AREsp 2510461 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão de 2º grau apenas confirmou tutela de urgência em cognição sumária, não havendo reforma de decisão que julgou parcialmente o mérito para justificar a aplicação do art. 942 do CPC/2015, e porque o reexame do deferimento de tutela é vedado em recurso especial...
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- Parties
- Agravante: JOSÉ MÁRCIO PASSONI e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (ação Demarcatória) / Decisão Colegiada (quarta Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Tutela Provisória, Técnica De Ampliação Do Colegiado, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 735/stf, Ação Demarcatória
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Parties
JOSÉ MÁRCIO PASSONI e OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (ação Demarcatória) / Decisão Colegiada (quarta Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 942 do CPC/2015 (técnica de ampliação do colegiado) a acórdão que mantém tutela provisória proferido por maioria
- 2 Possibilidade de reexame, em recurso especial, de acórdão que decide sobre tutela de urgência ou tutela de evidência
- 3 Distinção entre juízo sumário para concessão de tutela e juízo de mérito da demanda
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão de 2º grau apenas confirmou tutela de urgência em cognição sumária, não havendo reforma de decisão que julgou parcialmente o mérito para justificar a aplicação do art. 942 do CPC/2015, e porque o reexame do deferimento de tutela é vedado em recurso especial pelas Súmulas 7/STJ e 735/STF.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negou provimento ao agravo interno
- Mantida a decisão da relatoria que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/06/2024 a 01/07/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DEMARCATÓRIA. CONCESSÃO DE TUTELA PROVISÓRIA. MANUTENÇÃO, POR MAIORIA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO. DESNECESSIDADE. REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 7/STJ E 735/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. "A técnica de ampliação do colegiado, prevista no art. 942 do CPC, somente se aplica para a hipótese de agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgou parcialmente o mérito, situação não presente na espécie" (REsp 2.097.352/SP, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024). 2. Na espécie, como o acórdão de 2º grau apenas confirmou a concessão de tutela de urgência, em cognição sumária que não se confunde com o exame de mérito da controvérsia, não precisa se submeter ao reexame pela técnica de ampliação do colegiado (art. 942 do CPC/2015), embora proferido por maioria. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em consonância com o entendimento firmado pelo eg. Supremo Tribunal Federal na Súmula 735, consolidou-se no sentido de ser incabível, em princípio, recurso especial de acórdão que decide sobre pedido de antecipação de tutela, admitindo-se, tão somente, discutir eventual ofensa aos próprios dispositivos legais que disciplinam o tema (art. 300 do CPC/2015, correspondente ao art. 273 do CPC/1973), e não violação a norma que diga respeito ao mérito da causa. 4. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por JOSÉ MÁRCIO PASSONI e OUTROS em face de decisão desta relatoria, que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial. Os agravantes sustentam, em síntese: (a) o acórdão que mantém, por maioria, a concessão de tutela provisória está sujeito à técnica de ampliação do colegiado prevista no art. 942 do CPC/2015; e (b) não incidência, na espécie, das Súmulas 7/STJ e 735/STF. Requerem, ao final, a reconsideração da decisão agravada ou sua reforma pelo Órgão Colegiado competente (fls. 878/894). Impugnação às fls. 897/932. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DEMARCATÓRIA. CONCESSÃO DE TUTELA PROVISÓRIA. MANUTENÇÃO, POR MAIORIA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO. DESNECESSIDADE. REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 7/STJ E 735/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. "A técnica de ampliação do colegiado, prevista no art. 942 do CPC, somente se aplica para a hipótese de agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgou parcialmente o mérito, situação não presente na espécie" (REsp 2.097.352/SP, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024). 2. Na espécie, como o acórdão de 2º grau apenas confirmou a concessão de tutela de urgência, em cognição sumária que não se confunde com o exame de mérito da controvérsia, não precisa se submeter ao reexame pela técnica de ampliação do colegiado (art. 942 do CPC/2015), embora proferido por maioria. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em consonância com o entendimento firmado pelo eg. Supremo Tribunal Federal na Súmula 735, consolidou-se no sentido de ser incabível, em princípio, recurso especial de acórdão que decide sobre pedido de antecipação de tutela, admitindo-se, tão somente, discutir eventual ofensa aos próprios dispositivos legais que disciplinam o tema (art. 300 do CPC/2015, correspondente ao art. 273 do CPC/1973), e não violação a norma que diga respeito ao mérito da causa. 4. Agravo interno improvido. VOTO A decisão agravada não merece reparos. O Presidente do Órgão Colegiado do eg. TJMT indeferiu corretamente o pedido para a aplicação da técnica de ampliação do colegiado, tendo em vista que o acórdão recorrido, apesar de proferido por maioria, confirmou a concessão de tutela provisória - medida de urgência que demanda juízo sumário e precário do órgão julgador. Não havendo, portanto, decisão do juiz singular a respeito das matérias previstas no art. 487 do CPC/2015 (hipóteses de julgamento de mérito), não há a necessidade de se aplicar à espécie o art. 942 do CPC/2015. Com efeito, "A técnica de ampliação do colegiado, prevista no art. 942 do CPC, somente se aplica para a hipótese de agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgou parcialmente o mérito, situação não presente na espécie" (REsp 2.097.352/SP, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024). Pontua-se, ademais, que o exame acerca da probabilidade do direito, requisito para a concessão da tutela de urgência, não pode se confundir com o juízo de mérito da demanda, realizado apenas quando da sentença ou nas hipóteses de julgamento antecipado do mérito - situações não verificadas no caso. Vencido esse ponto, destaca-se que esta Corte não reexamina decisões de 2º grau que deferem ou indeferem tutelas provisórias - de urgência ou de evidência -, em razão dos óbices das Súmulas 7/STJ e 735/STF. Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. TUTELA DE EVIDÊNCIA. JULGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULAS 7/STJ E 735/STF. 1. Embora rejeitados os embargos de declaração, todas as matérias foram devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente, o que afasta a alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Verificar se estão presentes, ou não, os requisitos da tutela de evidência (no art. 311, IV, do CPC/2015 - existência de prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor e inexistência de prova capaz de gerar dúvida razoável) demanda o reexame das provas contidas nos autos, procedimento vedado em sede de recurso especial a teor do enunciado 7 da Súmula do STJ. Ademais, deve ser mantida a aplicação, por analogia, da Súmula 735 do STF (Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar). Precedente: STF, RE 944504 AgR, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 20/10/2017, DJe-251 divulg. 31-10-2017, public. 06-11-2017. 3. Para avaliar a existência ou não de fato incontroverso a respaldar o julgamento antecipado do mérito também seria imprescindível reexame de provas, vedado nos termos da Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno não provido." (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.343.558/DF, relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, julgado em 4/6/2019, DJe de 11/6/2019) Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.