TutCautAnt 384 - DECISAO
Não compete ao STJ atribuir efeito suspensivo a recurso especial enquanto não houver o juízo de admissibilidade realizado pelo Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de origem; em situações excepcionais tal atribuição só é admitida mediante demonstração cumulativa de fumaça do bom direito e perigo da demora, além...
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- Parties
- Requerente: TCT2 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE S.A.; Requerido: JUVENAL ASSIS DA MATTA JUNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2024
- Procedural Posture
- Tutela Cautelar Antecedente / Decisão Monocrática De Indeferimento (pedido De Efeito Suspensivo Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial indeferido
- Legal Topics
- Tutela Cautelar Antecedente, Efeito Suspensivo, Recurso Especial, Juízo De Admissibilidade, Cumprimento Provisório De Sentença, Periculum in Mora, Fumus Boni Iuris, Competência Do STJ
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Parties
TCT2 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE S.A.
Requerente
JUVENAL ASSIS DA MATTA JUNIOR
Requerido
Procedural Posture
Tutela Cautelar Antecedente / Decisão Monocrática De Indeferimento (pedido De Efeito Suspensivo Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Competência do STJ para atribuir efeito suspensivo a recurso especial antes do juízo de admissibilidade na origem
- 2 Requisitos para concessão de efeito suspensivo (probabilidade de provimento / fumaça do bom direito e perigo da demora)
- 3 Se o simples início do cumprimento provisório de sentença caracteriza periculum in mora
Ratio Decidendi
Não compete ao STJ atribuir efeito suspensivo a recurso especial enquanto não houver o juízo de admissibilidade realizado pelo Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de origem; em situações excepcionais tal atribuição só é admitida mediante demonstração cumulativa de fumaça do bom direito e perigo da demora, além de teratologia ou manifesta ilegalidade da decisão impugnada; o simples início do cumprimento provisório de sentença não caracteriza, por si só, o periculum in mora exigido para a medida; inexistindo tais requisitos, indefere-se o pedido de efeito suspensivo.
Court Disposition
Pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial indeferido
Orders
- INDEFIRO O PEDIDO de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de pedido de tutela cautelar antecedente apresentado por TCT2 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE S.A. (TCT2) objetivando a concessão de efeito suspensivo ao seu recurso especial, pendente de análise pelo juízo prévio de admissibilidade. Para tanto, esclarece ter firmado contrato de compra e venda de imóvel, garantido por alienação fiduciária, com JUVENAL ASSIS DA MATTA JUNIOR (JUVENAL) e que ele, sob o argumento de impossibilidade financeira, propôs ação de resilição contratual. Informa ter sido o pedido julgado procedente e mantida a sentença em apelação, ensejando a interposição de recurso especial. Defende a impossibilidade de se declarar o distrato, por sê-lo irretratável e irrevogável, enfatizando que não é motivo de rescisão o desinteresse do comprador e nem mesma a falta de registro (e-STJ, fl. 4), além da incidência da Lei nº 9.514/97 ao caso concreto e a inaplicabilidade do Tema nº 1095/STJ. Noticia que JUVENAL deu início ao cumprimento provisório de sentença no que toca a devolução dos valores pagos e honorários sucumbenciais. Requer, ao final, o sobrestamento do cumprimento de sentença, de sorte que a demora da apreciação jurisdicional não venha a se tornar irreversível (e-STJ, fl. 9) É o relatório. A teor do art. 1.029, § 5º, do NCPC, a competência do STJ para examinar pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso especial somente se instaura após o juízo de admissibilidade a ser realizado pelo Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de onde emergiu o acórdão impugnado. No caso, o recurso especial não foi objeto de apreciação pelo juízo prévio de admissibilidade perante o TJSP, razão pela qual não está aberta a competência desta eg. Corte Superior para análise do pedido de concessão do efeito suspensivo, incidindo, por analogia, as Súmulas nºs 634 e 635 do STF. A propósito, confira-se o seguinte julgado: AGRAVO INTERNO NA TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE - PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL - JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE PENDENTE NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ QUE INDEFERIU LIMINARMENTE O PEDIDO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE REQUERENTE. 1. Nos termos do art. 1029, § 5º, III, do CPC/2015, é da competência do Presidente ou do Vice-Presidente do Tribunal de origem atribuir ou revogar efeito suspensivo a recurso especial no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissibilidade do reclamo. Incide, nesses casos e por analogia, o enunciado das Súmulas 634 e 635 do STF. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt na TutCautAnt n. 64/RJ, rel. Min. MARCO BUZZI, Quarta Turma, DJe de 8/9/2023) PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE ABERTURA DA INSTÂNCIA ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. PERICULUM IN MORA. AUSÊNCIA. 1. Em observância aos princípios da instrumentalidade das formas, da fungibilidade recursal e da economia processual, admite-se o recebimento de pedido de reconsideração como agravo interno. 2. Nos termos do § 5º do artigo 1.029 do CPC, a competência do STJ, para apreciar o pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso especial, instaura-se após o exercício do juízo prévio de admissibilidade pelo Presidente ou Vice-Presidente do tribunal recorrido. 3. Na hipótese dos autos, além da ausência de abertura da instância especial, não restou comprovado o requisito do periculum in mora, pois o requerente não se desincumbiu do dever de demonstrar perigo real e concreto, limitando-se a afirmar, genericamente, que poderia sofrer hipotético prejuízo em futuro julgamento de seus recursos. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no TP n. 4.258/GO, relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe de 15/3/2023) Em situações excepcionalíssimas, o STJ admite a atribuição de efeito suspensivo a recurso especial ainda não submetido ao juízo de admissibilidade na origem, desde que presentes, cumulativamente, os requisitos autorizadores da medida urgente (fumaça do bom direito e perigo da demora), somados à teratologia ou manifesta ilegalidade da decisão impugnada. O cumprimento provisório de sentença, por si só, não é apto para a concessão de efeito suspensivo ao apelo nobre, em especial porque no seu procedimento existem expedientes que impedem atos que causem dados irreparáveis as partes, além da possibilidade de impugnação, nos termos do inciso IV e §1º do art. 520 do NCPC. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NA TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE. PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO A AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL, EM PROCESSAMENTO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DA PRESENTE MEDIDA. VERIFICAÇÃO. SIMPLES INÍCIO DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA. URGÊNCIA DA MEDIDA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AGRAVO INTERN O DESPROVIDO. 1. A concessão de efeito suspensivo a recurso (no caso agravo interno interposto contra deliberação unipessoal desta relatoria) pressupõe a demonstração concomitante dos requisitos da (i) probabilidade de provimento do recurso e (ii) do risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, nos termos do art. 995, parágrafo único, do CPC/2015. 2. Com efeito, em que pese a lei adjetiva civil permita o cumprimento provisório da sentença, ela também estabelece que "o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem a transferência de posse ou alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado, dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos" (inciso IV do art. 520 do CPC/2015). 3. Desse modo, mesmo nas hipóteses de dispensa da caução, estabelecidas no art. 521 do CPC/2015, a exigência da garantia, ainda assim, será mantida "quando a dispensa possa resultar manifesto risco de grave dano de difícil ou incerta reparação" (ut Parágrafo Único do art. 521 do CPC/2015), o que, em qualquer circunstância, deverá ser objeto de ponderação e idônea fundamentação pelo juízo da execução. 4. Portanto, o simples início do cumprimento provisório de sentença, expressamente admitido na lei de regência, não importa na caracterização de periculum in mora. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt na TutCautAnt n. 144/BA, rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, DJe de 28/2/2024) AGRAVO INTERNO NA TUTELA PROVISÓRIA. ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO STJ. SUPOSTA APRECIAÇÃO NA ORIGEM. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. NÃO CONHECIMENTO. ILEGALIDADE OU TERATOLOGIA NÃO EVIDENCIADAS. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS HÁBEIS PARA INFIRMAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO IMPUGNADA. .. 3. O simples fato de se ter dado início ao cumprimento provisório de sentença, por si só, não é suficiente para a atribuição de efeito suspensivo a recurso especial, tampouco para demonstrar a indispensável situação de excepcionalidade que autoriza a atuação do STJ, uma vez que a lei processual civil é taxativa ao prescrever que a execução provisória de sentença corre por conta e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no TP n. 4.240/SP, relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Quarta Turma, DJe de 4/5/2023) Ademais, não consta dos autos a ocorrência de ato judicial de constrição e expropriação de bens ou bloqueio de valores. Dessa forma, em uma análise perfunctória, própria das liminares, não antevejo, primo ictu oculi, o alegado periculum in mora, pressuposto indispensável à concessão da medida urgente. Nessas condições, INDEFIRO O PEDIDO de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA