AREsp 2704905 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a revisão da decisão que deferiu a tutela de urgência implicaria reexame de matéria fático-probatória e porque decisões liminares têm natureza precária, aplicando-se, por analogia, a Súmula 735/STF e impedindo-se o reexame factual por força da Súmula...
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- Parties
- Recorrente: NOTRE DAME INTERMEDICA SAUDE S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial (decisão Sobre Seguimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Obrigação De Fazer, Plano De Saúde, Súmula 735/stf, Súmula 7/stj, Reexame De Matéria Fático Probatória
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Parties
NOTRE DAME INTERMEDICA SAUDE S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial (decisão Sobre Seguimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Cabimento de agravo em recurso especial contra decisão que deferiu tutela de urgência
- 2 Reexame de decisão que defere tutela de urgência e natureza precária da tutela
- 3 Aplicação da Súmula 735 do STF por analogia
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a revisão da decisão que deferiu a tutela de urgência implicaria reexame de matéria fático-probatória e porque decisões liminares têm natureza precária, aplicando-se, por analogia, a Súmula 735/STF e impedindo-se o reexame factual por força da Súmula 7/STJ.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por NOTRE DAME INTERMEDICA SAUDE S.A. (NOTRE DAME) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Não foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c , da CF, NOTRE DAME alegou, a par de dissídio jurisprudencial, a violação aos arts. 300 do CPC e 10 e 12 da da Lei n. 9.656/98, ao sustentar, em síntese, (1) que não se fazem presentes os requisitos da concessão da tutela de urgência; 2) que não está obrigada ao custeio de tratamento não previsto no rol taxativo da ANS; e que (3) o reembolso deve ocorrer nos limites do contrato. Pois bem! Ao que se tem dos autos, cuida-se, na origem de recurso de agravo de instrumento que deferiu a tutela de urgência para a ora recorrente forneça o "exame de investigação molecular através de painel de genes para câncer hereditário, abrangendo, pelo menos, os genes: APC, ATM, BAP1, BARD1, BLM,BMPRIA, BRCAI, BRCA2, BRIPI, CDHI, CDK4, CDKN2A, CHEK2, EGFR, EPCAM, FANCC,FANCM, MENI, MET, MLHI, MSH2, MSH3, MSH6, MUTYH, NBN, NTHL1, PALB2, PMS2, POLD1, POLE, PTEN, RADSIC, RADS1D, RECOL, RET, STK11 e TP53", respeitando-se a prescrição do especialista, sob pena de multa diária no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), limitada a R$50.000,00 (e-STJ, fl.78.). Na linha da jurisprudência desta eg. Corte Superior, em regra, não é cabível recurso especial com o objetivo de reexaminar acórdão que defere ou indefere medida liminar ou antecipação de tutela, em virtude da natureza precária do provimento jurisdicional concedido pela origem, e que está sujeito a modificação a qualquer tempo. Incidência, por analogia, da Súmula n. 735 do STF, verbis: não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS Nº 7/STJ E Nº 735/STF. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, haja vista a natureza precária da decisão, a teor do que dispõe a Súmula nº 735/STF. 2. Rever as conclusões do tribunal recorrido demandaria o reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 573.120/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado aos 3/2/2015, DJe de 9/2/2015). Além do mais, qualquer outra análise acerca dos requisitos para a tutela liminar, da forma como trazida no apelo nobre, implicaria o reexame da prova, o que é inviável nos termos da Súmula n. 7 do STJ. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Inaplicável ao caso a majoração de honorários. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TUTELA DE URGÊNCIA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE DEFERIU PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 735 DO STF. REFORMA DO JULGADO. NECESSIDADE DO REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.