AREsp 2829892 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o acórdão recorrido fundamentou-se predominantemente em legislação estadual, tornando incabível o recurso especial por força da Súmula 280 do STF, e porque as razões do recurso estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão, atraindo a aplicação da Súmula 284 do STF, motivos...
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- Parties
- Agravante: JOSE ERLI PEREIRA DE SOUZA; Agravado: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Transferência Compulsória Para Reserva, Policial Militar, Competência Legislativa Estadual, Súmula 280 Do STF, Súmula 284 Do STF
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Parties
JOSE ERLI PEREIRA DE SOUZA
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Competência para legislar sobre inatividade e transferência para a reserva dos policiais militares (estadual versus federal)
- 2 Aplicabilidade das Súmulas n. 280 e 284 do STF ao recurso especial
- 3 Possibilidade de permanência na ativa após 30 anos com fundamento na Lei Federal n. 13.954/2019
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o acórdão recorrido fundamentou-se predominantemente em legislação estadual, tornando incabível o recurso especial por força da Súmula 280 do STF, e porque as razões do recurso estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão, atraindo a aplicação da Súmula 284 do STF, motivos suficientes para manter a decisão que indeferiu o pedido de permanência na ativa e determinou a transferência para a reserva após 30 anos de serviço.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
- Mantida decisão que não conheceu do recurso especial e que fundamentou a transferência compulsória para a reserva com base na Lei Estadual n. 5.301/1969
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/09/2025 a 17/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Afrânio Vilela, Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. POLICIAL MILITAR. TRANFERÊNCIA COMPULSÓRIA PARA RESERVA. RAZÕES INSUBSISTENTES PARA ALTERAÇÃO DO RESULTADO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO TEOR DAS SÚMULAS N. 280 E 284 DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Na origem, o impetrante, policial militar, busca permanecer no serviço ativo da PM-MG após completar 30 (trinta) anos de serviço, alegando que a Lei Federal n. 13.954/2019 permite tal permanência até 35 (trinta e cinco) anos de serviço ou 65 (sessenta e cinco) anos de idade, contrariando o indeferimento administrativo que determinou sua transferência compulsória para a reserva. Argumenta que a legislação estadual não pode inovar em matéria de competência privativa da União, e que sua permanência é benéfica à corporação, além de não haver prejuízo econômico. 2. O Tribunal de origem negou provimento à apelação, ao entender que a legislação estadual, Lei n. 5.301/1969, prevalece sobre a Lei Federal n. 13.954/2019, no que tange à transferência compulsória de militares para a reserva após 30 (trinta) anos de serviço, conforme competência estadual prevista na Constituição Federal (art. 42, §1º e art. 142, § 3º, inciso X). A decisão destacou que não há ilegalidade ou abuso de poder no ato administrativo impugnado, pois está em conformidade com as normas estaduais vigentes. 3. Nesta Corte, decisão negando conhecimento ao recurso especial. 4. No caso, a interpretação da Corte de origem se baseou na interpretação da Lei Estadual n. 5.301/1969, além da legislação federal. Incidência da Súmula n. 280 do STF. 5. O acórdão recorrido concluiu que o oficial impetrante será compulsoriamente transferido para a reserva após 30 (trinta) anos de serviço, conforme o Estatuto dos Militares de Minas Gerais, sem opção de requerer inatividade após esse período. A Lei Federal n. 6.880/80, alterada pela Lei n. 13.954/2019, aplica-se às Forças Armadas, não às Polícias Militares. A competência para legislar sobre a matéria é estadual, conforme a Constituição Federal. A Lei Estadual n. 5.301/1969 regulamenta a transferência para a reserva, embasando o indeferimento do pedido. Logo, incide o teor da Súmula n. 284 do STF, pois as razões do recurso estão dissociadas dos fundamentos do acórdão, não os impugnando de maneira específica. 6. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por JOSE ERLI PEREIRA DE SOUZA contra decisão da Presidência do STJ, que não conheceu do recurso especial (fls. 551-554). Nas razões do agravo interno, alega a parte agravante, em síntese, a seguinte argumentação: Destacando a decisão recorrida, o Ilustre presidente ressaltou ainda a aplicabilidade da Súmula nº 284 do STF por entender que "as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos". Por não concordar com o mencionado posicionamento e por pretender uma decisão colegiada a respeito do tema, o Agravante interpõe o presente recurso para que as razões do Agravo e do Recurso Especial sejam conhecidas e julgadas pelo órgão colegiado. Isto porque o Agravante interpôs o Agravo no recurso especial demonstrando, justamente, que o principal fundamento do acórdão de apelação e que, portanto, foi objeto do Recurso Especial e Extraordinário não é a legislação local, mas sim a legislação federal. Verifica-se que o voto proferido no acórdão recorrido fundamenta a compatibilidade na legislação estadual analisando mais de uma lei federal. Para demonstrar o que se apresenta, cita-se do acórdão recorrido: .. Tem-se, portanto, que o acórdão recorrido tem como principal fundamento a legislação federal que se aplica ao caso em tela. Outrossim, é importante ressaltar que o Recurso Especial busca justamente que o Superior Tribunal de Justiça realize um controle de legalidade do artigo 136, inciso I, da Lei Estadual nº 5.301/69, que fundamentou a transferência do Agravante para a reserva remunerada da Polícia Militar, mesmo ele manifestando interesse em permanecer na ativa. Observando o disposto na Lei Estadual nº 5.301/69, a PMMG transfere o militar para a reserva, quando ele completa 30 (trinta) anos de serviço, sendo este transferência automática/compulsória/de ofício. Ocorre que o artigo 24-A, inciso I, alínea a, do Decreto nº 667/69, prevê que a transferência para a reserva por tempo de serviço ocorrerá a pedido do militar, a partir de 30 (trinta) anos de efetivo serviço de natureza militar. Evidenciando, portanto, a primeira incompatibilidade da Lei Estadual com a Lei Federal. Outro ponto que se observa é que existe, no Decreto nº 667/69, duas hipóteses de transferência para a reserva de ofício, são elas o atingimento da idade limite do posto ou graduação e, a quota compulsória. .. Verifica-se que a Lei Estadual nº 5.301/1969, não prevê idade limite de posto ou graduação, não prevendo, igualmente, a quota compulsória, que é uma regra criada para renovação dos militares, consoante previsto no artigo 99, da Lei 6.880/80, que vale o especial destaque: .. Ainda sobre a transferência para a reserva em razão do enquadramento em quota compulsória, o artigo 100, da Lei nº 6.880/80, determina quais são as regras para criação da quota compulsória e estabelece, no parágrafo 4º, que as regras de quota compulsória somente serão aplicadas quando observados que no posto imediatamente inferior há oficiais que satisfaçam a regra para promoção. .. Está claro, portanto, que a transferência compulsória tem regras específicas previstas na Lei nº 6.880/80. Exposto isso, vale mencionar o artigo 28, da Lei Complementar nº 168/2002, que alterou o artigo 136, da Lei Estadual nº 5.301/69, e que foi utilizada como fundamento para transferir o Agravante para a reserva: .. Considerando: . a redação do artigo 28, da Lei Complementar nº 168/2002, utilizada como fundamento para impedir que o Agravante continue em serviço; . bem como o instituto da quota compulsória, previsto na Lei nº 6.880/80, nos artigos 98, 99 e 100 e cujo os Estados podem adotar, nos termos do artigo 24-A, parágrafo único, do Decreto nº 667/69; . está claro que a regra criada pela Lei Complementar nº 168/2002, conflita com o instituto da quota compulsória, prevista nos artigos 98, 99 e 100, da Lei nº 6.880/80. Desta forma, tanto o artigo 136, I, da Lei nº 5.301/1969, quanto o artigo 28, da Lei Complementar nº 168/2002, conflitam com o artigo 24-A, do Decreto nº 667/69, alterado pela Lei nº 13.954/2019, o que é vedado pelo artigo 24-D, do referido Decreto, que estabelece: .. Patente, pois, que deve ser declarada a ilegalidade do artigo 136, I, da Lei nº 5.301/1969, e do artigo 28, da Lei Complementar nº 168/2002, por conflitarem com as Leis Federais nº 6.880/80 e Decreto nº 667/69, alterado pela Lei nº 13.954/2019. Assim sendo, é evidente que o militar da ativa tem direito de permanecer no serviço ativo até os 35 (trinta e cinco) anos de serviço, não podendo ser estabelecida em lei estadual transferência compulsória antes dos 35 (trinta e cinco) anos de serviço, como fez a Lei Complementar Estadual nº 168/2022, em seu art. 28. Diante do exposto, sendo demonstrada o fundamento do acórdão é em lei Federal, sendo também demonstrado que o Recurso Especial tem como fundamento o controle de legalidade da Lei Estadual em face de lei federal, o Agravante pede que esta Turma Julgadora reconheça a inaplicabilidade da Sumula nº 280 do STF ao caso em tela e, reconhecendo a violação às Leis Federais acima mencionadas, reforme a decisão monocrática de modo a reformar o acórdão recorrido e julgar procedentes os pedidos do Agravante. .. Da leitura das razões acima apresentadas, tem-se que as razões do recurso especial impugnam especificamente os termos do acórdão recorrido. Veja-se que o Ministro Presidente destacou trechos do acórdão recorrido que: Menciona a Lei nº 13.954/2019 e a regra de inatividade de militares não deve conflitar com os artigos 24-A, 24-B e 24-C, do Decreto nº 667/69; destaca que cabe a lei específica do ente federativo deve regular os direitos e deveres dos militares e pensionistas, impedindo a aplicação da lei federal; ressalta que a lei federal impõe que a legislação do ente federativo respeite as normas gerais estabelecidas nos arts. 24-A, 24-B, 24-C e 24-F, de modo que não seja com esta conflitante, sem mencionar o disposto no artigo 24-G, do Decreto nº 667-69. Observado este trecho mencionado pelo Ministro Presidente e todo o acórdão proferido pela instância originária e da leitura das razões do recurso especial, verifica-se que a matéria discutida no recurso é diretamente relacionada ao que apresentado no acórdão, impugnando o fundamento da decisão recorrida. Não é demais salientar que o Agravante adotou uma forma diferente em sua peça recursal em que repartiu os tópicos que demonstram as violações legais de forma específica, de forma que contradiz a decisão e recorrida e expõe, para este Tribunal, as violações legais que entendem existir no acórdão recorrido. Desta forma, sendo demonstrando que o recurso especial impugna especificamente os termos do acórdão recorrido, o Agravante entende que não deve ser aplicada a Sumula nº 284 do STF e pede que a Douta Turma Julgadora decida pela inaplicabilidade do referido enunciado ao caso em tela, reformando a decisão monocrática. Pugna, assim, pela submissão do recurso ao órgão colegiado, para que seja provido o recurso especial (fls. 560-568). Apresentada contraminuta ao agravo às fls. 575-578. Parecer do Ministério Público Federal pelo desprovimento do recurso (fls. 595-597). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. POLICIAL MILITAR. TRANFERÊNCIA COMPULSÓRIA PARA RESERVA. RAZÕES INSUBSISTENTES PARA ALTERAÇÃO DO RESULTADO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO TEOR DAS SÚMULAS N. 280 E 284 DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Na origem, o impetrante, policial militar, busca permanecer no serviço ativo da PM-MG após completar 30 (trinta) anos de serviço, alegando que a Lei Federal n. 13.954/2019 permite tal permanência até 35 (trinta e cinco) anos de serviço ou 65 (sessenta e cinco) anos de idade, contrariando o indeferimento administrativo que determinou sua transferência compulsória para a reserva. Argumenta que a legislação estadual não pode inovar em matéria de competência privativa da União, e que sua permanência é benéfica à corporação, além de não haver prejuízo econômico. 2. O Tribunal de origem negou provimento à apelação, ao entender que a legislação estadual, Lei n. 5.301/1969, prevalece sobre a Lei Federal n. 13.954/2019, no que tange à transferência compulsória de militares para a reserva após 30 (trinta) anos de serviço, conforme competência estadual prevista na Constituição Federal (art. 42, §1º e art. 142, § 3º, inciso X). A decisão destacou que não há ilegalidade ou abuso de poder no ato administrativo impugnado, pois está em conformidade com as normas estaduais vigentes. 3. Nesta Corte, decisão negando conhecimento ao recurso especial. 4. No caso, a interpretação da Corte de origem se baseou na interpretação da Lei Estadual n. 5.301/1969, além da legislação federal. Incidência da Súmula n. 280 do STF. 5. O acórdão recorrido concluiu que o oficial impetrante será compulsoriamente transferido para a reserva após 30 (trinta) anos de serviço, conforme o Estatuto dos Militares de Minas Gerais, sem opção de requerer inatividade após esse período. A Lei Federal n. 6.880/80, alterada pela Lei n. 13.954/2019, aplica-se às Forças Armadas, não às Polícias Militares. A competência para legislar sobre a matéria é estadual, conforme a Constituição Federal. A Lei Estadual n. 5.301/1969 regulamenta a transferência para a reserva, embasando o indeferimento do pedido. Logo, incide o teor da Súmula n. 284 do STF, pois as razões do recurso estão dissociadas dos fundamentos do acórdão, não os impugnando de maneira específica. 6. Agravo interno não provido. VOTO A despeito dos argumentos veiculados no presente recurso, a insurgência não merece prosperar. Na origem, o ora agravante, policial militar, busca permanecer no serviço ativo da PM-MG após completar 30 (trinta) anos de serviço, alegando que a Lei Federal n. 13.954/2019 permite tal permanência até 35 (trinta e cinco) anos de serviço ou 65 (sessenta e cinco) anos de idade, contrariando o indeferimento administrativo que determinou sua transferência compulsória para a reserva. Argumenta que a legislação estadual não pode inovar em matéria de competência privativa da União, e que sua permanência é benéfica à corporação, além de não haver prejuízo econômico. No primeiro grau, a segurança foi denegada. O Tribunal de origem negou provimento à apelação, ao entender que a legislação estadual, Lei n. 5.301/1969, prevalece sobre a Lei Federal n. 13.954/2019, no que tange à transferência compulsória de militares para a reserva após 30 (trinta) anos de serviço, conforme competência estadual prevista na Constituição Federal (art. 42, §1º e art. 142, § 3º, inciso X). A decisão destacou que não há ilegalidade ou abuso de poder no ato administrativo impugnado, pois está em conformidade com as normas estaduais vigentes. Nas razões do apelo nobre, interposto com fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, a parte agravante aponta violação dos arts. 24-D, 24-A, inciso IV, do Decreto-Lei n. 667/1969; e 97 da Lei n. 6.880/1980. O apelo nobre foi inadmitido na origem, por ausência de prequestionamento das matérias alegadas, conforme exigido pela Súmula n. 211 do STJ, uma vez que os dispositivos legais não foram debatidos pelo Tribunal de origem, mesmo após embargos de declaração. Além disso, a controvérsia envolve análise de legislação estadual, o que é insuscetível de apreciação em recurso especial, conforme a Súmula n. 280 do STF. No exame do agravo em recurso especial, o apelo nobre não foi conhecido por estar fundamentado em legislação local, o que impede seu exame conforme a Súmula n. 280 do STF, que estabelece que não cabe recurso extraordinário por ofensa a direito local. Além do mais, as razões do recurso especial estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão impugnado, atraindo a aplicação da Súmula n. 284 do STF, que trata da deficiência na fundamentação que impede a compreensão da controvérsia. Fundamentos que ora mantenho. Quanto ao cerne das alegações, constou na decisão agravada os seguintes argumentos (fls. 553-554): Quanto à controvérsia, não é cabível o Recurso Especial porque interposto contra acórdão com fundamento em legislação local, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Aplicável, por analogia, a Súmula n. 280 do STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". Nesse sentido: "A tutela jurisdicional prestada pela Corte de origem com fundamento em legislação local impede o exame do apelo extremo, mediante aplicação da Súmula 280/STF". (REsp 1.759.345/PI, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 17.10.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.657.693/RJ, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 18.8.2020; AgInt no REsp 1.616.439/SC, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 1º.6.2020; AgRg no REsp 1.822.671/MT, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, D Je de 7.4.2020. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Destacou-se que, nos termos do Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais, o Oficial impetrante será compulsoriamente transferido para a reserva ao completar 30 (trinta) anos de efetivo serviço (observados os acréscimos de cálculo decorrentes da regra de transição da LC 168/2022), não tendo a simples "opção" de requerer a transferência para a inatividade, após esse marco. Conforme assentado por esta 19ª Câmara Cível, a Lei Federal nº 6.880/80 (alterada pela Lei nº 13.954/19) trata especificamente dos militares das Forças Armadas. Contudo, as Polícias Militares não integram as Forças Armadas, que, conforme cediço, são constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica (art. 142, caput, da CR/88) Ademais, o art. 24 do Decreto-Lei nº 667/69, também alterado pela Lei Federal nº 13.954/19, versa sobre normas de passagem do militar para a inatividade, mas ressalta expressamente que os critérios para tanto são estabelecidos pela legislação específica de cada ente federativo. E não poderia ser diferente, pois, conforme ressaltado por este Colegiado, a competência para legislar sobre a matéria é mesmo do ente estadual, a teor do art. 42, §1º c/c art. 142, § 3º, X, ambos da Constituição Federal, e não da União, como sustentou o impetrante. Com efeito, cabe à lei estadual específica dispor sobre o ingresso na corporação, "limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades" (art. 42, §1º c/c art. 142, § 3º, X, da CR/88). E, no âmbito do Estado de Minas Gerais, conforme enfatizado, a matéria foi regulamentada pela Lei Estadual nº 5.301/69 (Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais), cujas regras embasaram o indeferimento do pedido, pela autoridade impetrada. Em suma, para o caso do impetrante, nos termos da Lei Estadual nº 5.301/69 (Estatuto dos Militares), há previsão de transferência compulsória para a reserva após trinta anos de efetivo exercício, observados os acréscimos de cálculo postos pela regra de transição da LC 168/2022. Esta Turma Julgadora concluiu, assim, que o ato administrativo impugnado no writ não está eivado de ilegalidade ou abuso de poder (fls. 397- 398). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24.8.2018.) De fato, conforme bem pontuado na decisão agravada, a interpretação da Corte de origem se baseou na interpretação da Lei Estadual n. 5.301/1969, além da legislação federal. O que por si só atrai a aplicação da Súmula n. 280 do STF. Outrossim, o acórdão recorrido concluiu que o oficial impetrante será compulsoriamente transferido para a reserva após 30 (trinta) anos de serviço, conforme o Estatuto dos Militares de Minas Gerais, sem opção de requerer inatividade após esse período. A Lei Federal n. 6.880/80, alterada pela Lei n. 13.954/2019, aplica-se às Forças Armadas, não às Polícias Militares. A competência para legislar sobre a matéria é estadual, conforme a Constituição Federal. A Lei Estadual n. 5.301/1969 regulamenta a transferência para a reserva, embasando o indeferimento do pedido. Logo, correta a aplicação do teor da Súmula n. 284 do STF, pois as razões do recurso estão dissociadas dos fundamentos do acórdão, não os impugnando de maneira específica. Portanto, não é merecedora de reparo a decisão agravada. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.