AREsp 2666880 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque este foi dirigido contra acórdão que apreciou tutela provisória (matéria de cognição sumária suscetível de modificação) e, ademais, parte da fundamentação do acórdão estava assentada em norma infralegal, circunstâncias que, na orientação...
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- Parties
- Agravante: U DE O C DE T M; Recorrente: Unimed de Ourinhos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Planos De Saúde, Rol Da ANS, Admissibilidade Do Recurso Especial, Reexame De Tutela Provisória
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Parties
U DE O C DE T M
Agravante
Unimed de Ourinhos
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de recurso especial contra acórdão que analisa tutela provisória
- 2 aplicabilidade da Súmula 735/STF à hipótese
- 3 obrigatoriedade de cobertura de tratamento não incorporado ao rol da ANS
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque este foi dirigido contra acórdão que apreciou tutela provisória (matéria de cognição sumária suscetível de modificação) e, ademais, parte da fundamentação do acórdão estava assentada em norma infralegal, circunstâncias que, na orientação jurisprudencial invocada (Súmula 735/STF e precedentes do STJ), impedem o seguimento do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por U DE O C DE T M contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: OBRIGAÇÃO DE FAZER C.C. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL - DECISÃO QUE INDEFERIU, EM RAZÃO DE PARECER DO NAT-JUS DESFAVORÁVEL À PRETENSÃO, A TUTELA DE URGÊNCIA QUE OBJETIVA A AUTORIZAÇÃO CUSTEIO DO TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR PELO MÉTODO DE INTEGRAÇÃO GLOBAL (MIG) - INCONFORMISMO DA AUTORA - ACOLHIMENTO - PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ART. 300 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - AGRAVANTE DIAGNOSTICADA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA - TRATAMENTO MÉDICO INDICADO POR ESPECIALISTAS - NECESSIDADE DA PACIENTE INCONTROVERSA - INCIDÊNCIA DA SÚMULA 102 DESTE TRIBUNAL - DECISÃO REFORMADA PARA O FIM DE DEFERIR A TUTELA DE URGÊNCIA, DEVENDO A RÉ AUTORIZAR/CUSTEAR INTEGRALMENTE OS TRATAMENTOS MULTIDISCIPLINARES PRESCRITOS, NO PRAZO DE 5 (CINCO) DIAS. SOB PENA DE MULTA DIÁRIA DE R$ 1.000.00. LIMITADA A 30 (TRINTA) DIAS - RECURSO PROVIDO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 300 do CPC, no que concerne à necessidade de revogação da tutela concedida, tendo em vista que não houve comprovação da negativa de cobertura de tratamento multidisciplinar, pois há profissionais aptos na rede credenciada e não houve demonstração de que os métodos oferecidos fossem ineficazes, trazendo a seguinte argumentação: Como se verifica, a recorrida tem mais de 8 anos de idade e padece da enfermidade desde o seu nascimento e o tratamento, através da aplicação de métodos reconhecidos, como comprovado, pode ser realizado junto à rede credenciada da Unimed de Ourinhos, dessa forma, não há que se alegar a urgência na pretensão, o qual, repita-se, está autorizado junto à rede credenciada da recorrente, inclusive, como atestado na Nota Técnica da lavra do NATJUS-TJ/SP. Vale frisar que, no momento da contratação, a recorrida foi devidamente informada acerca da cobertura da rede credenciada, dos limites contratuais, da área geográfica etc., portanto, não se verifica a urgência alegada, ainda mais quando o tratamento está autorizado. Causa espécie que, a despeito de autorizado o tratamento pela recorrente em sua rede, com a aplicação de métodos comprovadamente eficazes, a recorrida tenha ingressado em juízo para redirecionar o atendimento para clínica particular para se submeter a tratamentos experimentais e que não são recomendados pelos inúmeros técnicos do NATJUS. Destaca-se que no momento da contratação, a recorrida optou por uma modalidade contratual e no momento da execução da avença pretende prestação que não foi objeto do pacto em evidente violação à boa-fé objetiva. Se pretendida ter a livre escolha de profissionais e instituições para o seu atendimento, deveria ter contratado um seguro saúde que, consequentemente, teria uma mensalidade muito superior à por ele paga. Por fim, também não há a probabilidade de direito para a manutenção da tutela de urgência que se visa reformar, como pacificado por esse Egrégia Corte. Como narrado, verifica-se que a recorrida não comprovou o fato constitutivo de direito, como exige o art. 373, I, do CPC. Isso porque, não demonstrou a superioridade técnica do tratamento pretendido (MIG) em detrimento dos convencionais oferecidos pela recorrente, cujos métodos são reconhecimentos pela literatura especializada e integram o rol de procedimento obrigatórios da ANS. .. Ora Excelência, conforme se verifica de todo o laudo médico, atestou-se a ausência de comprovação do método de tratamento pretendido pela recorrida. Importante ressaltar que a recorrente já juntou inúmeros documentos que comprovam que as clínicas que integram sua rede credenciada dispõem de profissionais capacitados e que adotam inúmeros métodos amplamente utilizados no tratamento de crianças com TEA (ABA, integração sensorial etc.), aptas a prestar o devido atendimento da autora. E, comprovada a cobertura do tratamento por parte da recorrente, cujos credenciados utilizam todos os métodos e protocolos reconhecidos pela Medicina Baseada em Evidências e, não havendo qualquer comprovação de que o método pretendido (MIG) seja superior aos habitualmente praticados, a pretensão deverá ser rechaçada, a teor da jurisprudência pacificada pelo STJ (EREsp 1886929 e EREsp 1889704) e do art. 10, §§ 12 e 13, incisos I e II, da Lei nº 9.656/98, com as alterações introduzidas pela Lei nº 14.454/2022 (SIC). Como restou comprovado pelo laudo técnico do NAT-JUS, não estão presentes quaisquer das situações excepcionais que obriguem a operadora de plano de saúde a custear tratamento que não integra o rol taxativo da ANS, o que ratificam as razões articuladas e impedem a concessão da tutela pretendida. Ademais, a recorrente não comprovou a negativa da cobertura de tratamento multidisciplinar, tampouco que os métodos oferecidos fossem ineficazes. .. Portanto, verifica-se que o v. acórdão deixou de observar o definido pela Corte Superior, haja vista que a autora, ora recorrida, não comprovou que não obteve sucesso com as terapias convencionais elencadas no rol da ANS, como determina o precedente citado. .. Por conseguinte, não há justa causa para se negar o atendimento multidisciplinar, contudo, cabe ao Plano de Saúde disponibilizar o profissional dessas especialidades e não esse ou aquele método. Inclusive, o art. 5º, da RN n.º 456/2021, esclarece que os procedimentos e eventos nela listados podem ser executados por qualquer profissional de saúde habilitado para o exercício e sua profissão inscrito junto ao seu conselho profissional. .. Ademais, como discorrido pela recorrida, o método MIG se vale de órtese não ligada por ato cirúrgico, por conseguinte o seu fornecimento não é obrigatório pela recorrente, já que expressamente excluído, nos moldes do art. 10, inciso VII, da Lei n.º 9.656/98. .. Isso porque, a opinião do médico do paciente (consumidor), por si só, não configura uma verdade absoluta para tornar incontroversa, do ponto de vista técnico, a indicação deste ou daquele tratamento, inclusive, como já se verificou em diversos casos, além de questionamentos sanitários quanto à prescrição, muitas delas são contaminadas por interesses econômico-financeiros dos médicos e clínicas envolvidos, como já constado em inúmeras ocasiões (Lembre-se, por exemplo, o escândalo das máfias das próteses e da pílula do câncer amplamente veiculadas pela imprensa). Inclusive essa "expressa indicação médica" é flexibilizada pela própria ANS que prevê a possibilidade de realização de uma junta médica oficial, formada por três profissionais ou através de consulta aos especialistas que compõem o NATJUS, donde resultará, com base na literatura científica, uma solução conjunta que se amolde às nuances do caso concreto. .. Vale destaque que o tratamento citado (método MIG) ainda não foi incorporado no rol de procedimentos da ANS, tampouco é disponibilizado no SUS, ainda mais porque apenas é disponibilizado por uma espécie de rede de clínicas "franqueadas". Trata-se, de fato, de verdadeira marca que se distingue pela utilização de prótese - não ligada ao ato cirúrgico - e a utilização de aplicativo para acompanhamento do atendimento. Nada mais!! É notório que novas técnicas aparecem todos os dias e é imprescindível cautela para incorporação delas no mercado. De todo modo, como mencionado, a Unimed de Ourinhos disponibiliza o atendimento multidisciplinar - com diversas abordagens modernas e reconhecidas (ABA, PROMPT, BOBATH etc.) - em sua rede credenciada através de psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e fisioterapeutas aptos ao atendimento da recorrida. Por conseguinte, inexistindo a probabilidade de direito invocada pela recorrida para a concessão da tutela de urgência resta afrontado o artigo 300, do Código de Processo Civil, aliado ao fato de que há evidente risco de dano irreparável à recorrida, na medida em que, como é incontroverso, a recorrente disponibilizou tratamento à recorrida dentro dos limites contratados, a reforma do v. acórdão é medida que se impõe (fls. 411/426). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide, por analogia, o óbice da Súmula n. 735/STF, pois, conforme a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, é inviável, em regra, a interposição de recurso especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão a qualquer momento pela instância a quo. Nesse sentido: "É sabido que as medidas liminares de natureza cautelar ou antecipatória são conferidas mediante cognição sumária e avaliação de verossimilhança. Logo, por não representarem pronunciamento definitivo a respeito do direito reclamado na demanda, são medidas suscetíveis de modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final. Em razão da natureza instável de decisão desse jaez, o STF sumulou entendimento segundo o qual "não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (Súmula 735/STF). O juízo de valor precário, emitido na concessão de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da referida Súmula 735/STF"". (AgInt no AREsp 1.598.838/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/8/2020.) Confira-se ainda o seguinte precedente: AgInt no AREsp 1.571.882/BA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 01/07/2020; AgInt no REsp 1.830.644/RO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26/06/2020; AREsp 1.610.726/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/06/2020; AgInt no AREsp 1.621.446/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/04/2020; AgInt no AREsp 1.571.937/PA, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/04/2020. Ademais, não é cabível o recurso especial porque interposto contra acórdão com fundamento em norma infralegal, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Nesse sentido: "Apesar de a recorrente ter indicado violação de dispositivos infraconstitucionais, a argumentação do decisum está embasada na análise e interpretação da Resolução 414/2010 da ANEEL, norma de caráter infralegal cuja violação não pode ser aferida por meio de recurso especial". (AgInt no AREsp n. 1.621.833/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 16/06/2021). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: REsp n. 1.517.837/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 10/05/2021; AgInt no REsp n. 1.859.807/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/06/2020; AgInt no AREsp n. 1.673.561/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 25/03/2021; AgInt no AREsp n. 1.701.020/DF, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA