, a competência do STJ para revisar decisões jurisdicionais é restrita aos seus próprios julgados...
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- Parties
- Paciente: EDER CARLOS PEREIRA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Trânsito Em Julgado, Nulidade, Competência Do STJ, Prova Pericial, Reconhecimento De Pessoas, Crime Continuado
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Parties
EDER CARLOS PEREIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus como substituto da revisão criminal após trânsito em julgado
- 2 competência do Superior Tribunal de Justiça para processar revisão criminal apenas em relação aos seus próprios julgados (art. 105, I, e, CF)
- 3 nulidades apontadas no julgamento do Tribunal do Júri (fornecimento de mídia, repetição de votação, irregularidades periciais, reconhecimento fotográfico e pessoal)
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque o writ foi impetrado após o trânsito em julgado e funciona como substituto inadequado da revisão criminal, cuja apreciação deveria ocorrer na instância originária; além disso, a competência do STJ para revisar decisões jurisdicionais é restrita aos seus próprios julgados (art. 105, I, e, CF), devendo, portanto, ser denegado o conhecimento, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus sem pedido de liminar impetrado em favor de EDER CARLOS PEREIRA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 30 anos de reclusão no regime inicial fechado como incurso nas sanções do art. 121, § 2º, IV, do Código Penal. A impetrante alega a ocorrência de nulidade no julgamento do Tribunal do Júri, afirmando a ausência de fornecimento de mídia em processo físico digitalizado pela serventia, e que a repetição da votação por duas vezes, por contradição, teria maculado o julgamento. Aduz que a prova pericial apresentaria irregularidades que levariam à sua nulidade e que o reconhecimento fotográfico e pessoal teria sido realizado em desacordo com os requisitos do art. 226 do Código de Processo Penal. Pleiteia, ainda, o reconhecimento do crime continuado. Requer, assim, a cassação do acordão impetrado ou, subsidiariamente, o redimensionamento da pena aplicada. O Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem (fls. 2.079-2.084). É o relatório. O presente writ foi impetrado em 28/5/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, já transitado em julgado, conforme informado pela própria impetrante (fl. 2) e pelo Tribunal de origem (fl. 2.052). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, instrumento que não pode ser manejado no caso, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA