AREsp 2674286 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão de não conhecimento para conhecer do agravo interno e dar provimento ao recurso especial, determinando a continuidade provisória da prestação de serviços pela ré, assegurando à autora a cobertura do plano contratado até o julgamento de mérito da ação, fundamentando-se na interpretação e...
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- Parties
- Agravante: ANGELA MARIA DE SOUZA RIBEIRO; Agravada: parte requerida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração Da Decisão Da Presidência; Conhecido O Agravo E Provido O Recurso Especial Determinando Continuidade Da Prestação De Serviços Até Julgamento De Mérito
- Outcome
- agravo interno provido; reconsiderada a decisão da Presidência, conhecido o agravo e provido o recurso especial para determinar a continuidade da prestação de serviços até o julgamento de mérito
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Planos De Saúde, Manutenção De Dependentes Após Falecimento Do Titular, Interpretação Dos Arts. 30 E 31 Da Lei 9.656/1998, Incidência Da Súmula 735/stf, Súmula 7/stj
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Parties
ANGELA MARIA DE SOUZA RIBEIRO
Agravante
parte requerida
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração Da Decisão Da Presidência; Conhecido O Agravo E Provido O Recurso Especial Determinando Continuidade Da Prestação De Serviços Até Julgamento De Mérito
Legal Issues
- 1 se é devido o direito de manutenção do dependente após o falecimento do titular em plano coletivo por adesão
- 2 aplicabilidade do art. 30, §1º, da Lei 9.656/98 e eventual limitação temporal
- 3 possibilidade de conhecimento de recurso especial contra decisão que deferiu tutela de urgência à luz da Súmula 735/STF
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão de não conhecimento para conhecer do agravo interno e dar provimento ao recurso especial, determinando a continuidade provisória da prestação de serviços pela ré, assegurando à autora a cobertura do plano contratado até o julgamento de mérito da ação, fundamentando-se na interpretação e aplicação dos arts. 30 e 31 da Lei 9.656/1998 quanto ao direito de permanência dos dependentes e na necessidade de preservação da eficácia da tutela enquanto não decidido o mérito, com imposição de multa em caso de descumprimento.
Court Disposition
agravo interno provido; reconsiderada a decisão da Presidência, conhecido o agravo e provido o recurso especial para determinar a continuidade da prestação de serviços até o julgamento de mérito
Orders
- Reconsiderar a decisão e-STJ fls. 621/622
- Conhecer do agravo interno
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4 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por ANGELA MARIA DE SOUZA RIBEIRO contra a decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 621/622), por falta de impugnação especifica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC. Nas presentes razões (e-STJ fls. 625/630), a agravante sustenta que impugnou todas as fundamentações constantes na r. decisão que não conheceu do recurso especial e que há tópico específico no qual se argumenta quanto à aplicação da Súmula nº 7/STJ. Impugnação apresentada às fls. 634/641. É o relatório. DECIDO. Considerando a manifestação da agravante, faz-se imperiosa a reconsideração da decisão de e-STJ fls. 621/622. Passa-se, portanto, ao exame do recurso. Trata-se de agravo interposto ANGELA MARIA DE SOUZA RIBEIRO contra decisão que negou seguimento ao recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO ORDINÁRIA - TUTELA DE URGÊNCIA -MANUTENÇÃO DO PLANO DE SAÚDE - FALECIMENTO DO TITULAR - PRAZO LIMITADO - DECISÃO MANTIDA. I - O artigo 30, §1º, da Lei nº 9.656/98 estabelece que o prazo máximo para manutenção do dependente no plano de saúde, em caso de morte do titular, é de 24 (vinte e quatro meses)" (e-STJ fl. 464). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 497/500). Em suas razões, a recorrente alega , além de divergência jurisprudencial, violação do s arts. 300 e 1.022, II e III, parágrafo único, II e 489, §1º, III e IV do CPC, 30, §3º e 31 da Lei 9.656/90 e 51, IV do CDC. Sustenta ser inaplicável a Súmula nº 735/STF, pois trata-se do caso de violação direta ao dispositivo que versa sobre a tutela de urgência. Aduz que quanto às disposições constantes do artigo 300 do CPC, no que se refere à a probabilidade do direito, não foi avaliado ou afastada a argumentação quanto à inaplicabilidade do §1º do artigo 30 da Lei 9656/98 em caso de falecimento do titular, mas somente nas hipóteses de rescisão, exoneração sem justa causa. Argumenta que tratando-se de falecimento do titular, havendo mais de 10 (dez) anos de permanência no plano de saúde, não se verifica a limitação temporal do §1º, do artigo 30 da Lei 9.656/98. Sem contrarrazões, o recurso foi inadmitido. Daí o presente agravo, no qual se busca o processamento do apelo nobre. A insurgência merece prosperar. Verifica-se que o recurso em análise foi interposto em sede de agravo de instrumento contra decisão que manteve o deferimento de tutela de urgência determinando que "a parte requerida MANTENHA e/ou RESTABELEÇA a vigência do contrato de plano de saúde pactuado, nas mesmas condições anteriores, durante o prazo de 24 (vinte e quatro) meses". O Superior Tribunal de Justiça, alinhado com o entendimento oriundo da Suprema Corte, vem aplicando, analogicamente, a orientação contida na Súmula nº 735/STF, não admitindo recursos especiais que se voltam contra decisões que deferem ou indeferem pedido de medida liminar ou antecipação de tutela, pois o julgamento de questões meritórios são inapropriadas para o momento. A propósito: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. ART. 93, IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETÊNCIA. ARTS. 11 E 489 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. OFENSA. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÃO. NÃO VERIFICAÇÃO. TUTELA DE URGÊNCIA. PERICULUM IN MORA. CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA. ART. 300 DO CPC/2015. SÚMULA Nº 735/STF. INCIDÊNCIA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Tratando-se da ponderação entre normas ou princípios eminentemente constitucionais, não cabe a esta Corte Superior apreciar a correção do entendimento firmado no acórdão recorrido, sob pena de usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Não viola o art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 nem importa em omissão a decisão que adota, para a resolução da causa, fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente. 4. Na hipótese, a decisão agravada afastou a negativa de prestação jurisdicional, porque o aresto que apreciou os declaratórios entendeu pela inexistência de omissão, tendo em vista a manifestação anterior do tribunal de origem quanto à ausência do periculum in mora, requisito necessário à concessão da tutela de urgência. 5. A jurisprudência desta Corte Superior, diante do disposto na Súmula nº 735/STF, entende que, em regra, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo. 6. Agravo interno não provido" (AgInt nos EDcl no AREsp 1.992.801/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 28/10/2022 - grifou-se). Todavia, admite-se a mitigação do entendimento acima expresso quando o recurso visa a discutir "a interpretação legal das normas que regulam o deferimento da medida" (EDcl nos EDcl no REsp 1.280.826/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/12/2014, DJe 2/2/2015). Com efeito, o acórdão recorrido assim se pronunciou: "O inconformismo da agravante diz respeito a sua manutenção no plano de saúde, com as mesmas condições anteriormente gozadas, apenas pelo período de 24 (vinte e quatro) meses. Defende que a sua permanência deverá ser indeterminada. A concessão de tutela de urgência, nos termos do artigo 300 do Código de Processo Civil, necessita de demonstração da probabilidade do direito e do perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Além disso, a medida apenas será concedida quando inexistir perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. Não se discute neste recurso o preenchimento dos requisitos para a concessão da tutela de urgência, limitando-se a prestação jurisdicional quanto ao prazo para permanência da autora/agravante no plano de saúde. A Lei nº 9.656/98 ao dispor sobre osplanos e seguros privados de assistência à saúde estabelece o direito do dependente em sem manter no plano de saúde contratado pelo titular que veio a falecer. O artigo 30, §3º desta legislação autoriza a continuidade das prestações de serviços ao dependente que, após o óbito do titular, efetuar o pagamento integral das mensalidades. Diversamente do sustentado pela recorrente, o seu direito em se manter no plano de saúde com as mesmas condições contratadas anteriormente não pode se dar por prazo indeterminado por expressa vedação legal. O §1º, do artigo 30, da Lei nº 9.656/98 explica que a permanência do beneficiário deverá respeitar um mínimo de seis meses e um máximo de vinte e quatro meses. Desse modo, a decisão agravada não deve ser reparada" (e-STJ fls. 467/469 - grifou-se ). Com efeito, a controvérsia se resume a definir se é devido o direito de manutenção da dependente após o falecimento do titular na hipótese de plano de saúde coletivo por adesão. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se posicionou expressamente quanto aos contratos coletivos por adesão no sentido de que, após o falecimento do titular, seus dependentes possuem o direito de continuar no plano de saúde, preservadas as condições anteriormente contratadas, desde que assumam as obrigações dele decorrentes. A propósito: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. CONTRATO COLETIVO DE PLANO DE SAÚDE. ÓBITO DO TITULAR. COBERTURA. DEPENDENTES. CONTINUIDADE DA VIGÊNCIA DO CONTRATO, COM A ASSUNÇÃO DAS OBRIGAÇÕES JÁ ASSUMIDAS. PRECEDENTES DO STJ. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4 º, DO NCPC. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A jurisprudência dominante do STJ orienta que, ante o falecimento do titular, os seus dependentes dispõem do direito de continuar no plano de saúde, preservadas as condições anteriormente contratadas, desde que assumam as obrigações dele decorrentes. 3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do NCPC não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória (AgInt no AREsp 1.658.454/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 31/8/2020, DJe 8/9/2020). 4. Agravo interno não provido". (AgInt no REsp 1.942.595/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/8/2021, DJe 18/8/2021 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE POR ADESÃO. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 2. MORTE DO TITULAR. EXCLUSÃO DE DEPENDENTE, APÓS A REMISSÃO. DESCABIMENTO. PRECEDENTES. 3. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação aos arts. 11, 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. Com efeito, verifica-se que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que, mesmo nos contratos de saúde por adesão, após o óbito do beneficiário titular, seus dependentes possuem o direito de permanecer no plano de saúde coletivo, mantidas as condições anteriormente contratadas, assumindo as obrigações dele decorrentes. 3. Quanto ao valor arbitrado a título de horários advocatícios, importante salientar ser unânime o entendimento desta Corte no sentido de ser possível a revisão do valor estabelecido apenas quando este se mostrar ínfimo ou exorbitante. Rever o entendimento do acórdão a quo demandaria a incursão na seara probatória, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno improvido". (AgInt no AgInt no AREsp 1.781.617/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 9/8/2021, DJe 13/8/2021 - grifou-se)
"PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. RECONSIDERAÇÃO. PLANO DE SAÚDE. CONTRATO COLETIVO POR ADESÃO. FALECIMENTO DO TITULAR. DEPENDENTE IDOSA. PRETENSÃO DE MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO. SÚMULA N. 83 DO STJ. DANO MORAL. EXISTÊNCIA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. REVISÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. JUROS DE MORA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. SÚMULA N. 83 DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXORBITÂNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. "De acordo com a jurisprudência desta Corte, ante o falecimento do titular, os seus dependentes dispõem do direito de continuar no plano de saúde, preservadas as condições anteriormente contratadas, desde que assumindo as obrigações dele decorrentes" (AgInt no AREsp n. 1.428.473/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 25/6/2019, DJe 28/6/2019). Aplicação da Súmula n. 83 do STJ. 2. Para dissentir das conclusões do acórdão de que a abrupta exclusão do plano de saúde trouxe desgaste e abalo à autora muito além daqueles habituais enfrentados no dia-a-dia, seria necessário reexaminar o conjunto fático-probatório dos autos, o que não se admite em recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do STJ. 3. Apenas em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento da Súmula n. 7 do STJ, para possibilitar a revisão. No caso, o montante estabelecido em sentença e mantido pelo Tribunal de origem não se mostra desproporcional nem desarrazoado, a justificar sua reavaliação em recurso especial. 4. "O Superior Tribunal de Justiça firmou orientação de que o termo inicial dos juros de mora, nas indenizações por danos morais decorrentes de ilícito contratual, é a data da citação" (AgInt no AREsp n. 1.728.093/RJ, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 8/2/2021, DJe 23/2/2021). Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 5. A parte foi condenada ao pagamento de verba honorária fixada em 20% (vinte por cento) do valor dos danos morais, o que, sem atualização, corresponde a R$ 3.000,00 (três mil reais), quantia que não se mostra exorbitante, a justificar sua redução em sede de recurso especial. 6. Agravo interno a que se dá provimento para reconsiderar a decisão da Presidência desta Corte e negar provimento ao agravo nos próprios autos." (AgInt no AREsp 1.760.277/PR, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 21/6/2021, DJe 25/6/2021)
"RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. CONTRATO COLETIVO POR ADESÃO. FALECIMENTO DO TITULAR. DEPENDENTE IDOSA. PRETENSÃO DE MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO. SÚMULA NORMATIVA 13/ANS. NÃO INCIDÊNCIA. ARTS. 30 E 31 DA LEI 9.656/1998. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DOS PRECEITOS LEGAIS. CONDIÇÃO DE CONSUMIDOR HIPERVULNERÁVEL. JULGAMENTO: CPC/15. 1. Ação de obrigação de fazer ajuizada em 27/11/2017, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 24/09/2019 e atribuído ao gabinete em 17/04/2020. 2. O propósito recursal consiste em decidir sobre a manutenção de dependente em plano de saúde coletivo por adesão, após o falecimento do titular. 3. Há de ser considerado, à luz do disposto na Resolução ANS 195/2009, que, diferentemente dos planos privados de assistência à saúde individual ou familiar, que são de "livre adesão de beneficiários, pessoas naturais, com ou sem grupo familiar" (art. 3º), os planos de saúde coletivos são prestados à população delimitada, vinculada à pessoa jurídica, seja esse vínculo "por relação empregatícia ou estatutária" (art. 5º), como nos contratos empresariais, seja por relação "de caráter profissional, classista ou setorial" (art. 9º), como nos contratos por adesão. 4. É certo e relevante o fato de que a morte do titular do plano de saúde coletivo implica o rompimento do vínculo havido com a pessoa jurídica, vínculo esse cuja existência o ordenamento impõe como condição para a sua contratação, e essa circunstância, que não se verifica nos contratos familiares, impede a interpretação extensiva da súmula normativa 13/ANS para aplicá-la aos contratos coletivos. 5. Em se tratando de contratos coletivos por adesão, não há qualquer norma - legal ou administrativa - que regulamente a situação dos dependentes na hipótese de falecimento do titular; no entanto, seguindo as regras de hermenêutica jurídica, aplicam-se-lhes as regras dos arts. 30 e 31 da Lei 9.656/1998, relativos aos contratos coletivos empresariais. 6. Na trilha dessa interpretação extensiva dos preceitos legais, conclui-se que, falecendo o titular do plano de saúde coletivo, seja este empresarial ou por adesão, nasce para os dependentes já inscritos o direito de pleitear a sucessão da titularidade, nos termos dos arts. 30 ou 31 da Lei 9.656/1998, a depender da hipótese, desde que assumam o seu pagamento integral. 7. E, em se tratando de dependente idoso, a interpretação das referidas normas há de ser feita sob as luzes do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03) e sempre considerando a sua peculiar situação de consumidor hipervulnerável. 8. Recurso especial conhecido e desprovido, com majoração de honorários". (REsp 1.871.326/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 1º/9/2020, DJe 9/9/2020 - grifou-se)
"CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. CONTRATO COLETIVO DE PLANO DE SAÚDE. ÓBITO DO TITULAR. COBERTURA. DEPENDENTES. CONTINUIDADE DA VIGÊNCIA DO CONTRATO, COM A ASSUNÇÃO DAS OBRIGAÇÕES JÁ ASSUMIDAS. PRECEDENTES DO STJ. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4 º, DO NCPC. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A jurisprudência dominante do STJ orienta que, ante o falecimento do titular, os seus dependentes dispõem do direito de continuar no plano de saúde, preservadas as condições anteriormente contratadas, desde que assumam as obrigações dele decorrentes. 3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do NCPC não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória (AgInt no AREsp 1.658.454/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 31/8/2020, DJe 8/9/2020). 4. Agravo interno não provido". (AgInt no REsp 1.942.595/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/8/2021, DJe 18/8/2021 - grifou-se) Assim, impõe à hipótese dos autos o regramento previsto nos artigos 30 e 31 da Lei nº 9.656/1998, que garante que, em caso de morte do titular, deve ser assegurado o direito de permanência aos dependentes. Ante o exposto, reconsidero a decisão e-STJ fls. 621/622 para conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial determinando a continuidade da prestação de serviços por parte da ré, ora agravada, assegurando à autora a cobertura do plano contratado, até o julgamento de mérito da presente ação, sob pena da multa fixada na decisão de e-STJ fls. 108, em caso de descumprimento da ordem, a incidir a partir do prazo de 24 (vinte e quatro) horas da intimação desta decisão. Publique-se. Intimem-se. EMENTA