AREsp 2727649 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque o acórdão recorrido deferiu tutela provisória, matéria de cognição sumária sujeita à modificação (aplicação analógica da Súmula 735/STF), a decisão fundou-se em prova técnico-pericial cuja reanálise está vedada ao Recurso Especial (Súmula 7/STJ), e...
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- Parties
- Agravante: CONCAL XIX EMPREEDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissão/conhecimento De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Tutela Antecipada, Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Probabilidade Do Direito, Perigo De Dano Iminente
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Parties
CONCAL XIX EMPREEDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissão/conhecimento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do Recurso Especial contra decisão que concede tutela provisória
- 2 requisitos da tutela de urgência (art. 300 CPC/15 e §3º) e risco de irreversibilidade
- 3 incidência das Súmulas 735/STF e 7/STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque o acórdão recorrido deferiu tutela provisória, matéria de cognição sumária sujeita à modificação (aplicação analógica da Súmula 735/STF), a decisão fundou-se em prova técnico-pericial cuja reanálise está vedada ao Recurso Especial (Súmula 7/STJ), e não foi demonstrado cotejo analítico apto a comprovar dissídio jurisprudencial previsto na alínea 'c' do art. 105 da CF/88.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por CONCAL XIX EMPREEDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL EM RECUPERACAO JUDICIAL e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. OBRAS DE EMERGÊNCIA NA ESTRUTUTA DO EDIFÍCIO. TUTELA PARCIALMENTE DEFERIDA. INSURGÊNCIA DO AUTOR. PERÍCIA REALIZADA NO IMÓVEL COMPROVA GRAVES VÍCIOS CONSTRUTIVOS COM RISCO À INTEGRIDADE FÍSICA DOS CONDÔMINOS. PRESENTES A PROBABILIDADE DO DIREITO E O PERIGO DE DANO IMINENTE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 300, § 3º, do Código de Processo Civil, no que concerne ao não preenchimento dos requisitos necessários para a concessão da tutela antecipada, em especial, o risco de irreversibilidade do provimento, trazendo a seguinte argumentação: A antecipação dos efeitos da tutela de mérito é cabível desde que haja elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. .. In casu, o § 3º do artigo 300 do CPC/15, não deixa dúvida de que para concessão da medida pleiteada é necessário que não haja perigo de irreversibilidade do provimento antecipatória, o que é o caso, uma vez que se houver a determinação dos reparos pleiteados e determinados em sede de acórdão do Tribunal a quo, e no julgamento final a causa for julgada improcedente, ocorrerá o perigo da irreversibilidade, sendo assim, os danos de difícil reparação, poderão ser inversos. Ademais, inexiste, neste estreito limite do agravo de instrumento, de forma segura, provas capazes de antever a culpabilidade das agravantes pelos supostos vícios, portanto, ressente-se a questão de produção de provas, o que somente será possível na instrução da ação principal, (fls. 130-133). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide, por analogia, a Súmula n. 735/STF, pois, conforme a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, é inviável, em regra, a interposição de Recurso Especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão a qualquer momento pela instância a quo. Nesse sentido: "É sabido que as medidas liminares de natureza cautelar ou antecipatória são conferidas mediante cognição sumária e avaliação de verossimilhança. Logo, por não representarem pronunciamento definitivo a respeito do direito reclamado na demanda, são medidas suscetíveis de modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final. Em razão da natureza instável de decisão desse jaez, o STF sumulou entendimento segundo o qual "não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (Súmula 735/STF). O juízo de valor precário, emitido na concessão de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da referida Súmula 735/STF"" (AgInt no AREsp 1.598.838/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21.8.2020). Confira-se ainda o seguinte precedente: AgInt no AREsp 1.571.882/BA, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º.7.2020; AgInt no REsp 1.830.644/RO, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26.6.2020; AREsp 1.610.726/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.6.2020; AgInt no AREsp 1.621.446/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27.4.2020; AgInt no AREsp 1.571.937/PA, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13.4.2020. Ademais, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Em sede de tutela de urgência, cabe verificar a existência cumulativa dos pressupostos necessários para sua concessão, consoante a regra constante do art. 300 CPC, quais sejam: a probabilidade do direito e o perigo de dano iminente. .. No que toca à probabilidade do direito, esta é aferida mediante a existência de prova segura, evidente, robusta - a chamada prova inequívoca - que demonstra a verossimilhança da alegação, capaz de convencer o julgador de que o autor faz jus ao direito que pleiteia. O periculum in mora, por sua vez relaciona-se com o risco de ineficácia da tutela jurisdicional, consubstanciado no perigo de dano próximo ou iminente antes da solução definitiva ou de mérito. O laudo técnico de index 159, complementado pelo parecer de index 267, comprovam que o Condomínio padece de graves vícios construtivos que comprometem a sua estrutura e colocam em risco a integridade física dos condôminos, portanto, presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano iminente. (fl. 74-75). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)" (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Em relação à alínea "c" do permissivo constitucional, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório" (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal" (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021). Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Ainda, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido" (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22.5.2019). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19.12.2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26.9.2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13.4.2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA