AREsp 2741047 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e conheceu-se em parte do recurso especial, negando-lhe provimento: as alegações relativas ao descumprimento contratual e à concessão de tutela provisória exigiriam reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ; a impugnação à cláusula de não concorrência não indicou...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CUIABÁ ESTÉTICA AVANÇADA LTDA. e outros (CUIABÁ ESTÉTICA)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
- Legal Topics
- Tutela Provisória, Cláusula De Não Concorrência, Reunião De Processos, Cláusula De Eleição De Foro, Hipossuficiência, Prequestionamento, Reexame De Fatos E Provas, Súmulas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CUIABÁ ESTÉTICA AVANÇADA LTDA. e outros (CUIABÁ ESTÉTICA)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 concessão de tutela provisória em contrato de franquia
- 2 abusividade da cláusula de não concorrência pós-rescisão
- 3 reunião de processos semelhantes
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e conheceu-se em parte do recurso especial, negando-lhe provimento: as alegações relativas ao descumprimento contratual e à concessão de tutela provisória exigiriam reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ; a impugnação à cláusula de não concorrência não indicou dispositivo de lei federal, obstando o conhecimento por aplicação análoga da Súmula 284 do STF; a tese de reunião de processos não foi prequestionada, incidindo a Súmula 282 do STF; e a cláusula de eleição de foro foi mantida por ausência de vulnerabilidade da franqueada, em consonância com a jurisprudência consolidada e com a Súmula 568 do STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
Orders
- CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CUIABÁ ESTÉTICA AVANÇADA LTDA. e outros (CUIABÁ ESTÉTICA) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 441/458). É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, CUIABÁ ESTÉTICA alegou a violação dos arts. 55, §3º, 63, 300 do CPC, 5º da LINDB, bem como dissídio jurisprudencial, aduzindo que (1) foi comprovado o descumprimento contratual pela franqueadora, que não respondia os chamados abertos pela franqueadora nem enviava a consultora para as visitas agendadas; (2) a cláusula de não concorrência após a rescisão é abusiva; (3) necessidade de reunião dos processos, ante a existência de mais de quarenta ações semelhantes requerendo a anulação do contrato; (4) é nula a cláusula de eleição de foro em virtude da vulnerabilidade da franqueada; e (5) admite-se a suspensão de efeitos do contrato de franquia, porquanto a não concessão da tutela provisória inviabilizaria a atividade empresarial (e-STJ, fls. 344/376). (1) e (5) Da concessão da tutela provisória O Tribunal estadual consignou que, em cognição sumária, verificou-se a continuidade da prestação de serviços pela franqueada no mesmo ramo de atividade da franqueadora, em violação do contrato celebrado, confira-se: Acrescente-se o fato de que não há que se falar em precedente análogo, tratando-se de fato diverso ao caso, bem como não há que se falar em livre exercício da atividade profissional, pois afrontou diretamente o pactuado entre as partes, demonstrando, a princípio, concorrência desleal por parte das agravantes, e, portanto, o periculum in mora. Em outras palavras, está caracterizada, ao menos nesta cognição não exauriente, a continuação da prestação de serviços na mesma área de prestação de serviços idêntico ao fornecido pela parte agravante, consistindo em nítida continuação das atividades, o que deve ser afastada a alegação de livre exercício da atividade profissional (e-STJ, fl. 334). Assim, rever as conclusões quanto ao descumprimento contratual da CUIABÁ ESTÉTICA e outros demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula nº 7 do STJ. O recurso, portanto, não merece ser conhecido quanto ao ponto. (2) Da cláusula de não concorrência CUIABÁ ESTÉTICA sustentou que a cláusula de não concorrência é abusiva, sem, contudo, indicar o artigo tido por violado. A jurisprudência desta Corte segue no sentido de que a ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso uma vez que não basta a mera narrativa acerca da legislação federal. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. 1. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL A QUE SE TENHA DADO INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA N. 284 DO STF. 2. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A divergência jurisprudencial com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ, exige comprovação e demonstração, esta, em qualquer caso, com a transcrição dos trechos dos arestos que configurem o dissídio, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não sendo bastante a simples transcrição de ementas sem o necessário cotejo analítico a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações. 2. A ausência de indicação de dispositivo de lei federal a que se tenha dado interpretação divergente pelo acórdão recorrido caracteriza a deficiência de fundamentação a inviabilizar a abertura da instância especial. Aplicação da Súmula 284/STF. 3. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.863.196/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. em 21/02/2022, DJe 23/02/2022) Assim, quanto a esse ponto, o recurso não pode ser conhecido em virtude da incidência da Súmula nº 284 do STF, por analogia. (3) Da reunião de processos O Tribunal estadual não emitiu pronunciamento sobre a reunião de processos e não foram opostos embargos de declaração para sanar a omissão. Assim, não há como ser analisada a tese trazida no recurso especial, em virtude da falta de prequestionamento. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. 2. AÇÃO RESCISÓRIA COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 3. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA N. 283/STF. 4. OFENSA AOS ARTS. 4º, 5º, 9 E 10 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. 5. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DE EXAME PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 6. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. Esta Corte Superior possui entendimento de que a ação rescisória não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, com vistas a corrigir suposta injustiça na interpretação dos fatos. Precedentes. 3. A manutenção de argumento que, por si só, sustenta o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do recurso especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. No tocante à aventada violação aos arts. 4º, 5º, 9º e 10 do CPC/2015, verifica-se que os conteúdos normativos dos citados dispositivos não foram objeto de apreciação pelo Tribunal de origem. Portanto, ausente o prequestionamento, entendido como a necessidade de ter o tema objeto do recurso sido examinado na decisão atacada, o que atrai a incidência das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 4.1. Segundo a orientação deste Superior Tribunal, mesmo as questões de ordem pública devem ser prequestionadas para serem examinadas em recurso especial. 5. É inviável a apreciação de ofensa a eventual violação de dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102 da Constituição Federal. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.413.313/RJ, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) Incide, quanto ao ponto, o óbice da Súmula nº 282 do STF, por analogia. (4) Da cláusula de eleição de foro Esta Corte Superior possui jurisprudência consolidada de que é válida a cláusula de eleição de foro estabelecida em contrato de adesão de franquia, desde que não se verifique a vulnerabilidade da franqueada ou dificuldade de acesso à justiça. Confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRATOS. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRATO DE FRANQUIA. ELEIÇÃO DE FORO. CLÁUSULA. AFASTAMENTO. HIPOSSUFICIÊNCIA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não há omissão, contradição ou obscuridade no julgado quando se resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada e apenas se deixa de adotar a tese do embargante. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, "a cláusula de eleição de foro firmada em contrato de adesão de franquia é válida, desde que não reconhecida a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à Justiça" (AgInt no AREsp n. 484.387/SP, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 25/10/2021, DJe de 25/11/2021). 3. Na hipótese, rever o entendimento do Tribunal de origem, que concluiu pela hipossuficiência da parte aderente, demandaria o reexame das provas produzidas nos autos, procedimento vedado em recurso especial devido ao óbice da Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.385.622/ES, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, j. em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023.) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. CONTRATO DE FRANQUIA. CLÁUSULA DE FORO DE ELEIÇÃO. AFASTAMENTO. POSSIBILIDADE. PARTE HIPOSSUFICIENTE. SÚMULAS NºS 5 E 7 DO STJ. ACÓRDÃO ESTADUAL ALINHADO À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTO SUFICIENTE DO ACÓRDÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULAS NºS 283 E 284 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Inaplicabilidade do NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 2 aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2. A jurisprudência desta Corte entende ser válida a cláusula de eleição de foro estabelecida em contrato de franquia, exceto quando reconhecida a hipossuficiência da parte ou a dificuldade de acesso à justiça. 3. A revisão dos fundamentos do acórdão estadual acerca da condição de hipossuficiência da agravada, a justificar o afastamento da cláusula de eleição, é vedada na via especial pelas Súmulas nºs 5 e 7 do STJ. 4. A ausência de impugnação específica a todos os fundamentos do acórdão atrai a incidência das Súmulas nºs 283 e 284 do STF. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 775.828/RJ, de minha relatoria, Terceira Turma, j. em 25/10/2016, DJe de 8/11/2016.) Assim, porque os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido estão em consonância com o entendimento firmado nesta Corte, deve ser ele mantido. Dessa forma, incide a Súmula nº 568 do STJ. No caso dos autos, o Tribunal local concluiu que não se verifica abusividade na pactuação da cláusula e que a franqueada não seria hipossuficiente. A propósito: Está, também, verificada a incompetência do Juízo de origem, pois o contrato prevê cláusula de eleição de foro na Comarca de São Paulo , sendo que não há 11 prova de abusividade, pois a Autora não é parte hipossuficiente na relação (e-STJ, fl. 215). Nessa linha, rever as conclusões quanto à vulnerabilidade da franqueada demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula nº 7 do STJ. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA. CONTRATO DE FRANQUIA. TUTELA PROVISÓRIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. CLÁUSULA DE NÃO CONCORRÊNCIA. DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO. NÃO INDICAÇÃO. SÚMULA Nº 284 DO STF. REUNIÃO DE PROCESSOS. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282 DO STF. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA Nº 568 DO STJ. VULNERABILIDADE. NÃO VERIFICADA. INCURSÃO FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.