AREsp 2254485 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento, por entender que o Tribunal de origem motivou adequadamente a decisão que indeferiu a tutela antecipada, não estando demonstrados de pronto os requisitos do art. 300 do CPC, e que eventual reforma exigiria...
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- Parties
- Agravante: VIBRA ENERGIA S.A.; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Em Agravo Para Exame De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Tutela Antecipada, Probabilidade Do Direito, Perigo De Dano Ou Risco Ao Resultado Útil Do Processo, Contraditório E Ampla Defesa, Súmula 7/stj, Súmula 735/stf, Honorários Sucumbenciais
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Parties
VIBRA ENERGIA S.A.
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Em Agravo Para Exame De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de recurso especial contra decisão que indeferiu tutela antecipada
- 2 necessidade de prova inequívoca da verossimilhança e do perigo de dano para concessão de tutela de urgência
- 3 impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório por força da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento, por entender que o Tribunal de origem motivou adequadamente a decisão que indeferiu a tutela antecipada, não estando demonstrados de pronto os requisitos do art. 300 do CPC, e que eventual reforma exigiria reexame de questões fáticas e probatórias vedado pela Súmula 7 do STJ; ademais, a via recursal contra decisão interlocutória de natureza precária é inadequada salvo para discussão pontual de dispositivos do art. 300, o que não se verificou.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intime-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por VIBRA ENERGIA S.A. e OUTRO contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO - Interposição contra decisão que indeferiu tutela antecipada. Impossibilidade de se determinar a antecipação dos efeitos da tutela buscada, diante da ausência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, nos termos dos artigos 294 e 300 do Código de Processo Civil/2015. Ampla defesa e contraditório indispensáveis, como garantia constitucional. Decisão mantida. Agravo de instrumento não provido" (e-STJ fl. 175). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 186/191). No especial, a recorrente aponta violação dos arts. 186, 474 e 927 do Código Civil e 300, 489, § 1º, III, e 1.022 do Código de Processo Civil, argumentando, em síntese, que foram preenchidos os requisitos legais para o deferimento da tutela de urgência, pois: "(..) (i) demonstrada a probabilidade do direito em razão de disposição contratual expressa e (ii) fora demonstrado o perigo de dano em razão do risco a que se sujeitam os consumidores que adquirem combustíveis no posto recorrido sem ter conhecimento de sua procedência e qualidade, bem como o dano irreversível causado à Vibra, que vê sua imagem maculada pela utilização indevida do trade dress dos postos BR por sujeito que não comercializa seus combustíveis, ao menos não de forma exclusiva" (e-STJ fl. 201). Não foram apresentadas contrarrazões. O Presidente do tribunal de origem inadmitiu o recurso especial, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. Cuida-se, na origem, de agravo de instrumento interposto contra a decisão que indeferiu o pedido de tutela antecipada, tendo o tribunal de origem concluído que: "(..) Com efeito, de acordo com a previsão dos artigos 294 e 300 do Código de Processo Civil/2015, para que o MM. Juízo possa conceder a tutela provisória de urgência, deve haver prova inequívoca do direito invocado, de modo a convencê-lo da verossimilhança da alegação. Necessário também que haja fundado receio de dano irreversível ou de difícil reparação, ou fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou, ainda, o manifesto propósito protelatório do réu. Pela análise dos autos, logo se constata que o caso não reúne de pronto e por si só tais pressupostos. A pretensão do insurgente, ao menos por ora, afigura-se prematura. Não é o caso de se deferir a tutela pleiteada, levando-se em conta tão-somente a versão unilateral apresentada. Sem solução de mérito, e apenas em análise não exauriente como próprio das tutelas provisórias, no caso, não se mostra demonstrado de pronto se há ou não descumprimento contratual pela parte agravada, ainda que existam certos indícios, apenas podendo ser verificado com a regular instauração do contraditório. Frise-se que, ao menos preliminarmente, os documentos juntados aos autos e os fatos narrados não são suficientes para comprovar a verossimilhança das alegações. A matéria em debate necessita ser devidamente comprovada em Juízo, conferindo-se ao agravado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Não se ignora que a antecipação dos efeitos da tutela pode ocorrer excepcionalmente sem a oitiva da parte contrária (inaudita altera pars) ou seja, com contraditório diferido no tempo, em determinados casos, contudo, para a situação tratada, vê-se que não há presença dos requisitos exigidos, notadamente a probabilidade do direito, em que pesem as alegações no sentido da demonstração do risco de dano e do perigo da demora. No caso, considera-se precipitada qualquer providência de caráter antecipatório, sem que seja conferida ao agravado a oportunidade de se manifestar adequadamente sobre os fatos alegados na inicial, posto que a causa não se apresenta madura o suficiente para a antecipação dos efeitos da pretendida tutela. Nada impede, porém, que o Juízo reforme o seu entendimento, concedendo a tutela de urgência se, no decorrer da instrução processual, entender cabível. Deste modo, sem que seja dada a oportunidade ao contraditório, não é possível de pronto concluir pela plausibilidade do direito a respeito. Isso até para que não seja afrontada a ampla defesa e o contraditório, indispensáveis, como garantia constitucional. Por tudo isto, não há como se acolher o pedido, uma vez que não se vislumbra estarem presentes os requisitos dos artigos 294 e 300 do Código de Processo Civil/2015. Destarte, o agravo não comporta provimento, encontrando-se acertada a decisão proferida em primeira instância" (e-STJ fls. 176/177 - grifou-se). De início, no tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) Quanto ao mérito, esta Corte Superior entende não ser cabível recurso especial quanto à alegação de ofensa a dispositivos de lei relacionados com a matéria de mérito da causa que, em liminar ou antecipação de tutela, é tratada apenas sob juízo precário de mera verossimilhança, "porquanto tal matéria, somente haverá causa decidida em única ou última instância com o julgamento definitivo, atraindo, analogicamente, o enunciado da súmula 735 do STF: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar"" (REsp nº 765.375/MA, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/4/2006, DJ 8/5/2006). Ademais, a revisão das conclusões do acórdão a respeito do não atendimento dos requisitos para a concessão da tutela de urgência, esbarra, inevitavelmente, no óbice da Súmula nº 7/STJ, visto que não cabe ao Superior Tribunal de Justiça reexaminar as premissas de fato que levaram o tribunal de origem a tal conclusão, sob pena de usurpar a competência das instâncias ordinárias, a quem compete amplo juízo de cognição da lide. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. EMPRESARIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TUTELA DE URGÊNCIA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. RECURSO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO LIMINAR/ANTECIPATÓRIA DE TUTELA. SÚMULA N.º 735 DO STF. PRECEDENTES. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. Esta Corte, em sintonia com o disposto na Súmula n.º 735 do STF (Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar), entende que, em regra, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela. Precedentes. 5. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. 6. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp n. 2.245.165/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 31/5/2023) "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA NA FORMA DO CPC E DO RISTJ. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA VENTILADA NO RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS N. 211 DO STJ E 282 DO STF. PREQUESTIONAMENTO FICTO. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. TUTELA DE URGÊNCIA. SÚMULA N. 735 DO STF. ART. 300 DO CPC. REQUISITOS. NECESSIDADE DE REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (..) 4. Em razão da natureza precária da decisão que defere ou indefere liminar ou daquela que julga a antecipação da tutela, é inadequada a interposição de recurso especial que tenha por objetivo rediscutir a correção do mérito das referidas decisões, por não se tratar de pronunciamento definitivo do tribunal de origem, atraindo, por analogia, a incidência da Súmula n. 735 do STF. 5. O Superior Tribunal de Justiça, excepcionalmente, admite a interposição de recurso especial contra acórdã o que decide sobre pedido de antecipação da tutela, para tão somente discutir eventual ofensa aos próprios dispositivos legais que disciplinam a matéria da tutela provisória descrita no art. 300 do CPC. 6. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ na hipótese em que o acolhimento da tese defendida no recurso especial reclama a análise dos elementos probatórios produzidos ao longo da demanda. 7. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp n. 2.032.386/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 3/7/2023) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intime-se. EMENTA