AREsp 2630384 - DECISAO
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por HOSANA DA SILVA SOUZA, contra decisão que negou seguimento a recurso especial, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em Recurso Especial interposto em: 25/03/2024. Concluso ao gabinete em: 09/08/2024. Agravo de instrumento:...
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- Parties
- Agravante (interpositora Do Agravo Em Recurso Especial): HOSANA DA SILVA SOUZA; Interpositor Do Agravo De Instrumento (parte Nos Autos Da Ação De Obrigação De Fazer): BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito: Agravo Conhecido; Recurso Especial Parcialmente Conhecido E Não Provido
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Superendividamento, Margem Consignável, Descontos Em Conta Corrente, Reexame De Fatos E Provas, Súmulas E Prequestionamento
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Parties
HOSANA DA SILVA SOUZA
Agravante (interpositora Do Agravo Em Recurso Especial)
BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SA
Interpositor Do Agravo De Instrumento (parte Nos Autos Da Ação De Obrigação De Fazer)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito: Agravo Conhecido; Recurso Especial Parcialmente Conhecido E Não Provido
Legal Issues
- 1 possibilidade de limitar descontos consignados e em conta-corrente à margem de 35%
- 2 aplicabilidade do art. 104-A e 104-B do CDC (Lei do Superendividamento) sem plano de pagamento
- 3 prequestionamento de dispositivos legais para recurso especial (art. 6º, XI e XII do CDC)
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DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por HOSANA DA SILVA SOUZA, contra decisão que negou seguimento a recurso especial, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em Recurso Especial interposto em: 25/03/2024. Concluso ao gabinete em: 09/08/2024. Agravo de instrumento: interposto pelo BANCO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SA contra decisão, proferida nos autos de ação de obrigação de fazer, que deferiu o pedido de tutela de urgência formulado pela parte agravante. Acórdão: deu provimento ao agravo de instrumento interposto pelo agravado para revogar a tutela de urgência, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. LIMITAÇÃO DE DESCONTOS. LEI DO SUPERENDIVIDAMENTO. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. TUTELA DE URGÊNCIA. REVOGAÇÃO. I - O art. 104-A do CDC, introduzido pela Lei nº 14.181/2021(Lei do superendividamento), instituiu o processo para repactuação de dívidas, com vistas à realização de audiência conciliatória, na qual estarão presentes os credores e o consumidor apresentará proposta de plano de pagamento. Na ausência de conciliação em relação a quaisquer credores, o juiz, a pedido do consumidor, instaurará processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação das dívidas remanescentes mediante plano judicial compulsório (art. 104-B do CDC). Nesse contexto, a limitação dos descontos consignados e efetuados em conta bancária deferida com base no art. 104-A do CDC não se sustenta, pois ausente plano de pagamento e acordo celebrado com os credores. Assim, impositiva a observância da legislação relativa à margem consignável de folha de pagamento, descabendo a alteração contratual nesse momento. II - No caso, a soma dos descontos consignados em folha de pagamento atinge o percentual de 34,41% da remuneração bruta, não ultrapassando o critério de 35% adotado pelo Julgador na decisão agravada. No ponto, em que pese esta Câmara possua entendimento de que aos servidores estaduais e municipais se aplica o limite de 30% de margem consignável, mantenho o percentual de 35%, sob pena de reformatio in pejus. Por outro lado, o limite de 35% deve incidir sobre a renda bruta, e não sobre a líquida como determinado na decisão agravada. III - Descabe estender igual limitação de 35% da remuneração bruta aos empréstimos debitados em conta corrente. Aplicação da tese fixada no Tema 1085 do STJ: São lícitos os descontos de parcelas de empréstimos bancários comuns em conta-corrente, ainda que utilizada para recebimento de salários, desde que previamente autorizados pelo mutuário e enquanto esta autorização perdurar, não sendo aplicável, por analogia, a limitação prevista no § 1º do art. 1º da Lei n. 10.820/2003, que disciplina os empréstimos consignados em folha de pagamento. Impõe-se o provimento do recurso para efeito afastar a tutela de urgência. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. UNÂNIME. (fls. 100/101, e-STJ) Embargos de declaração: opostos pela agravante, foram rejeitados. Recurso especial: sustenta violação dos arts. 300, §§ 1º, 2º e 3º, 489 e 1022 do CPC; art. 1º, § 1º, da Lei nº 14.431/2022 e art. 6º, XI e XII, da Lei nº 8.078/1990, bem como dissídio jurisprudencial. Alega que "analisando-se a documentação juntada aos autos com a petição inicial, observa-se que a parte autora está em flagrante situação de superendividamento, o que pode prejudicar a sua subsistência, vedando-lhe o acesso ao mínimo existencial." Afirma que é "cabível a limitação dos descontos atinentes a contratação de empréstimos no contracheque e na conta corrente em 35% de seus rendimentos, por analogia ao disposto no § 1º do art. 1º da Lei nº 10.820/2003 (recentemente alterado pela Lei nº 14.431/2022), e também pelo disposto no artigo 6º, XI e XII da Lei nº 8.078/1990, de modo a assegurar um valor mínimo indispensável à subsistência da parte autora." RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente sobre a limitação dos descontos atinentes a contratação de empréstimos no contracheque e na conta corrente, de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação dos arts. 489 e 1022 do CPC. - Da ausência de prequestionamento O acórdão recorrido não decidiu acerca do art. 6º, XI e XII, da Lei nº 8.078/1990, indicado como violado. Por isso, o julgamento do recurso especial é inadmissível. Aplica-se, nesta hipótese, a Súmula 282/STF. Da fundamentação deficiente Os argumentos invocados pela agravante não demonstram como o acórdão recorrido teria violado o art. 300, §§ 1º, 2º do CPC. A deficiência na fundamentação impede a perfeita compreensão da controvérsia, o que enseja o não conhecimento do recurso, nos termos da Súmula 284/STF. - Da existência de fundamento não impugnado A parte agravante não impugnou os fundamentos utilizados pelo TJ/RS para afastar a pretensão recursal, quais sejam: "observo que a limitação dos descontos consignados e efetuados em conta bancária com base no art. 104-A do CDC não se sustenta, pois ausente plano de pagamento e acordo celebrado com os credores." "a limitação acima citada não se aplica às parcelas de empréstimos debitadas diretamente de conta corrente, pois, neste caso, trata-se de forma de pagamento livremente acordada entre as partes." Como tais fundamentos não foram impugnados, deve-se manter o acórdão recorrido. Aplica-se, neste caso, a Súmula 283/STF. - Da Súmula 735/STF A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou tutela de urgência, haja vista a natureza precária da decisão, a teor do que dispõe a Súmula 735/STF. No mesmo sentido: AgInt no AREsp 1.887.163/RJ, Quarta Turma, DJe de 30/09/2022, AgInt no REsp 1.941.275/RJ, Terceira Turma, DJe de 23/02/2022. - Do reexame de fatos e provas Ademais, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao preenchimento dos requisitos autorizadores da tutela de urgência, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC/15, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Deixo de majorar os honorários de sucumbência recursal, visto que não foram arbitrados na instância de origem. Alerto que a interposição de recurso contra esta decisão, declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1021, §4º e 1026, §2º do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 282/STF. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA DE OFENSA À LEI. SÚMULA 284/STF. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. TUTELA DE URGÊNCIA. DECISÃO PRECÁRIA. SÚMULA 735/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de obrigação de fazer. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados impede o conhecimento do recurso especial. 5. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 6. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado quando suficiente para a manutenção de suas conclusões impede a apreciação do recurso especial. 7. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou tutela de urgência, haja vista a natureza precária da decisão, a teor do que dispõe a Súmula 735/STF. 8. Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao preenchimento dos requisitos autorizadores da tutela de urgência, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. 9. Agravo conhecido. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido.