AREsp 2697443 - DECISAO
O agravo foi negado porque a decisão impugnada tratou de tutela de urgência/liminar, matéria contra a qual, em regra, não cabe recurso especial nos termos da Súmula 735 do STF; além disso, reverter a tutela exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ;...
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- Parties
- Agravante: ESPÓLIO DE MARCOS CURY DE BRITTO; Agravado: ESPÓLIO DE MANOEL SÁTIRO DA ROCHA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Impugna Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial/decisão Interlocutória Sobre Tutela De Urgência
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Tutela De Urgência, Inadmissão De Recurso Especial, Prova Pericial, Súmula 735 STF, Súmula 7 STJ, Art. 370 Cpc/2015
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Parties
ESPÓLIO DE MARCOS CURY DE BRITTO
Agravante
ESPÓLIO DE MANOEL SÁTIRO DA ROCHA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Impugna Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial/decisão Interlocutória Sobre Tutela De Urgência
Legal Issues
- 1 Cabimento de recurso especial contra decisão que defere ou indefere tutela de urgência
- 2 Poder-dever do juiz quanto à produção de provas (art. 370 CPC/2015)
- 3 Vedação ao reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo foi negado porque a decisão impugnada tratou de tutela de urgência/liminar, matéria contra a qual, em regra, não cabe recurso especial nos termos da Súmula 735 do STF; além disso, reverter a tutela exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; ademais, compete ao juiz, segundo art. 370 do CPC/2015, avaliar a necessidade de produção de provas, não havendo demonstração de violação direta às normas que disciplinam a tutela provisória que autorizasse o conhecimento do recurso.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da ausência de violação de lei federal e da incidência das Súmulas n. 735 do STF e 7 do STJ (e-STJ fls. 157/159). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 108): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. O JUIZ É O DETENTOR DA PROVA. DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. DECISÃO UNANIME. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 116/127), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte aponta, além de divergência jurisprudencial, violação do art. 370, parágrafo único, do CPC/2015. Sustenta a necessidade de realização de perícia idônea. Requer o conhecimento e provimento do recurso para que seja deferida a tutela de urgência. Houve contrarrazões (e-STJ fls. 144/153). No agravo (e-STJ fls. 164 /176), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial . Foi apresentada contraminuta (e-STJ fls. 178/187). É o relatório. Decido. A irresignação não merece acolhida. Com efeito, extraem-se as seguintes razões de decidir do aresto impugnado (e-STJ fl. 109): .. Quanto ao mérito recursal, verifica-se que permanecem inalteradas as circunstâncias já constatadas quando da apreciação da tutela recursal postulada (relevância da fundamentação e a ausência da possibilidade de causar risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação), aptas a modificar a decisão hostilizada, assim, entendo que deve ser mantida a liminar que indeferiu o efeito suspensivo vindicado. Conforme relatado, o ESPÓLIO DE MARCOS CURY DE BRITTO interpôs AGRAVO DE INSTRUMENTO com pedido de efeito suspensivo em face de ESPÓLIO DE MANOEL SÁTIRO DA ROCHA, irresignado com a decisão proferida nos Embargos Declaratórios pelo Juízo da 1ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Propriá/SE, que no bojo da Execução de Título Judicial em tramitação (Processo n.º 201156000163), julgou desprovidos os Embargos de declaração opostos, por não haver omissão no decisum atacado. Importante destacar que é uníssono o entendimento de que o recurso de Embargos de Declaração não é a via adequada ao reexame do jugado, de modo que, apenas em hipóteses excepcionalíssimas se permite a concessão de efeitos modificativos. Ademais, é certo que cabe ao juiz, na qualidade de destinatário das provas, instruir a produção de provas de acordo com a necessidade destas para a solução do litígio, pois, como se infere do artigo 370 do Código de Processo Civil, cabe ao magistrado, "de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito", indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias (parágrafo único). Segundo o teor da Súmula n. 735 do STF e a jurisprudência consolidada desta Corte Superior, em regra "não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmada ou revogada pela sentença de mérito" (AgInt no REsp n. 1.179.223/RJ, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 9/3/2017, DJe 15/3/2017). Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 535 DO CPC/1973. TUTELA ANTECIPADA. REQUISITOS. REAVALIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. SÚMULA N. 735/STF. DECISÃO MANTIDA. (..) 4. A jurisprudência do STJ não admite a interposição de recurso especial que tenha por objetivo discutir a correção de acórdão que nega ou defere medida liminar ou antecipação de tutela, por não se tratar de decisão em única ou última instância. Incide, analogicamente, o enunciado n. 735 da Súmula do STF. Precedentes. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 770.439/MT, de minha relatoria, QUARTA TURMA, julgado em 21/2/2017, DJe 3/3/2017.) Além disso, "em sede de recurso especial contra acórdão que nega ou concede antecipação de tutela, a análise desta Corte Superior de Justiça fica limitada à apreciação dos dispositivos relacionados aos requisitos da tutela de urgência, ficando obstado verificar-se a suposta violação de normas infraconstitucionais relacionadas ao mérito da ação principal" (EDcl no AREsp n. 387.707/PR, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 2/12/2014, DJe 10/12/2014). No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE TUTELA DE URGÊNCIA POR MEIO DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA N. 735/STF 1. Esta Corte, em sintonia com o disposto na Súmula n. 735 do STF, entende que, em regra, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela. 2. O STJ admite a mitigação da Súmula 735 do STF apenas quando a própria medida importe em ofensa direta à lei federal que disciplina a tutela provisória (art. 273 do CPC/1973 ou art. 300 do CPC/2015), como, por exemplo, quando houver norma proibitiva da concessão dessa medida, de modo que "apenas a violação direta ao dispositivo legal que disciplina o deferimento da medida autorizaria o cabimento do recurso especial, no qual não é possível decidir a respeito da interpretação dos preceitos legais que dizem respeito ao mérito da causa" (AgInt no REsp n. 1179223/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 15/3/2017). 3. Hipótese em que a parte sequer indicou a violação do art. 300 do CPC/2015 nas razões do apelo nobre, de modo que, sendo a tese referente ao mérito da decisão de antecipação de tutela deferida nos autos, "não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmada ou revogada pela sentença de mérito" (STJ, AgRg no AREsp n. 438.485/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 17/ 2/2014). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.134.498/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 22/11/2023.) Outrossim, ultrapassar os fundamentos do aresto impugnado, a fim de reverter a referida tutela de urgência, demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada nesta sede recursal, a teor da Súmula n. 7/STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. TUTELA ANTECIPADA. SÚMULA N. 735 DO STF. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA. ART. 300 DO CPC. REQUISITOS. REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. VIOLAÇÃO ART. 54, §4º, DO CDC. INOVAÇÃO NO AGRAVO INTERNO. PRECLUSÃO. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS PELO DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É inviável, em regra, a interposição de recurso especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão pela instância de origem a qualquer momento. Incidência, por analogia, da Súmula n. 735 do STF. 2. Não se admite a revisão do entendimento firmado pela Corte de origem quando a controvérsia demandar a análise fático-probatória dos autos, ante a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. .. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.078.762/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 6/11/2023.) Ante o exposto, NEGO PR OVIMENTO ao agravo. Publique-se e intimem-se. EMENTA