REsp 2138411 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque pretendeu discutir decisão interlocutória que concedeu tutela provisória cuja natureza precária e de cognição sumária impede reexame em sede de recurso especial (Súmula 735/STF) e porque a alteração da conclusão do Tribunal de origem exigiria revolvimento de matéria...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Tutela Provisória, Home Care, Rol Da ANS, Reexame De Provas, Súmula 735/stf, Súmula 7/stj
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Parties
HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 cabimento de recurso especial contra acórdão que decidiu sobre tutela provisória
- 2 aplicação do Código de Defesa do Consumidor em relação a plano de saúde
- 3 questão da taxatividade do rol da ANS
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque pretendeu discutir decisão interlocutória que concedeu tutela provisória cuja natureza precária e de cognição sumária impede reexame em sede de recurso especial (Súmula 735/STF) e porque a alteração da conclusão do Tribunal de origem exigiria revolvimento de matéria fático-probatória, vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA S.A., com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ que julgou demanda relativa à prestação de servido de saúde domiciliar (homecare). O julgado negou provimento ao agravo de instrumento da HAPVIDA nos termos da seguinte ementa (fl. 124): EMENTA: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DOMICILIAR (HOME CARE). NÃO CONSTANTE ROL ANS. NÃO TAXATIVIDADE DO ROL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO CONSUMERISTA. PERIGO DE DANO AO PACIENTE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Compulsando os autos, observa-se que os argumentos e os documentos colacionados não permitem formular um juizo em favor da parte agravante. 2. Tendo em vista que o direito à saúde é direito fundamental social, cabendo tanto aos entes públicos quanto privados a sua promoção (art. 6º, 196 e 197, todos da CF), sua defesa é também responsabilidade dos referidos entes. 3. Não obstante, a relação estabelecida entre as partes é de consumo, de forma que a ela também se aplicam as determinações do Código de Defesa do Consumidor (CDC). 4. No caso em tela, a operadora do plano de saúde não pode se furtar a oferecer o serviço que melhor sirva ao propósito de recuperar e manter a saúde do paciente. A indicação de tal serviço é feita pelo responsável técnico direto pelo tratamento do doente, a saber, o médico. 5. Em face dos argumentos da agravante de que o referido procedimento não consta da lista taxativa da ANS, convém salientar a importância da relação consumerista que se submete à norma de maior força que as normas regulamentares da referida Agência. 6. É o que evidencia a Lei 14.454/2022, que alterou a Lei 9.656/98 derrogando a taxatividade do rol de procedimentos previstos para os planos de saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999, de forma que os planos privados de assistência à saúde poderão ter o rol como referência básica na composição de seus produtos. 7. Diante disso, verifica-se que a recusa do tratamento receitado pelo médico fere o direito à saúde e gera risco de dano irreparável ao agravado, fatores que configuram a necessidade de antecipação da tutela concedida acertadamente pelo Juizo a quo. 8. Agravo de instrumento improvido. Sem embargos de declaração. No presente recurso especial, a recorrente alega que o acórdão estadual contrariou as disposições contidas nos arts. 300 do CPC/2015; 35-F e 10, § 4º, da Lei n. 9.656/1998; 4º, III, da Lei Federal n. 9.961/2000; 1º, § 12, da Lei n. 29.656/1998; 54, § 3º, e 51, IV, do CDC; 104 e 422 do CC/2002; e 10, 12 e 13 da Lei n. 29.656/1998, ao passo que aponta divergência jurisprudencial com arestos desta Corte. Sustenta, outrossim, que "o Tribunal a quo, ao manter a sentença meritória que condenou esta recorrente a fornecer serviço de cobertura não obrigatória em favor da parte autora, qual seja, home care, mesmo sendo demonstrada a legalidade da sua exclusão contratual, condenando, ainda, em vultosa indenização por danos morais, laborou em grave erro" (fl. 143). Não apresentadas as contrarrazões, sobreveio o juízo de admissibilidade positivo da instância de origem (fls. 207-211). É, no essencial, o relatório. No caso, incide, por analogia, o óbice da Súmula n. 735/STF, pois, conforme a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, é inviável, em regra, a interposição de recurso especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão a qualquer momento pela instância a quo. Nesse sentido, cita-se: É sabido que as medidas liminares de natureza cautelar ou antecipatória são conferidas mediante cognição sumária e avaliação de verossimilhança. Logo, por não representarem pronunciamento definitivo a respeito do direito reclamado na demanda, são medidas suscetíveis de modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final. Em razão da natureza instável de decisão desse jaez, o STF sumulou entendimento segundo o qual "não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (Súmula 735/STF). O juízo de valor precário, emitido na concessão de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da referida Súmula 735/STF". (AgInt no AREsp 1.598.838/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.571.882/BA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/7/2020; AgInt no REsp n. 1.830.644/RO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26/6/2020; AREsp n. 1.610.726/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.621.446/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/4/2020; AgInt no AREsp n. 1.571.937/PA, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/4/2020. No mais, a alteração da conclusão do Tribunal a quo acerca do preenchimento dos requisitos da tutela de urgência ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula n. 7 do STJ. A propósito, cito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO AMBIENTAL. OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA VENTILADA NO RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. NÃO VERIFICAÇÃO. SÚMULAS N. 211 DO STJ E 282 DO STF. TUTELA ANTECIPADA. SÚMULA N. 735 DO STF. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA. ART. 300 DO CPC. REQUISITOS. REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexiste ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o tribunal de origem aprecia, com clareza e objetividade e de forma motivada, as questões que delimitam a controvérsia, ainda que não acolha a tese da parte insurgente. 2. Prequestionamento significa a prévia manifestação do tribunal de origem, com emissão de juízo de valor, acerca da matéria referente ao dispositivo de lei federal apontado como violado. Trata-se de requisito constitucional indispensável para o acesso à instância especial. 3. A ausência de debate acerca dos dispositivos legais tidos por violados, a despeito da oposição de embargos declaratórios, inviabiliza o conhecimento da matéria na instância extraordinária, por falta de prequestionamento. Incidência das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF. 4. O Superior Tribunal de Justiça, excepcionalmente, admite a interposição de recurso especial contra acórdão que decide sobre pedido de antecipação da tutela, para tão somente discutir eventual ofensa aos próprios dispositivos legais que disciplinam a matéria da tutela provisória descrita no art. 300 do CPC. 5. Não se admite a revisão do entendimento firmado pela corte de origem - reconhecimento da presença dos requisitos fumus boni iuris e do periculum in mora - quando a controvérsia demandar a análise fático-probatória dos autos, ante a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.425.718/PA, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 6/3/2024.) AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TUTELA PROVISÓRIA. SENTENÇA SUPERVENIENTE. PERDA SUPERVENIENTE DO INTERESSE RECURSAL. PRECEDENTES. REQUISITOS DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. SÚMULA N. 735/STF. PRETENSÃO DE REEXAME DA MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Nos termos da jurisprudência da Terceira Turma desta Corte, "A superveniência da sentença proferida no feito principal enseja a perda de objeto de recursos anteriores que versem acerca de questões resolvidas por decisão interlocutória combatida na via do agravo de instrumento. Precedentes." (AgInt no REsp n. 1.704.206/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 19/6/2023.) 2. Ademais, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, haja vista a natureza precária da decisão, a teor do que dispõe a Súmula n. 735 do STF. Precedentes. 3. Rever a conclusão a respeito do preenchimento dos requisitos da tutela de urgência demandaria revolvimento de fatos e provas, o que encontra óbice na Súmula n. 7/STJ. Precedentes. Agravo interno improvido.(AgInt no AREsp n. 2.232.728/MG, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 30/11/2023.) Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Deixo de majorar os honorários nos termos do art. 85, § 11, do CPC tendo em vista que o recurso especial foi interposto nos autos de agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA