AREsp 2162074 - ACORDAO
Agravante não demonstrou que a matéria controvertida foi devolvida ao Tribunal de origem em momento oportuno; por configurar inovação recursal e faltar o prequestionamento, aplica-se a Súmula 211 do STJ, de modo que o agravo interno deve ser desprovido.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SG INCORPORADORA EIRELI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Quarta Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Tutela Provisória, Prequestionamento, Inovação Recursal, Súmula 211/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SG INCORPORADORA EIRELI
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Quarta Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 211 do STJ por ausência de prequestionamento
- 2 inovação recursal por matéria suscitada tardiamente no recurso especial
- 3 alegação de violação aos arts. 18 e 32 da Lei 9.307/96
Ratio Decidendi
Agravante não demonstrou que a matéria controvertida foi devolvida ao Tribunal de origem em momento oportuno; por configurar inovação recursal e faltar o prequestionamento, aplica-se a Súmula 211 do STJ, de modo que o agravo interno deve ser desprovido.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Agravo interno desprovido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 24/09/2024 a 30/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - TUTELA PROVISÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. Segundo entendimento firmando nesta Corte Superior, é incabível o exame de tese não exposta em momento oportuno e invocada apenas em recursos posteriores, pois configura indevida inovação recursal. A ausência de enfrentamento pelo Tribunal de origem da matéria trazida à discussão no apelo extremo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 211 do STJ. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno, interposto por SG INCORPORADORA EIRELI, contra decisão monocrática da lavra deste signatário (fls. 1155-1158, e-STJ), que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial da parte ora agravante. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, desafiou acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, assim ementado (fl. 905, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE TUTELA CAUTELAR DE URGÊNCIA ANTECEDENTE. NULIDADES DA CLÁUSULA ARBITRAL POR AUSÊNCIA DE ASSINATURA ESPECÍFICA E DO PROCEDIMENTO ARBITRAL NÃO VERIFICADAS. IMÓVEL DADO EM PAGAMENTO QUITADO. CONTRATO OBSERVADO. 1. Não sendo o contrato de adesão nem aplicando ao caso as regras do Código de Defesa do Consumidor, não há se falar em invalidade da cláusula que instituiu a solução dos conflitos na Corte Arbitral, mesmo sem assinatura ou visto específico nesta. 2. Não há que se falar em nulidade do procedimento e da sentença arbitral se não foram observadas irregularidades nem a subsunção a nenhuma das hipóteses dos artigos 32 e 26 da Lei da Arbitragem. 3. A apresentação de duas contestações no mesmo dia, por mero equívoco, tendo uma sido bloqueada, não se vislumbra a preclusão consumativa da resposta válida. 4. Não se aplica a multa disposta no § 8º do artigo 334 do Código de Processo Civil em caso de a parte que comparece a audiência de conciliação e sai antes de seu término, tendo em vista que sua incidência ocorre com o não comparecimento injustificado a esta. 5. A fim de evitar prejuízo ao recorrente, condiciono a escrituração e emissão na posse definitiva do imóvel em litígio ao pagamento pela apelada do total da casa, conforme acordado entre as partes. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Opostos três embargos de declaração, os primeiros foram parcialmente acolhidos e os demais foram rejeitados (fls. 990-998 e 1020-1028, e-STJ). Nas razões do recurso especial (fls. 1051-1066, e-STJ), a parte insurgente alegou ofensa aos arts. 18 e 32 da Lei 9.307/96, sustentando que "o Tribunal Goiano, ao dar provimento em parte do recurso apelatório do recorrido, no qual atribuiu uma obrigação a recorrente, antes que o recorrido cumprisse com o ato sentencial, necessariamente, modificou parte do ato sentencial arbitral, ou seja, referida decisão possui claro cunho meritório, na medida em que intervém no título executivo judicial" (fl. 1063, e-STJ), motivo pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido. Contrarrazões apresentadas à fl. 1076, e-STJ. Em razão do juízo negativo de admissibilidade do recurso na origem, adveio o agravo de fls. 1106-1117, e-STJ, visando destrancar o processamento daquela insurgência. Contraminuta apresentada às fls. 1118-1125, e-STJ. Em decisão monocrática (fls. 1155-1158, e-STJ), negou-se provimento ao recurso ante a incidência da Súmula 211 do STJ. Daí o presente agravo interno (fls. 1169-1178, e-STJ), no qual a parte agravante refuta o óbice da Súmula 211 do STJ, ao argumento de que a matéria que ora se discute foi prequestionada em todas as instâncias anteriores. Não foi apresentada impugnação. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - TUTELA PROVISÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. Segundo entendimento firmando nesta Corte Superior, é incabível o exame de tese não exposta em momento oportuno e invocada apenas em recursos posteriores, pois configura indevida inovação recursal. A ausência de enfrentamento pelo Tribunal de origem da matéria trazida à discussão no apelo extremo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 211 do STJ. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): O agravo interno não merece acolhida, porquanto os argumentos tecidos pela parte agravante são incapazes de infirmar a decisão agravada, motivo pelo qual merece ser mantida. 1. In casu, consoante asseverado na decisão agravada, a apontada violação aos arts. 18 e 32 da Lei 9.307/96, e a tese de que "o Tribunal Goiano, ao dar provimento em parte do recurso apelatório do recorrido, no qual atribuiu uma obrigação a recorrente, antes que o recorrido cumprisse com o ato sentencial, necessariamente, modificou parte do ato sentencial arbitral, ou seja, referida decisão possui claro cunho meritório, na medida em que intervém no título executivo judicial" (fl. 1063, e-STJ), não foram objeto de análise pela Corte de origem e, também não poderia, pois se trata de indevida inovação recursal, por não ter sido devolvida à apreciação do Tribunal a quo em momento oportuno. A despeito da oposição de embargos de declaração (fls. 926-935 e 1002-1007, e-STJ), a parte insurgente não suscitou a apreciação dos arts. 18 e 32 da Lei 9.307/96 e da respectiva tese ao Tribunal a quo nos aclaratórios, trazendo a matéria - de forma tardia - apenas nas razões do recurso especial. A parte recorrente, de forma tardia, pleiteou a análise da questão tão somente por meio do recurso especial, cuja pretensão caracteriza inovação recursal, prática rechaçada por esta Corte. Nesse sentido, confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL. 1. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL SUPOSTAMENTE VIOLADO. SÚMULA 284/STF. 2. ACIDENTE. ABANDONO DE VAGÕES COM CARGA TÓXICA. DANO MORAL CONFIGURADO. QUANTUM INDENIZATÓRIO RAZOÁVEL. INVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 3. OFENSA AOS ARTS. 95 E 370 DO CPC/2015. INOVAÇÃO RECURSAL. 4. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (..) 3. A questão referente aos arts. 95 e 370 do CPC/2015 não foi objeto de impugnação no momento oportuno, mas tão somente nas razões desta insurgência, configurando-se a inovação recursal. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1226941/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/06/2018, DJe 22/06/2018) (grifou-se) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. 1. SERVIÇO DE HOME CARE PRESCRITO PELO MÉDICO DO BENEFICIÁRIO. RECUSA INDEVIDA À COBERTURA. DANO MORAL CONFIGURADO. SÚMULA 83/STJ. 2. MONTANTE INDENIZATÓRIO. PLEITO DE REDUÇÃO. NÃO DEMONSTRADA A ABUSIVIDADE NO VALOR FIXADO NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. SÚMULA 7/STJ. 3. NÃO INCIDÊNCIA DO CDC. INOVAÇÃO RECURSAL. 4. AGRAVO DESPROVIDO. (..) 3. A questão referente à incidência do CDC ao caso não foi objeto de impugnação no momento oportuno, mas tão somente nas razões desta insurgência, configurando-se a inovação recursal. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1119470/PE, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 06/11/2017) (grifou-se) Para que se configure o prequestionamento da matéria, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se a correta interpretação da legislação federal. Confira-se: AgInt no REsp 1725841/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/11/2020, DJe 02/12/2020; AgInt no AREsp 1651635/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 26/10/2020, DJe 12/11/2020; AgInt no REsp 1658209/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 29/06/2020, DJe 01/07/2020. Outrossim, é firme o entendimento nesta Corte sobre a necessidade de prequestionamento, inclusive, de matéria de ordem pública. Precedentes: AgRg no REsp 1516680/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 17/03/2016, DJe 13/04/2016; EDcl no AREsp 676.455/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/02/2016, DJe 02/03/2016; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp 561.398/PR, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/12/2015, DJe 03/02/2016. Dessa forma, a questão nem poderia ser examinada pelo Tribunal a quo, pois configurou indevida inovação recursal a pretensão de sua análise, cuja matéria não fora devolvida em momento oportuno. Com efeito, ausente o prequestionamento, revela-se inafastável o teor da Súmula 211 do STJ. De rigor, portanto, a manutenção da decisão agravada. 2. Do exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.