AREsp 2557676 - DECISAO
O agravo foi negado provimento porque a insurgência busca reexaminar o indeferimento da tutela de urgência e a análise da teoria do terceiro cúmplice, o que demandaria dilação probatória e reexame do acervo fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, além de incidir o óbice da...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Inspira; Recorridos: Réus; Pessoa Física: André Pinon; Pessoa Física: Leopoldo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Decisão Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça, Denegatório (nego Provimento Ao Agravo)
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Cláusula De Não Concorrência, Reexame Fático Probatório, Súmula 735/stf, Súmula 7/stj, Omissão/embargos De Declaração
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Inspira
Recorrente
Réus
Recorridos
André Pinon
Pessoa Física
Leopoldo
Pessoa Física
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Decisão Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça, Denegatório (nego Provimento Ao Agravo)
Legal Issues
- 1 alegação de omissão e ausência de fundamentação nos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 2 possibilidade de reexame do indeferimento de tutela de urgência em recurso especial
- 3 aplicação da Súmula 735 do STF quanto à impossibilidade de recurso extraordinário/especial contra decisão que defere ou indefere liminar
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento porque a insurgência busca reexaminar o indeferimento da tutela de urgência e a análise da teoria do terceiro cúmplice, o que demandaria dilação probatória e reexame do acervo fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, além de incidir o óbice da Súmula 735 do STF quanto à natureza precária das decisões liminares; não se constatou omissão nos fundamentos do acórdão recorrido quanto aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto em face de acórdão assim ementado (fl. 312): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE INDEFERE TUTELA DE URGÊNCIA. NÃO SE ENCONTRAM PRESENTES OS REQUISITOS PARA O DEFERIMENTO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. PREJUDICADO O AGRAVO INTERNO. RECURSO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Na origem, cuida-se de agravo de instrumento interposto pela parte ora recorrente em face de decisão que indeferiu medida liminar por meio da qual pretendia resguardar acordo de não concorrência firmado entre as partes. O recurso foi desprovido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial (fls. 421/434), a recorrente indica violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do Código de Processo Civil; bem como divergência jurisprudencial. Alega que "opôs embargos de declaração contra o v. acórdão, visto que ele não enfrentou nenhum dos argumentos deduzidos pela Inspira em suas razões recursais, a respeito da presença dos requisitos para a concessão da tutela de urgência e da possibilidade de análise desta pretensão em sede de cognição sumária, mas as omissões foram mantidas". Argumenta que: "O v. acórdão recorrido, ao indeferir a concessão da tutela de urgência requerida pela Inspira sob o fundamento de que "a análise da teoria do terceiro cúmplice se confunde com o mérito e não pode ser analisada em sede de cognição sumária" foi de encontro com decisão paradigma de outro tribunal, que deu à lei interpretação divergente, o que enseja o presente recurso especial, nos termos do art. 105, III, "c" da Constituição da República". Sem contrarrazões (fl. 474). O recurso especial não foi admitido na origem, ensejando a interposição do presente agravo. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Inicialmente, no que diz respeito à alegação de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, verifico que não existe omissão ou ausência de fundamentação na apreciação das questões suscitadas. Não é omissa nem carece de fundamentação a decisão judicial que, embora decida em sentido contrário aos interesses da parte, examina suficientemente as questões que lhe foram propostas, adotando entendimento que ao órgão julgador parecia adequado à solução da controvérsia. Além disso, não se exige do julgador a análise de todos os argumentos das partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos, a que está o magistrado obrigado, encontra-se objetivamente fixado nas razões do acórdão recorrido. No caso, o Tribunal de origem elencou expressamente os motivos pelos quais manteve a decisão que indeferiu a tutela de urgência, ao concluir pela não caracterização dos requisitos que autorizariam o deferimento provisório pretendido. Foi consignado no acórdão que, "conforme ressaltado pela decisão guerreada, a cláusula de não concorrência é direcionada às pessoas físicas André Pinon e Leopoldo e não aos Réus, sendo certo que a análise da teoria do terceiro cúmplice se confunde com o mérito e não pode ser analisada em sede de cognição sumária, dependendo de maior dilação probatória" (fl. 317). Com efeito, está sedimentado na jurisprudência desta Corte Superior, à luz da Súmula 735/STF, o entendimento de que não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar, em razão da sua natureza precária. Na hipótese, como se observa do acórdão recorrido, a agravante pretende impugnar, via recurso especial, o indeferimento de liminar, alegando que os pressupostos para o deferimento da medida estariam preenchidos. Reafirmando a jurisprudência desta Corte, todavia, anoto que a verificação do preenchimento ou não dos requisitos necessários para o deferimento da medida acautelatória, no caso em apreço, não só esbarra no óbice da Súmula 735 do STF, como demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, inviável em sede de recurso especial, em razão da Súmula 7 do STJ. Confiram-se, a propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE DESFAZIMENTO CONTRATUAL C/C INDENIZATÓRIA. PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA. REQUISITOS. AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022, AMBOS DO NCPC. INOCORRÊNCIA. TEMPESTIVIDADE AFERIDA EM FATOS E PROVAS. REQUISITOS DA LIMINAR. REFORMA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA MEDIDA EM RECURSO ESPECIAL. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DESTA CORTE. INVIABILIDADE. APRECIAÇÃO DE QUESTÃO DE DECISÃO LIMINAR OU DE TUTELA ANTECIPADA. SÚMULA Nº 735 DO STF. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 3. O exame pormenorizado dos requisitos necessários à antecipação dos efeitos da tutela envolve inevitável revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, procedimento sabidamente inviável na instância especial, com respaldo na Súmula nº 7 do STJ. 4. A teor do que dispõe a Súmula nº 735 do STF, não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar. Desse modo, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela. 5. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.698.885/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 23/2/2022) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO EM RAZÃO DE SUA INTEMPESTIVIDADE. IRRESIGNAÇÃO DAS AGRAVANTES. .. 2. Conforme a orientação jurisprudencial adotada por este Superior Tribunal de Justiça, é incabível, em regra, o recurso especial em que se postula o reexame do deferimento ou indeferimento de medida acautelatória ou antecipatória, ante a natureza precária e provisória do juízo de mérito desenvolvido em liminar ou tutela antecipada, cuja reversão, a qualquer tempo, é possível no âmbito da jurisdição ordinária, o que configura ausência do pressuposto constitucional relativo ao esgotamento de instância, imprescindível ao trânsito da insurgência extraordinária. Incidência da Súmula 735 do STF. 3. A alteração da conclusão adotada pela Corte de origem demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão de fls. 1.118/1.119 (e-STJ) e, de plano, negar provimento ao agravo em recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.620.025/RN, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 29/6/2021, DJe de 2/8/2021) Alterar a conclusão do acórdão recorrido demandaria o reexame do acervo fático-probatório dos autos, medida que esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Como a decisão recorrida na origem tem natureza precária, sujeitando-se a modificação a qualquer momento, necessário aguardar a confirmação ou revogação da liminar na sentença, a fim de que, percorrendo-se as vias ordinárias, seja cabível o recurso para o Superior Tribunal de Justiça. Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Intimem-se. EMENTA