REsp 2142783 - DECISAO
O Tribunal entendeu que o Município não comprovou a regularização da inadimplência relativa a precatórios na época da formalização dos convênios e que as finalidades dos ajustes (aquisição de patrulha mecanizada e pavimentação de ruas) não se enquadram no conceito restrito de "ação social" previsto no art. 25, §3º...
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- Parties
- Autor: Município de Aroeiras/PB; Réu: União; Réu: Caixa Econômica Federal - CEF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2024
- Procedural Posture
- Ação De Obrigação De Fazer / Recurso Especial Negado Provimento
- Outcome
- Negado provimento ao recurso especial; majoração da verba honorária recursal em 1%, totalizando 12% sobre o valor da causa.
- Legal Topics
- Transferências Voluntárias, Restrição Cadastral, Precatórios, Exceção Para Ações Sociais, Convênios E Contratos De Repasse
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Parties
Município de Aroeiras/PB
Autor
União
Réu
Caixa Econômica Federal - CEF
Réu
Procedural Posture
Ação De Obrigação De Fazer / Recurso Especial Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de celebração de convênios/contratos de repasse pela União apesar de inscrição do ente em restrição por inadimplemento de precatórios
- 2 Se os objetos dos convênios (aquisição de patrulha mecanizada e pavimentação de ruas) se enquadram como "ações sociais" nos termos do art. 25, §3º da LC 101/2000 e art. 26 da Lei 10.522/2002, autorizando a suspensão da restrição
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que o Município não comprovou a regularização da inadimplência relativa a precatórios na época da formalização dos convênios e que as finalidades dos ajustes (aquisição de patrulha mecanizada e pavimentação de ruas) não se enquadram no conceito restrito de "ação social" previsto no art. 25, §3º da LC 101/2000 e no art. 26 da Lei 10.522/2002; por isso, aplicou-se a restrição do parágrafo único do art. 104 do ADCT, não sendo possível autorizar as transferências voluntárias, razão pela qual negou provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Negado provimento ao recurso especial; majoração da verba honorária recursal em 1%, totalizando 12% sobre o valor da causa.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial.
- Majoração da verba honorária recursal em mais 1%, totalizando 12% sobre o valor da causa.
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DECISÃO Município de Aroeiras/PB ajuizou ação de obrigação de fazer, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, contra a União e a Caixa Econômica Federal - CEF, objetivando provimento jurisdicional que determine a celebração de contratos administrativos referentes a transferências voluntárias do Município autor. Aponta que a instituição financeira ré se recursou a firmar os Contratos de Repasse ns. 030024/2022, 022789/2022 e 023478/2022, em razão de inadimplência no pagamento de precatórios junto ao Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, pendência esta já regularizada, segundo a municipalidade autora. Na primeira instancia, a ação foi julgada improcedente (fls. 102-105). O Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, em sede recursal, negou provimento ao recurso de apelação do ente federado municipal, mantendo incólume a decisão de primeiro grau, nos termos da seguinte ementa (fls. 207-208): ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. MUNICÍPIO COM RESTRIÇÃO ATIVA EM VIRTUDE DE INADIMPLEMENTO COM O PAGAMENTO DE PRECATÓRIOS JUDICIAIS REFERENTES AO ANO DE 2019. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS IMPOSSIBILITADAS PELO INADIMPLEMENTO. OBRIGAÇÃO LEGAL. ADCT. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL E LEI Nº 10.522/2002. AQUISIÇÃO DE PATRULHA MECANIZADA E PAVIMENTAÇÃO DE RUAS. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO COMO AÇÃO DE EDUCAÇÃO, SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL. 1. Cuida-se de apelação interposta pelo município autor contra sentença do MM. Juízo Federal da 4ª Vara-PB, que julgou improcedente a ação ajuizada sob o rito do procedimento comum, objetivando, em síntese, provimento jurisdicional que determinasse a celebração de contratos administrativos referentes a transferências voluntárias ao recorrente. 2. A questão central nos autos diz respeito à possibilidade de celebração de tais contratos administrativos, a despeito do inadimplemento certificado pelo TJPB, com o consequente registro na plataforma Brasil , o que impossibilitou as transferências voluntárias pela União. 3. A restrição para transferência de recursos federais a Estados, Distrito Federal e Municípios está alicerçada no art. 104, parágrafo único, do ADCT e também é tratada na Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000) e na Lei nº 10.522/2002, admitindo-se, segundo o artigo 25, § 3º, da LRF, c/c o artigo 26 da Lei nº 10.522/2002, a possibilidade de transferência, mesmo em estado de irregularidade do ente federado, desde que se trate de recursos destinados a ações voltadas à educação, saúde e assistência social. 4. Os convênios tratados no caso concreto têm por objeto a aquisição de patrulha mecanizada e a pavimentação de ruas. 5. Não restou caracterizado, "in casu", que a aquisição de patrulha mecanizada e a pavimentação de ruas ostentem componente social relevante para serem considerados obra social. Toda obra pública, em uma perspectiva genérica, pode ser denominada obra social. Entretanto, numa perspectiva mais restrita (como é o caso aqui, para fins de aplicação do dispositivo legal), não estariam incluídas obras de infraestrutura não essenciais para atendimento a necessidades sociais prementes. Logo, a situação não se enquadra no dispositivo legal (art. 26 da Lei nº 10.522/2002 c/c art. 25, § 3º da LC nº 101/2000), para fins de excepcionar os casos de suspensão da restrição para transferência de recursos federais a Estados, Distrito Federal e Municípios. 6. Sobre o tema, esta Corte já decidiu que: (..) De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000), especialmente seu artigo 25, § 1º, IV, a regra, para fins de transferência voluntária de verbas federais, é a comprovação por parte do Ente Federado, de que está em dia com o pagamento de tributos, financiamentos e empréstimos federais, para que tenha direito a tal transferência. Entretanto, excepcionalmente, dita exigência será afastada em casos de transferência de recursos destinados a ações voltadas à educação, saúde e assistência social, conforme o teor da norma contida no parágrafo 3º do art. 25 da citada Lei; 4. Nesse mesmo sentido caminha o art. 26, da Lei n. 10.522/2002, que excepciona o caso de execução de ações sociais ou ações em faixa de fronteira, determinando a suspensão da restrição para transferência de recursos federais a Estados, Distrito Federal e Municípios nessas hipóteses. (..) (PROCESSO: 08011435420224058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 15/12/2022). 7. Ademais, a irregularidade decorrente da inadimplência no pagamento de precatórios judiciais remonta ao ano de 2019, conforme documento sob o id 4058201.11211037 (p. 2), e não logrou o recorrente demonstrar que havia sido sanada à época da pretensão de formalização dos convênios em questão. Dessa forma, as transferências voluntárias pretendidas encontram óbice no parágrafo único, do art. 104, ADCT, e não poderia ser superado, por não se tratar de casos de transferência de recursos destinados a ações voltadas à educação, saúde e assistência social, conforme o teor da norma contida no parágrafo 3º do art. 25 da LRF c/c o art. 26 da Lei nº 10.522/2002. 8. Por fim, no que pertine aos honorários fixados na sentença, verifica-se que estão adequados às faixas de percentuais previstas no Código de Processo Civil, pois fixados em 10% (dez) por cento do valor da causa, consoante art. 85, § 3º, II. 9. Apelação desprovida. Honorários advocatícios recursais estabelecidos em 1% sobre o percentual fixado na sentença, nos termos do artigo 85, §11, do Código de Processo Civil. Opostos embargos declaratórios pelo Município da Aroeiras/PB, foram eles rejeitados (fls. 213-218). Município de Aroeiras/PB interpôs recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição da República, no qual aponta a violação do art. 25, §3º, da Lei Complementar n. 101/2000, porquanto, em apertada síntese, equivocado o acórdão recorrido ao deliberar pela negativa do pedido de celebração de convênio e repasse de verbas públicas, a uma, porque devidamente demonstrando a adimplência da municipalidade com relação ao pagamento de precatório, estando regular com a obrigação, e, a duas, porque, ainda que estivesse inadimplente, seria o caso de aplicação da exceção prevista no §3º do art. 25 do citado dispositivo legal, uma vez que os objetos dos convênios se revestem de nítidas ações de assistência social e/ou saúde. Suscita, ainda, dissídio jurisprudencial entre o aresto recorrido e julgados desta Corte Superior e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, relacionados à possibilidade/regularidade de liberação de verba pública para realização de obras de caráter social. Ofertadas contrarrazões ao recurso especial às fls. 254-264 e 265-276. É o relatório. Decido. No que concerne à alegada violação do art. 25, §3º, da Lei Complementar n. 101/2000, a Corte Estadual, na fundamentação do aresto recorrido, assim firmou seu entendimento (fls. 157-158): .. . O recorrente invoca em seu favor o art. 26 da Lei nº 10.522/2002. Entretanto, não logrou demonstrar que os convênios tratados no feito, os quais têm por objeto a aquisição de patrulha mecanizada e a pavimentação de ruas, se enquadrariam nas exceções legais para efetivação das transferências, conforme § 3º, do art. 25 da LRF ou conforme o citado art. 26. Não restou caracterizado, "in casu", que a aquisição de patrulha mecanizada e a pavimentação de ruas ostentem componente social relevante para serem considerados obra social. Toda obra pública, em uma perspectiva genérica, pode ser denominada obra social. Entretanto, numa perspectiva mais restrita (como é o caso aqui, para fins de aplicação do dispositivo legal), não estariam incluídas obras de infraestrutura não essenciais para atendimento a necessidades sociais prementes. Logo, a situação não se enquadra no dispositivo legal acima transcrito (art. 26 da Lei nº 10.522/2002 c/c art. 25, § 3º da LC nº 101/2000), para fins de excepcionar os casos de suspensão da restrição para transferência de recursos federais a Estados, Distrito Federal e Municípios. Ademais, a irregularidade decorrente da inadimplência com o pagamento de precatórios judiciais remonta ao ano de 2019, conforme documento sob o id 4058201.11211037 (p. 2), e não logrou o recorrente demonstrar que havia sido sanada à época da pretensão de formalização dos convênios em questão. Dessa forma, as transferências voluntárias pretendidas encontram óbice no parágrafo único, do art. 104, ADCT, e não poderia ser superado, por não se tratar de casos de transferência de recursos destinados a ações voltadas à educação, saúde e assistência social, conforme o teor da norma contida no parágrafo 3º do art. 25 da LRF c/c o art. 26 da Lei nº 10.522/2002. .. . Consoante se depreende dos excertos reproduzidos do aresto recorrido, o entendimento adotado pelo Tribunal Estadual encontra-se em consonância com o posicionamento firmado nesta Corte Superior, no sentido de que "a ação social a que se refere o art. 26 da Lei n. 10.522/2002 é referente às ações que objetivam atender a direitos sociais assegurados aos cidadãos, cuja realização é obrigatória por parte do Poder Público, como aquelas mencionadas na Constituição Federal, nos artigos 6º, 193, 194, 196, 201, 203, 205, 215 e 217 (alimentação, moradia, segurança, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, ordem social, seguridade social, saúde, previdência social, assistência social, educação, cultura e desporto)" (REsp 1.372.942/AL, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 11/4/2014). Nesse passo, evidentemente que não são todos os serviços públicos essenciais que se enquadram no conceito de "ação social" a autorizar a suspensão da restrição para transferência de recursos federais a Estados, Distrito Federal e Municípios, pois, se assim o fosse, resultaria em verdadeira letra morta do disposto no art. 26 da Lei n. 10.522/2002, uma vez que pouco provável que um Município com restrições de crédito postulasse a exclusão de seu nome e CNPJ do cadastro de inadimplentes (SIAFI, CAUC e CADIN) objetivando a contratação e efetivação de convênios para realização de serviços não essenciais. No caso dos autos, não obstante a municipalidade recorrida defender que os convênios têm como objetivo obras de caráter social, constata-se que os objetos dos ajustes - aquisição de equipamentos para o fomento da agricultura e pavimentação de ruas para melhoria da mobilidade urbana, de acessibilidade, segurança viária, qualidade de vida e acesso ao serviço básico de qualidade" -, ainda que relevantes à comunidade local, não atendem ao disposto no art. 26 da Lei n. 10.522/2002, de modo a autorizar a liberação de verbas pública. Confira-se os seguintes julgados semelhantes à questão: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. REPASSE DE VERBA PELA UNIÃO. RESTRIÇÃO CADASTRAL NO SIAFI. SUSPENSÃO DOS EFEITOS APENAS QUANTO AOS REPASSES QUE VISEM À EXECUÇÃO DE AÇÕES SOCIAIS OU EM FAIXA DE FRONTEIRA. ART. 26 DA LEI 10.522/2002. ABRANGÊNCIA DO TERMO "AÇÕES SOCIAIS". NÃO INCLUSÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO. 1. Cuida-se de inconformismo com acórdão do Tribunal de origem que reconheceu a pretensão do município recorrido, considerando que "a implantação do Corredor Goiás, denominado BRT Norte Sul no Município de Goiânia - GO, que tem o propósito de melhorar a qualidade e a segurança do serviço de transporte coletivo oferecido aos munícipes, reveste-se de natureza social e integra às exceções dos arts. 25, § 3º, da Lei de Responsabilidade Fiscal e 26 da Lei 10.522/2002". 2. Trata-se, na origem, de Ação Ordinária proposta pelo município recorrido com o objetivo de tornar sem efeito a inscrição de seu nome em cadastros restritivos para o fim de receber recursos do Programa de Aceleração do Crescimento destinados ao Programa de Mobilidade Urbana Grandes Cidades, do Ministério das Cidades, a fim de implantar o corredor norte-sul. 3. Argumenta, a União, em apertada síntese, que "o objeto do contrato em tela tem como objetivo a pavimentação de vias do município, tratando-se, portanto, de desenvolvimento urbano, não se subsumindo na exceção legal (ação social)". 4. A suspensão da restrição para a transferência de recursos federais aos Estados, Distrito Federal e Municípios trata de norma de direito financeiro e é exceção à regra, estando limitada às situações previstas no próprio artigo 26 da Lei 10.522/2002 (execuções de ações sociais ou ações em faixa de fronteira). A interpretação da expressão "ações sociais" não pode ser abrangente a ponto de abarcar situações que o legislador não previu. Sendo assim, o conceito da expressão "ações sociais", para o fim da Lei 10.522/2002, deve ser resultado de interpretação restritiva, teleológica e sistemática, mormente diante do fato de que qualquer ação governamental em prol da sociedade pode ser passível de enquadramento no conceito de ação social. 5. O termo "ação social" presente na mencionada lei diz respeito às ações que objetivam o atendimento dos direitos sociais assegurados aos cidadãos, cuja realização é obrigatória por parte do Poder Público, como aquelas mencionadas na Constituição Federal, nos artigos 6º, 193, 194, 196, 201, 203, 205, 215 e 217 (alimentação, moradia, segurança, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, ordem social, seguridade social, saúde, previdência social, assistência social, educação, cultura e desporto). 6. O direito à infraestrutura urbana e aos serviços públicos, os quais abarcam a pavimentação e a drenagem de vias públicas, compõem o rol de prerrogativas que dão significado à garantia das cidades sustentáveis, conforme previsão do art. 2º da Lei 10.257/2001 - Estatuto das Cidades. Apesar disso, conforme a fundamentação supra, a pavimentação e drenagem de vias públicas não pode ser enquadrada no conceito de ação social previsto no art. 26 da Lei 10.522/2002. Nesse sentido: REsp 1.372.942/AL, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 11.4.2014; REsp 1.527.308/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 5/8/2015; AgRg no REsp 1.457.430/SE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 15/12/2015; . 7. Recurso Especial provido (REsp n. 1.845.224/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/12/2019, DJe de 12/5/2020). ADMINISTRATIVO. AÇÃO MOVIDA POR MUNICÍPIO INSCRITO NOS CADASTROS SIAFI/CAUC. LIBERAÇÃO DE VERBA FEDERAL DE CONVÊNIO. PAVIMENTAÇÃO DE VIAS URBANAS. OBRAS PÚBLICAS QUE NÃO SE COADUNAM COM O CONCEITO DE AÇÃO SOCIAL. ART. 26 DA LEI 10.522/2002. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DESCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NESTA CORTE SUPERIOR. I. Na origem, trata-se de ação ajuizada por Município objetivando liberação de verbas federais, independentemente de sua inscrição nos cadastros SIAF/CAUC/CADIN, com vistas à execução de pavimentação de ruas públicas, construção de quadra poliesportiva, construção de estradas vicinais e aquisição de uma motoniveladora,, II. Ação julgada procedente no Juízo de 1º Grau, com entendimento de que, embora regular a inscrição da municipalidade nos cadastros de inadimplência, as obras públicas a que se refere a lide estão enquadradas nas ações sociais, atraindo a incidência do art. 26, da Lei n. 10.522/2002. III. Sentença mantida no Tribunal a quo, com o desprovimento do recurso de apelação da União. IV. Alegação de violação de dispositivos da LC n. 101/2000, da Lei n. 8.429/1992, da Lei n. 4.320/1964 e da Lei n. 10.522/2002 que merece acolhida, considerando a impossibilidade de liberação de verbas públicas, a uma, por não restar comprovado que o atual prefeito tenha efetivado providências de responsabilização do gestor anterior; a duas, por não estarem enquadradas as obras públicas pretendidas no conceito de ações sociais. V. Aresto recorrido em dissonância com ambos os entendimentos firmados nesta Corte a respeito da matéria. Precedentes: AgInt no REsp 1721615/BA, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 25/04/2018, AgRg no REsp 1457430/SE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Primeira Turma, DJe 15/12/2015, REsp 1676509/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 10/10/2017, AgInt no AREsp 942.301/TO, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 22/06/2017. VI. Recurso especial provido (REsp n. 1.713.127/BA, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 12/2/2021). Ante o exposto, com fundamento no art. 255, §4º, III, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial, implicando, ainda, na majoração da verba honorária recursal em mais 1% (um por cento), totalizando 12% (doze por cento) sobre o valor da causa. Publique-se. Intimem-se. EMENTA