AREsp 1999523 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, por aplicação dos óbices da Súmula 284/STF (ausência de indicação do permissivo constitucional e dos dispositivos legais supostamente violados), da Súmula 735/STF (caráter precário da tutela provisória) e da Súmula 7/STJ (vedação ao reexame do acervo fático-probatório), não se conheceu do...
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- Parties
- Agravante: WALDEMIR RODRIGUES LIMA; Respondente: Espólio de Waldemar Ferreira Lima
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Recurso Especial, Admissibilidade Recursal, Súmula 284 STF, Súmula 735 STF, Súmula 7 STJ
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Parties
WALDEMIR RODRIGUES LIMA
Agravante
Espólio de Waldemar Ferreira Lima
Respondente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de indicação do permissivo constitucional (art. 105, III, CF)
- 2 caráter precário da tutela antecipada/liminar e vedação de reexame por recurso especial
- 3 necessidade de demonstração de fumus boni iuris e periculum in mora (art. 300 CPC)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, por aplicação dos óbices da Súmula 284/STF (ausência de indicação do permissivo constitucional e dos dispositivos legais supostamente violados), da Súmula 735/STF (caráter precário da tutela provisória) e da Súmula 7/STJ (vedação ao reexame do acervo fático-probatório), não se conheceu do recurso especial interposto.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por WALDEMIR RODRIGUES LIMA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE EXIGIR CONTAS - SALDO DEVEDOR EM FAVOR DO ESPÓLIO - BLOQUEIO DE BENS DO CURADOR - REQUISITOS DA TUTELA DE URGÊNCIA PRESENTES - ARTIGO 300 CPC - DECISÃO INTERLOCUTÓRIA REFORMADA - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Demonstrado nos autos a presença dos requisitos que evidenciem o fumus boni iuris (existência de saldo devedor em favor do espólio) e o periculum in mora, o deferimento da tutela de urgência é medida que se impõe. Recurso conhecido e provido. Quanto à controvérsia, pretende a parte recorrente, em síntese, a reforma do acórdão objurgado para que seja concedido o afastamento do bloqueio dos bens, haja vista que: As assertivas iniciais estão baseadas em simples conjecturas da recorrida, mero temor subjetivo de que o recorrente não teria condições de arcar com o custo de eventual diferença, o que não é verdade. Além disso, no que diz respeito especificamente à recorrida, o conjunto probatório até aqui amealhado não evidencia a necessidade de concessão da medida severa de indisponibilidade dos móveis e imóveis de seu patrimônio. .. Por tudo isso, tais alegações devem ser rejeitadas, determinando-se a exclusão dos autos do documento colacionado, até porque não possui relação alguma com o objetivo dos autos e da perícia determinada. Ademais, os valores apresentados pelas partes e seu assistente técnico como sendo o valor da suposta diferença entre o que deveria ser entregue pelo curador, ao final do período de curatela, e o que ele realmente entregou, também não pode ser considerado. (fls. 664-666). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Isso porque, conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, inciso III, da Constituição Federal, e quais são as alíneas desse permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Esse entendimento possui respaldo em recente julgado desta Corte Superior de Justiça: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ART. 1.029 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. .. II - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a correta indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". III - Conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, o recorrente, na petição de interposição, deve evidenciar de forma explícita e específica em qual ou quais dos permissivos constitucionais está fundado o seu recurso especial, com a expressa indicação da alínea do dispositivo autorizador. Este entendimento possui respaldo em antiga jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que assim definiu: "O recurso, para ter acesso à sua apreciação neste Tribunal, deve indicar, quando da sua interposição, expressamente, o dispositivo e alínea que autoriza sua admissão. .. . (AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/06/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/06/2021. Ademais, incide, por analogia, o óbice da Súmula n. 735/STF, pois, conforme a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, é inviável, em regra, a interposição de recurso especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão a qualquer momento pela instância a quo. Destarte: "É sabido que as medidas liminares de natureza cautelar ou antecipatória são conferidas mediante cognição sumária e avaliação de verossimilhança. Logo, por não representarem pronunciamento definitivo a respeito do direito reclamado na demanda, são medidas suscetíveis de modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final. Em razão da natureza instável de decisão desse jaez, o STF sumulou entendimento segundo o qual "não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (Súmula 735/STF). O juízo de valor precário, emitido na concessão de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da referida Súmula 735/STF"". (AgInt no AREsp 1.598.838/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/8/2020.) A propósito: AgInt no AREsp 1.571.882/BA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 01/07/2020; AgInt no REsp 1.830.644/RO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26/06/2020; AREsp 1.610.726/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/06/2020; AgInt no AREsp 1.621.446/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/04/2020; AgInt no AREsp 1.571.937/PA, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/04/2020. Além disso, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Por fim, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Na hipótese dos autos, de acordo com o já consignado na decisão proferida às fls. 413-4115 do presente recurso, não obstante a ausência de homologação pelo juízo singular, os laudos periciais elaborados dão conta da existência de saldo devedor em favor do espólio de Waldemar Ferreira Lima, a ser pago pelo réu, que atuou como curador do Falecido. Com efeito, reputo presente a probabilidade do direito invocado, uma vez que, embora sejam os valores controversos, o fato é que apurou-se um saldo a ser adimplido pelo réu. Outrossim, relativamente ao perigo de dano ou ao resultado útil do processo, evidencia-se na medida em que o réu, ora agravado, pode vir a desfazer-se no seu patrimônio no intuito de frustrar futuro cumprimento de sentença a ser instaurado para adimplemento da obrigação. Em consequência, demonstrados, em sede de cognição sumária, os requisitos legais para a concessão da tutela antecipada, a confirmação da decisão liminar de fls. 413-415 é medida que se impõe. Ressalta-se que há divergências entre as partes quanto aos valores supostamente devidos pelo curador/agravado, portanto, em que pesem as alegações dos litigantes, o limite a ser bloqueado, neste momento, deve corresponder ao último valor encontrado pelo perito nomeado pelo juízo (fls. 3004/3080 dos autos de origem), no valor de R$ 322.814,66 (trezentos e vinte e dois mil, oitocentos e quatorze reais e sessenta e seis centavos) em junho/2016 uma diferença de estoque de 996 animais (com base no mês de julho/2016) (fl. 652, grifos meus). Logo, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Por certo: "No caso, o Tribunal de origem, com base nos elementos fáticos e probatórios dos autos, conclui pela presença dos requisitos autorizadores da tutela de urgência. Desse modo, a alteração das conclusões a que chegaram as instâncias ordinárias demanda o reexame do acervo fático-probatório dos autos, inviável em sede de recurso especial em razão do óbice da Súmula 7/STJ." (AgInt no AREsp 1.088.008/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 3/3/2020.) Em consonância: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.