AREsp 2937277 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por aplicação, por analogia, da Súmula 735/STF (inadmissibilidade, em regra, de recurso extraordinário/especial contra acórdão que defere ou indefere tutela provisória) e por deficiência de fundamentação do recurso por ausência de indicação expressa dos...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Tutela Provisória, Coparticipação Em Plano De Saúde, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Embargos De Declaração
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Parties
UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 cabimento de Recurso Especial contra acórdão que defere ou indefere tutela provisória
- 2 alegada violação do art. 300 do CPC e do art. 16, VIII, da Lei 9.656/98 em razão de cobrança de coparticipação
- 3 possibilidade de imposição de multa por embargos de declaração opostos para prequestionamento
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por aplicação, por analogia, da Súmula 735/STF (inadmissibilidade, em regra, de recurso extraordinário/especial contra acórdão que defere ou indefere tutela provisória) e por deficiência de fundamentação do recurso por ausência de indicação expressa dos dispositivos legais supostamente violados, na forma da Súmula 284/STF.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. TUTELA PROVISÓRIA. REQUISITOS LEGAIS PREENCHIDOS. RELAÇÃO DE CONSUMO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega violação dos arts. 300, § 3º, do CPC; e 16, VIII, da Lei n. 9.656/1998, no que concerne à impossibilidade de concessão da tutela antecipada, tendo em vista o descumprimento dos requisitos legais, na hipótese em que se pleiteia a cobrança de coparticipação, com a cobertura integral do tratamento prescrito a dependente de segurado, trazendo a seguinte argumentação: Tem-se que o pedido formulado pela Recorrida carece de ambos os requisitos autorizadores da concessão da tutela provisória de urgência na modalidade antecipada, quais sejam a existência da probabilidade do direito, somada ao perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, a teor do disposto no artigo 300 do CPC. .. Destarte, uma vez constatada a ausência dos requisitos autorizadores para a concessão da antecipação da tutela, mormente em virtude da inexistência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito alegado, verifica-se que a revogação da medida liminar é medida que se impõe. A discussão sub judice gira em torno de cumprimento de cláusulas contratuais e da legislação que trata da matéria (Lei nº 9.656/98), ao passo que impõe à Recorrente deixar de cumprir com a legislação federal vigente. Isso porque, a Unimed-BH disserta em sua tese do Agravo de Instrumento sobre o fato de a concessão do efeito suspensivo ao recurso ser medida imprescindível ao prosseguimento do feito, vez que a tutela antecipatória não poderá ser revertida em caso de improcedência da ação, frente à declarada ausência de condições financeiras do Embargado frente à liminar satisfativa ora deferida. Narra ainda, que no caso presente, estamos diante de ausência de prova inequívoca e verossimilhança do direito, uma vez que de acordo com as normativas da ANS, as operadoras de planos privados de saúde podem efetuar a cobrança de coparticipação (fls. 1.357-1.358). Ao decidir o Agravo de Instrumento, somente fora levado em consideração as condições econômicas do autor. Entretanto, para concessão da tutela, se faz necessária a prova inequívoca da verossimilhança do direito alegado, o que não restou demonstrado, vez que HÁ EXPRESSA PREVISÃO LEGAL QUANTO A POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA COPARTICIPAÇÃO PELA UNIMED-BH. TEMOS, PORTANTO, QUE O ACÓRDÃO FERE E ESTÁ EM TOTAL DISSONÂNCIA COM A LEGISLAÇÃO FEDERAL, ESPECIALMENTE AO ARTIGO 16 DA LEI 9.656/98 (fl. 1.362). Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente discorre a respeito da impossibilidade de imposição de multa por embargos de declaração opostos com propósito de prequestionamento. É o relatório. Decido. Quanto às controvérsias, na espécie, incide, por analogia, a Súmula n. 735/STF, pois, conforme a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, é inviável, em regra, a interposição de Recurso Especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão a qualquer momento pela instância a quo. Nesse sentido: "É sabido que as medidas liminares de natureza cautelar ou antecipatória são conferidas mediante cognição sumária e avaliação de verossimilhança. Logo, por não representarem pronunciamento definitivo a respeito do direito reclamado na demanda, são medidas suscetíveis de modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final. Em razão da natureza instável de decisão desse jaez, o STF sumulou entendimento s egundo o qual "não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (Súmula 735/STF). O juízo de valor precário, emitido na concessão de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da referida Súmula 735/STF"". (AgInt no AREsp 1.598.838/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21.8.2020.) Na mesma linha: "Quanto a alegada violação ao art. 300 do CPC/2015, a jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que não é cabível, em regra, a interposição de recurso especial em face de acórdão que defere ou indefere medida liminar ou tutela de urgência, uma vez que não há decisão de última ou única instância, incidindo, por analogia, a Súmula nº 735/STF: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (AgInt no AREsp n. 2.528.396/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 4/9/2024). Confira-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.187.741/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.498.649/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJe de 18/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.705.060/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.583.188/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.489.955/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 16/10/2024; AgInt na TutPrv no AREsp n. 2.610.705/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 20/9/2024; AgInt no AREsp n. 2.114.824/ES, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 19/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.545.276/MT, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 15/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.489.572/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19/6/2024; AgInt no AREsp n. 2.447.977/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 3/6/2024; AgInt no AREsp n. 2.047.243/BA, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 22/6/2023. Ainda, quanto à segunda controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26.8.2020.) Na mesma linha: "Considera-se deficiente de fundamentação o recurso especial que não indica os dispositivos legais supostamente violados pelo acórdão recorrido, circunstância que atrai a incidência, por analogia, do enunciado nº 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal" (REsp n. 2.187.030/RS, Rel. ;Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 5/3/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.663.353/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 1.075.326/SP, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgRg no REsp n. 2.059.739/MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 24/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.787.353/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 17/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.554.367/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.699.006/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA