REsp 2175701 - DECISAO
O acórdão recorrido contrariou o entendimento pacificado no Tema 692/STJ (REsp 1.401.560/MT) e na Questão de Ordem Pet 12.482/DF, segundo os quais a reforma de decisão que antecipou efeitos da tutela e foi posteriormente revogada obriga o autor a devolver os valores dos benefícios previdenciários recebidos; a...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática, Provimento Do Recurso
- Outcome
- provimento do Recurso Especial
- Legal Topics
- Tutela Antecipada Revogada, Devolução De Valores De Benefícios Previdenciários, Tema 692/stj, Desconto Em Benefício Em Curso (limite De 30%)
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS)
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática, Provimento Do Recurso
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos por força de tutela antecipada posteriormente revogada
- 2 Possibilidade de compensação por desconto em até 30% do benefício que ainda estiver sendo pago
- 3 Confronto entre entendimento do Tribunal de origem e jurisprudência dominante do STJ (Tema 692)
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido contrariou o entendimento pacificado no Tema 692/STJ (REsp 1.401.560/MT) e na Questão de Ordem Pet 12.482/DF, segundo os quais a reforma de decisão que antecipou efeitos da tutela e foi posteriormente revogada obriga o autor a devolver os valores dos benefícios previdenciários recebidos; a devolução pode ser realizada por desconto que não exceda 30% da importância do benefício que ainda esteja sendo pago.
Court Disposition
provimento do Recurso Especial
Orders
- Determinar a devolução dos valores percebidos pela parte recorrida por força da tutela antecipada revogada
- A devolução poderá ser feita por meio de desconto em montante que não exceda 30% (trinta por cento) da importância que ainda estiver sendo paga
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS) contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fl. 68e): AÇÃO ACIDENTÁRIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PEDIDO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. ACIDENTE DO TRABALHO. INSS. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. COMPENSAÇÃO/ABATIMENTO DE VALORES. COMPENSAÇÃO DE VALORES. RECEBIMENTO DE AUXÍLIO-DOENÇA POR CONTA DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. DECISÃO FINAL QUE RECONHECE DIREITO AO AUXÍLIO- ACIDENTE. COMPENSAÇÃO APENAS POR COMPETÊNCIAS. NÃO É REGULAR E JUSTA A COMPENSAÇÃO DE VALORES EM CÁLCULO DE LIQUIDAÇÃO DE PARCELAS VENCIDAS DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO QUANDO O SEGURADO RECEBEU BENEFÍCIO DE MAIOR VALOR (AUXÍLIO-DOENÇA=91%) A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA E DEPOIS TEVE RECONHECIDO, NA DECISÃO FINAL, COM BASE NA PROVA PRODUZIDA DURANTE A INSTRUÇÃO, BENEFÍCIO DE MENOR VALOR (AUXÍLIO- ACIDENTE=50%), FACE A BOA-FÉ E O CARÁTER ALIMENTAR DA PRESTAÇÃO, CONSIDERANDO AINDA QUE A ANTECIPAÇÃO DE TUTELA FOI DEFERIDA COM BASE NOS ELEMENTOS DE PROVA ATÉ ENTÃO CONHECIDOS COMPENSAÇÃO ADMITIDA APENAS POR COMPETÊNCIA, ISTO É, NAQUELES MESES EM QUE HOUVE O RECEBIMENTO DO VALOR EM CUMPRIMENTO À DECISÃO JUDICIAL QUE ANTECIPOU A TUTELA NÃO SERÁ DEVIDO O PAGAMENTO DO BENEFÍCIO RECONHECIDO NA DECISÃO FINAL. RECURSO DESPROVIDO. Opostos Embargos de Declaração, foram rejeitados. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos arts. 297, parágrafo único, 520, I e II, 302, I e 927, III, do Código de Processo Civil, 876, 884 e 885, do Código Civil, 115, II, da Lei n. 8.213/91 e 3º da LICC, alegando-se, em síntese, que este Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Tema 692, não fez qualquer modulação dos seus efeitos, de modo que a tese firmada se aplica inclusive nos casos em que a decisão que concedeu a tutela antecipada é anterior ao julgamento do referido tema. Em sede de Juízo de Retratação, o Tribunal a quo manteve o acórdão proferido. Com contrarrazões, o recurso foi admitido . Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, a e c, e 255, I e III, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Acerca da revogação da tutela antecipada, a 1ª Seção desta Corte, no julgamento, em 12.02.2014 do Recurso Especial n. 1.401.560/MT, inclusive sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, pacificou entendimento no sentido da necessidade de devolução dos valores relativos a benefício previdenciário recebidos em razão de antecipação dos efeitos da tutela posteriormente revogada, consoante fundamentos resumidos na seguinte ementa: PREVIDÊNCIA SOCIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. REVERSIBILIDADE DA DECISÃO. O grande número de ações, e a demora que disso resultou para a prestação jurisdicional, levou o legislador a antecipar a tutela judicial naqueles casos em que, desde logo, houvesse, a partir dos fatos conhecidos, uma grande verossimilhança no direito alegado pelo autor. O pressuposto básico do instituto é a reversibilidade da decisão judicial. Havendo perigo de irreversibilidade, não há tutela antecipada (CPC, art. 273, § 2º). Por isso, quando o juiz antecipa a tutela, está anunciando que seu decisum não é irreversível. Mal sucedida a demanda, o autor da ação responde pelo recebeu indevidamente. O argumento de que ele confiou no juiz ignora o fato de que a parte, no processo, está representada por advogado, o qual sabe que a antecipação de tutela tem natureza precária. Para essa solução, há ainda o reforço do direito material. Um dos princípios gerais do direito é o de que não pode haver enriquecimento sem causa. Sendo um princípio geral, ele se aplica ao direito público, e com maior razão neste caso porque o lesado é o patrimônio público. O art. 115, II, da Lei nº 8.213, de 1991, é expresso no sentido de que os benefícios previdenciários pagos indevidamente estão sujeitos à repetição. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça que viesse a desconsiderá-lo estaria, por via transversa, deixando de aplicar norma legal que, a contrario sensu, o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional. Com efeito, o art. 115, II, da Lei nº 8.213, de 1991, exige o que o art. 130, parágrafo único na redação originária (declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal - ADI 675) dispensava. Orientação a ser seguida nos termos do art. 543-C do Código de Processo Civil: a reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários indevidamente recebidos. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1.401.560/MT, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministro ARI PARGENDLER, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/02/2014, DJe 13/10/2015). Posteriormente, mediante o julgamento de Questão de Ordem - Pet 12.482/DF -, esta Corte reafirmou o posicionamento adotado no Tema n. 692/STJ, ora referido, no sentido de que "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago". N a mesma linha, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. TEMA REPETITIVO 692/STJ (RESP 1.401.560/MT). DEVOLUÇÃO DE VALORES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS RECEBIDOS POR FORÇA DE TUTELA ANTECIPATÓRIA POSTERIORMENTE REVOGADA. POSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou posição no Tema Repetitivo 692 (REsp 1.401.560/MT) no sentido de que os valores recebidos por decisão judicial precária, posteriormente revogada, devem ser devolvidos. Proposta revisão do entendimento em Questão de Ordem autuada como Pet 12.482/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, DJe de 24.5.2022, decidiu-se no sentido de reafirmar, com ajustes redacionais, a possibilidade de devolução na referida hipótese. 2. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.020.551/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 27/3/2023 - destaque meu). SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VALORES PAGOS EM RAZÃO DE DECISÃO JUDICIAL PRECÁRIA. RESTITUIÇÃO AO ERÁRIO. CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É legítima a restituição ao Erário de valores pagos a servidor público/pensionista em razão do cumprimento de decisão judicial precária, posteriormente cassada em segundo grau de jurisdição. III - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.889.325/SC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 16/3/2023 - destaque meu). In casu, tendo o acórdão recorrido contrariado entendimento pacificado nesta Corte, de rigor sua reforma. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, c, e 255, III, ambos do RISTJ, afasto a alegação de violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para determinar a devolução dos valores percebidos pela parte recorrida por força da tutela antecipada revogada, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância que ainda lhe estiver sendo paga. Publique-se e intimem-se. EMENTA