TutAntAnt 672 - ACORDAO
O agravo interno foi indeferido porque a parte agravante não apresentou argumentos novos capazes de afastar os fundamentos da decisão agravada e não demonstrou, de forma concomitante, a plausibilidade do direito (fumus boni iuris) e o perigo da demora (periculum in mora) exigidos para a concessão de tutela...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Tutela Antecipada Antecedente / Sessão Virtual De 09/12/2025 a 16/12/2025 Julgamento Colegiado
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Tutela Antecipada Antecedente, Efeito Suspensivo, Fumus Boni Iuris, Periculum in Mora, Preclusão Consumativa, Avaliação Indireta De Imóvel Rural, Cumprimento De Sentença
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Agravo Interno Na Tutela Antecipada Antecedente / Sessão Virtual De 09/12/2025 a 16/12/2025 Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 presença dos requisitos para concessão de tutela antecipada antecedente
- 2 atribuição de efeito suspensivo a recurso especial inadmitido na origem
- 3 preclusão quanto à impugnação da avaliação indireta realizada por oficial de justiça
Ratio Decidendi
O agravo interno foi indeferido porque a parte agravante não apresentou argumentos novos capazes de afastar os fundamentos da decisão agravada e não demonstrou, de forma concomitante, a plausibilidade do direito (fumus boni iuris) e o perigo da demora (periculum in mora) exigidos para a concessão de tutela antecipada antecedente, ostentando, ademais, a impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória nesta Corte conforme Súmula n.7/STJ.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/12/2025 a 16/12/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Marco Buzzi, João Otávio de Noronha, Raul Araújo e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão que indeferiu pedido de tutela antecipada antecedente. II. Questão em discussão 2. Consiste em verificar a presença dos requisitos para a concessão da medida de urgência. III. Razões de decidir 3. A parte agravante não apresentou argumentos novos capazes de afastar os fundamentos da decisão agravada. 4. O deferimento de tutela antecipada antecedente pressupõe a demonstração de elementos que evidenciem a plausibilidade do direito alegado e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 5. É inviável o deferimento da tutela antecipada antecedente na hipótese de não demonstração da presença simultânea do fumus boni iuris e do periculum in mora. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo interno improvido. Tese de julgamento: "1. O deferimento de tutela antecipada antecedente pressupõe a demonstração de elementos que evidenciem a plausibilidade do direito alegado e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo." Dispositivos relevantes citados: CF, art. 5º, XXXV; CPC, arts. 300, 995, parágrafo único, e 1.029, § 5º, I. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt na TutAntAnt n. 17/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 30/10/2023; STJ, AgInt na TutAntAnt n. 265/MS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 9/9/2024; STJ, AgInt na TutAntAnt n. 315/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 10/2/2025.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão desta relatoria, que indeferiu o pedido de tutela antecipada antecedente (fls. 241-245). Em suas razões (fls. 248-260), a parte agravante sustenta que: (i) "não restam a eles quaisquer instrumentos aptos a preservar seus direitos e interesses diante da execução de medidas expropriatórias, como é o caso do envio dos direitos aquisitivos de sua titularidade sobre um imóvel rural a leilão. Portanto, resta evidenciado o concreto e real perigo de dano, restando evidenciado e comprovado o periculum in mora, requisito indispensável ao deferimento da tutela perseguida" (fl. 250); (ii) "os Agravantes não se limitam, portanto, a impugnar a realização do laudo de avaliação por Oficial de Justiça tanto no Juízo deprecante quanto no deprecado, levantando também, por exemplo, as questões relativas à inexistência de indicação da metodologia adotada ou da indicação e qualificação das supostas fontes consultadas. Em adição, ao pretender considerar a própria (in)adequação do laudo de avaliação constante nos autos do Recurso Especial em processamento como requisito para a caracterização do fumus boni iuris, a decisão agravada está a extrapolar aquilo que é efetivamente objeto da presente Tutela. Assim, a verificação ou não de eventual preclusão - embora já tenha sido comprovada sua inexistência - cabe ao julgamento do Recurso Especial" (fl. 251); e (iii) "ao contrário do que indica a referência ao artigo 995, parágrafo único, do Código de Processo Civil feita pela decisão agravada, a presente Tutela almeja a obtenção da suspensão de atos expropriatórios e constritivos, e não a concessão de efeito suspensivo a qualquer recurso" (fl. 251). Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. O pedido de reconsideração foi indeferido (fls. 286-288). A parte agravada apresentou impugnação às fls. 280-285. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão que indeferiu pedido de tutela antecipada antecedente. II. Questão em discussão 2. Consiste em verificar a presença dos requisitos para a concessão da medida de urgência. III. Razões de decidir 3. A parte agravante não apresentou argumentos novos capazes de afastar os fundamentos da decisão agravada. 4. O deferimento de tutela antecipada antecedente pressupõe a demonstração de elementos que evidenciem a plausibilidade do direito alegado e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 5. É inviável o deferimento da tutela antecipada antecedente na hipótese de não demonstração da presença simultânea do fumus boni iuris e do periculum in mora. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo interno improvido. Tese de julgamento: "1. O deferimento de tutela antecipada antecedente pressupõe a demonstração de elementos que evidenciem a plausibilidade do direito alegado e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo." Dispositivos relevantes citados: CF, art. 5º, XXXV; CPC, arts. 300, 995, parágrafo único, e 1.029, § 5º, I. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt na TutAntAnt n. 17/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 30/10/2023; STJ, AgInt na TutAntAnt n. 265/MS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 9/9/2024; STJ, AgInt na TutAntAnt n. 315/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 10/2/2025. VOTO A insurgência não merece acolhida. A parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (fls. 241-245): Trata-se de pedido de tutela antecipada antecedente apresentado para atribuir efeito suspensivo a recurso especial inadmitido na origem devido à Súmula n. 7 do STJ (fls. 180-185). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fls. 229-230): EMENTA - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AVALIAÇÃO INDIRETA DE IMÓVEL RURAL POR OFICIAL DE JUSTIÇA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE ELEMENTOS TÉCNICOS E VALOR INCOMPATÍVEL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1) Agravo de instrumento interposto contra decisão proferida em cumprimento de sentença que homologou avaliação indireta de imóvel rural situada em Barra do Bugres/MT, realizada por oficial de justiça, com vistas à prática de atos de expropriação. Os agravantes alegam que a avaliação não considerou a delimitação precisa da área, benfeitorias, áreas de preservação e outros elementos técnicos relevantes. Sustentam que o valor apurado se baseou em quantidade incoerente de sacas de soja por hectare e diverge de avaliação anterior realizada em 2019. Requerem o provimento do recurso para determinar nova perícia judicial. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2) Há duas questões em discussão: (i) definir se a avaliação indireta realizada por oficial de justiça, sem visita à área exata do imóvel, pode ser homologada para fins de expropriação; (ii) estabelecer se os agravantes poderiam, em fase posterior, insurgir-se contra a avaliação indireta diante da ausência de manifestação no momento oportuno. III. RAZÕES DE DECIDIR 3) A ausência de impugnação, pelos agravantes, quanto à avaliação indireta determinada pelo juízo, enseja a preclusão consumativa, impossibilitando rediscussão da matéria em momento posterior. 4) A avaliação indireta foi determinada judicialmente após sucessivas tentativas frustradas de delimitação da área exata e diante da complexidade da matrícula que incluía múltiplos desmembramentos e alienações. 5) O oficial de justiça, atendendo à ordem judicial, realizou diligência com apoio técnico e baseou-se em conhecimento da região, consulta a outros avaliadores locais, afastando a alegação de ausência de elementos técnicos. 6) A discrepância entre o valor apurado na avaliação judicial e o valor indicado pelos agravantes justifica a adoção do laudo oficial, sobretudo diante da ausência de elementos mínimos e consistentes no laudo particular apresentado. 7) A possibilidade de avaliação do valor médio por hectare, conforme orientado pelo juízo deprecado, é válida quando não há delimitação precisa do imóvel e o levantamento direto se mostra inviável. IV. DISPOSITIVO E TESE 8) Recurso desprovido. Tese de julgamento: 9) A ausência de impugnação tempestiva à avaliação judicial realizada por oficial de justiça conduz à preclusão da matéria. 10) É válida a avaliação indireta de imóvel rural determinada judicialmente, quando frustradas tentativas de localização precisa da área penhorada e presentes elementos técnicos mínimos e suficientes para aferição do valor. 11) Divergência entre laudos, por si só, não justifica nova perícia quando o laudo oficial se mostra adequado e tecnicamente fundamentado. Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 370, 464, 473, 870, parágrafo único. Jurisprudência relevante citada: Não mencionada expressamente no acórdão. (destaques do original). Nas razões do recurso especial (fls. 122-133), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente, ora requerente, alegou violação dos arts. 805, 870, 873 e 874 do CPC, "ao homologar laudo de avaliação indireta realizado por Oficial de Justiça sem especialização técnica para tanto" (fl. 126). No agravo (fls. 187-196), afirmou a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Na petição inicial desta tutela provisória (fls. 2-10), a parte sustenta que: (i) a "probabilidade do direito dos Requerentes, tem-se o fato de que (i) os argumentos para contrapor a avaliação indireta realizada foram apresentados nos Juízos deprecante e deprecados e ambos se negaram a apreciá-los (doc. 02 e doc. 03) sob o fundamento teratológico de que competente era o outro juízo (o deprecante apontou o deprecado como competente e vice-versa), não tendo, assim, sido efetivamente apreciadas as razões que maculam a avaliação existente nos autos até o presente momento" (fl. 7); (ii) "o requisito de (b) perigo de dado ou risco ao resultado útil do processo está evidenciado e documentalmente provado pela decisão proferida em primeiro grau (doc. 08). Isto ocorre porque ela determina o leilão do bem de propriedade dos Requerentes penhorado, muito embora ainda se discuta nesta via recursal a fixação dos requisitos legais para se averiguar a adequação ou a inadequação do laudo de sua avaliação produzido por Oficial de Justiça, de forma a não atender os requisitos legais e em valor comprovadamente baixo" (fl. 9). Nesses termos, requer a concessão de "Tutela de Urgência, em caráter antecedente, para suspender a eficácia dos VV. Acórdãos recorridos, de forma a impedir o prosseguimento das medidas expropriatórias no cumprimento de sentença .. , que conta com determinação de leilão já deferida, bem como ordenando àquele juízo que se abstenha de deferir novas medidas constritivas e expropriatórias até o julgamento final do Recurso Especial n. 1403858-73.2025.8.12.0000, ainda em processamento na origem" (fl. 10). É o relatório. Decido. A concessão da tutela de urgência é excepcional e pressupõe a existência de decisão teratológica ou manifestamente contrária à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, somada à demonstração dos requisitos de admissibilidade do recurso especial e da plausibilidade do direito invocado, bem como do perigo na demora. Veja-se: AGRAVO REGIMENTAL EM MEDIDA CAUTELAR - PRETENSÃO VOLTADA À ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PENDENTE DE JULGAMENTO NESTA CORTE - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE JULGOU EXTINTA A MEDIDA CAUTELAR - AUSENTE O REQUISITO DO FUMUS BONI JURIS - FORTE PROBABILIDADE DE NEGATIVA DE SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL - INSURGÊNCIA RECURSAL DO REQUERENTE. 1. A concessão da medida cautelar para conferir efeito suspensivo a recurso inadmitido na origem, e objeto de agravo nos próprios autos perante esta Corte de Justiça, é excepcional e pressupõe a aferição da existência de decisão teratológica ou manifestamente contrária à jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, somada à demonstração dos requisitos da viabilidade do apelo nobre e plausibilidade do direito invocado, e do perigo da demora. Precedentes. .. . 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg na MC n. 25.391/MS, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 18/02/2016, DJe 25/02/2016.) Consoante entendimento da Segunda Seção do STJ, "o regular prosseguimento do cumprimento de sentença, por si só, não constitui o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo exigido para a concessão de tutela provisória de urgência, até porque o referido procedimento possui mecanismos próprios para evitar prejuízos ao executado. A ausência do periculum in mora basta para o indeferimento do pedido, sendo, portanto, desnecessário apreciar a questão sob a ótica do fumus boni juris, que deve se fazer presente cumulativamente" (AgInt na AR n. 7.296/DF, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 29/11/2022, DJe de 1/12/2022). Referida orientação se justifica ante a existência, no procedimento de cumprimento provisório da sentença, de mecanismos próprios voltados a preservar a parte executada de prejuízos. A propósito, confira-se o teor dos arts. 520, IV, e 521, parágrafo único, do CPC. Ademais, "a jurisprudência desta Corte é no sentindo de que o risco de dano apto a lastrear medidas de urgência, analisado objetivamente, deve revelar-se real e concreto, não sendo suficiente, para tal, a mera conjectura de riscos" (AgInt no TP n. 1.477/SP, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 16/8/2018, DJe de 22/8/2018). A ausência de demonstração do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo é suficiente para o indeferimento do pedido, sendo prescindível a análise da questão sob a ótica da probabilidade do direito, que, repita-se, deve se fazer presente cumulativamente. Na mesma linha: AgInt no TP n. 4.482/ES, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 14/6/2023; e AgInt na TutPrv no RE nos EDcl no AgRg no REsp n. 1.372.910/PE, Relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 1/2/2018, DJe de 9/2/2018. De todo modo, cabe observar que o Tribunal de origem decidiu com base nos seguintes fundamentos (fls. 234-236): Vale observar que não houve qualquer oposição das partes, aliás, os agravantes/executados sequer se insurgiram quanto à determinação de avaliação indireta. Portanto, qualquer questionamento no sentido de que o oficial de justiça não se dirigiu ao local da avaliação resta preclusa, pois, como já relatado, por duas vezes o oficial chegou a certificar a impossibilidade de deliminar a área de 4.315 ha por estar dentro de uma área maior de 8.386 ha, e, ainda assim, os agravantes não se dispuseram a acompanhar o oficial de justiça a fim de viabilizar a avaliação e muito menos requereram nomeação de um avaliador (§ único do art. 870 do CPC). Ademais, apesar dos recorrentes fazerem referência à existência de possíveis benfeitorias, sequer as apontou em seu laudo técnico avaliatório (impugnado pelos exequentes/agravados). Já no que diz respeito à discrepância de valores entre aqueles apontados pelos agravantes e o apurado pelo oficial de justiça, melhor sorte não lhes assiste. .. . Note-se que o meirinho deixou claro conhecer a localidade próxima à área objeto de avaliação, tendo tomado cuidado de consultar outro colega que também faz avaliações na região e um engenheiro, uma vez que ambos seriam conhecedores do tipo/qualidade da terra, enquanto que outros técnicos não teriam o mesmo conhecimento, já que o imóvel em questão estariam muito distante da sede daquela comarca. .. . Note-se que não se trata de mera estimativa como apontado à f. 92, se levado em conta toda dificuldade encontrada anteriormente para realização da avaliação e, principalmente, a determinação do juízo deprecado de se proceder à avaliação indireta, a qual sobrevive sem qualquer oposição. Ademais, a discrepância de valores com relação ao laudo trazido pelos agravantes foi justamente o motivo que levou à determinação de perícia judicial. Portanto, ao contrário do alegado, o laudo apresentado pelo oficial de justiça apresenta elementos suficientes para amparar a avaliação apresentada, não havendo se falar em erro a justificar determinação de nova avaliação. Assim, para modificar as conclusões do acórdão impugnado, quanto à ocorrência de preclusão, bem como no referente à adequação da avaliação judicial e à ausência de justificativa para nova perícia, é provável que seja necessário reexaminar o conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada no âmbito desta Corte, a teor da Súmula n. 7/STJ. Portanto, a princípio, o fumus boni iuris também não se encontra evidente, como exige a excepcionalidade da situação. Dessa forma, não demonstrada a existência cumulativa dos requisitos previstos no art. 995, parágrafo único, do CPC, é de rigor o indeferimento da tutela de urgência. Ante o exposto, INDEFIRO o pedido. Publique-se e intimem-se. As tutelas provisórias requeridas diretamente no STJ são admissíveis nas ações originárias ou nas hipóteses em que se tenha aberto sua competência recursal (arts. 288 do RISTJ e 299 do CPC). A competência do STJ para examinar pedido de efeito suspensivo em recurso especial instaura-se somente após ser publicada a decisão de admissibilidade do recurso, conforme expressamente dispõe o art. 1.029, § 5º, I, do CPC, bem como a teor das Súmulas n. 634 e 635 do STF. Somente em casos excepcionais, diante de flagrante ilegalidade ou teratologia da decisão, havendo risco de dano irreparável, cuja gravidade se mostre de pronto, este Tribunal supera o obstáculo para deferir a tutela de urgência, de modo a prestigiar o comando do art. 5º, XXXV, da CF. Segundo orienta a jurisprudência desta Corte, o deferimento de tutela antecipada antecedente pressupõe a demonstração de elementos que evidenciem a plausibilidade do direito alegado e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. A esse respeito, confiram-se: AGRAVO INTERNO NA TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE - AÇÃO DE INVENTÁRIO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE INDEFERIU O PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA. IRRESIGNAÇÃO RECURSAL DO REQUERENTE. 1. O uso da tutela de urgência no âmbito deste Superior Tribunal de Justiça é medida excepcional que visa a impedir o perecimento do direito e a consequente inutilidade do provimento jurisdicional futuro. 2. Para a concessão do efeito suspensivo aos recursos extraordinários, por meio de tutela de urgência, faz-se necessária a presença concomitante dos requisitos do fumus boni juris e periculum in mora: o primeiro relativo à plausibilidade, aferida em juízo sumário, da pretensão recursal veiculada no apelo extremo (sua probabilidade de êxito) e o segundo consubstanciado no risco de dano irreparável que, em uma análise objetiva, revele-se concreto e real. 3. Na hipótese, ao menos em tese, é forte a probabilidade de desprovimento do reclamo, quedando ausente requisito imprescindível ao cabimento da presente tutela de urgência, pertinente ao fumus boni juris. 4. No que alude à urgência da medida, o requerente não demonstrou sua existência, visto que o mero prosseguimento da ação de inventário com inventariante dativo não representa periculum in mora. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt na TutAntAnt n. 17/SP, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DECISÃO MANTIDA. 1. O deferimento de tutela antecipada antecedente pressupõe a demonstração de elementos que evidenciem a plausibilidade do direito alegado e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 2. No caso concreto, não se verifica a presença dos requisitos, pois não constatada a viabilidade da tese deduzida no especial, aplicando-se as Súmulas n. 7 e 83 do STJ. 3. Ademais, "a jurisprudência desta Corte é no sentindo de que o risco de dano apto a lastrear medidas de urgência, analisado objetivamente, deve revelar-se real e concreto, não sendo suficiente, para tal, a mera conjectura de riscos" (AgInt no TP n. 1.477/SP, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 16/8/2018, DJe de 22/8/2018), tal como posto pela parte requerente. Portanto, também ausente o requisito do periculum in mora. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na TutAntAnt n. 265/MS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024.) AGRAVO INTERNO NA TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. ELEMENTOS PRESCRITOS NO ART. 300 DO CPC. PRESENÇA SIMULTÂNEA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. De acordo com o art. 300 do Código de Processo Civil, a tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 2. É inviável o deferimento da tutela antecipada antecedente na hipótese de não demonstração da presença simultânea do fumus boni iuris e do periculum in mora. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt na TutAntAnt n. 315/SP, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 10/2/2025, DJEN de 13/2/2025.) No caso, como constou da decisão ora agravada, o fumus boni iuris não se encontra evidente, como exige a excepcionalidade da situação, tampouco foi constatada ilegalidade ou teratologia no acórdão recorrido, visto que o Tribunal de origem deliberou com base nos seguintes fundamentos (fls. 234-236): Vale observar que não houve qualquer oposição das partes, aliás, os agravantes/executados sequer se insurgiram quanto à determinação de avaliação indireta. Portanto, qualquer questionamento no sentido de que o oficial de justiça não se dirigiu ao local da avaliação resta preclusa, pois, como já relatado, por duas vezes o oficial chegou a certificar a impossibilidade de deliminar a área de 4.315 ha por estar dentro de uma área maior de 8.386 ha, e, ainda assim, os agravantes não se dispuseram a acompanhar o oficial de justiça a fim de viabilizar a avaliação e muito menos requereram nomeação de um avaliador (§ único do art. 870 do CPC). Ademais, apesar dos recorrentes fazerem referência à existência de possíveis benfeitorias, sequer as apontou em seu laudo técnico avaliatório (impugnado pelos exequentes/agravados). Já no que diz respeito à discrepância de valores entre aqueles apontados pelos agravantes e o apurado pelo oficial de justiça, melhor sorte não lhes assiste. .. Note-se que o meirinho deixou claro conhecer a localidade próxima à área objeto de avaliação, tendo tomado cuidado de consultar outro colega que também faz avaliações na região e um engenheiro, uma vez que ambos seriam conhecedores do tipo/qualidade da terra, enquanto que outros técnicos não teriam o mesmo conhecimento, já que o imóvel em questão estariam muito distante da sede daquela comarca. .. Note-se que não se trata de mera estimativa como apontado à f. 92, se levado em conta toda dificuldade encontrada anteriormente para realização da avaliação e, principalmente, a determinação do juízo deprecado de se proceder à avaliação indireta, a qual sobrevive sem qualquer oposição. Ademais, a discrepância de valores com relação ao laudo trazido pelos agravantes foi justamente o motivo que levou à determinação de perícia judicial. Portanto, ao contrário do alegado, o laudo apresentado pelo oficial de justiça apresenta elementos suficientes para amparar a avaliação apresentada, não havendo se falar em erro a justificar determinação de nova avaliação. (grifamos). Não houve o preenchimento concomitante dos requisitos da medida de urgência porque, em juízo de cognição sumária, parece que, para alterar as conclusões do TJMS, acerca da ocorrência de preclusão, bem como quanto à adequação da avaliação judicial e à ausência de justificativa para nova perícia, seria necessário reexaminar o conjunto fático-probatório da demanda, providência não admitida no âmbito desta Corte, a teor da Súmula n. 7/STJ. Além disso, os argumentos apresentados não são suficientes para demonstrar o periculum in mora exigido, considerando que "a jurisprudência desta Corte é no sentindo de que o risco de dano apto a lastrear medidas de urgência, analisado objetivamente, deve revelar-se real e concreto, não sendo suficiente, para tal, a mera conjectura de riscos" (AgInt no TP n. 1.477/SP, Relator Ministro Marco Buz zi, Quarta Turma, julgado em 16/8/2018, DJe de 22/8/2018). Assim, não prosperam as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. É como voto.