AREsp 2736645 - DECISAO
O Tribunal conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial porque não houve prequestionamento da tese recursal pelo Tribunal de origem, as razões do recurso especial estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula 284/STF) e o Tribunal de origem já havia considerado que a multa...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo (não Admissão De Recurso Especial) / Decisão Sobre Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Tutela Provisória De Urgência, Cumprimento Provisório De Sentença, Astreintes (multa Diária), Prequestionamento, Recurso Especial, Súmula 284/stf
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Parties
HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo (não Admissão De Recurso Especial) / Decisão Sobre Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 prequestionamento da tese recursal
- 2 possibilidade de cumprimento provisório de multa fixada em tutela
- 3 requisitos da tutela de urgência (fumus boni iuris e periculum in mora)
Ratio Decidendi
O Tribunal conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial porque não houve prequestionamento da tese recursal pelo Tribunal de origem, as razões do recurso especial estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula 284/STF) e o Tribunal de origem já havia considerado que a multa imposta em tutela é passível de cumprimento provisório nos termos do art. 357, §3º, do CPC, tendo sido demonstrado o não cumprimento da obrigação, o que afasta a probabilidade de provimento do recurso.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA S.A. à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE, assim resumido: AGRAVO INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO PROVISÓRIO SENTENÇA - NA ORIGEM AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - PLANO PRIVADO DE SAÚDE - DESCUMPRIMENTO TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA - INCIDÊNCIA DE MULTA DIÁRIA - POSSIBILIDADE EXECUÇÃO PROVÍSORIA DE ASTREINTES. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 300, § 3º, do Código de Processo Civil, no que concerne ao não preenchimento dos requisitos autorizadores da concessão da tutela provisória de urgência na modalidade antecipada, ante o perigo de irreversibilidade dos seus efeitos, trazendo a seguinte argumentação: Cabe destacar que não houve sentença transitada em julgada nos autos originários, verifica-se que ainda existe a possibilidade de alteração do teor destas decisões ora citadas, razão pela qual não há congruência que permita que a obrigação de fazer deferida. O pleito de autoral disponibilizado nos autos pela parte adversa, carece de exequibilidade. Verifica-se que existem boas chances da reversão das Decisões até aqui prolatadas. Torna-se muito perigoso os efeitos irreversíveis que este bloqueio requisitado pode causar a esta Operadora que, data vênia, sequer poderia ainda ser denominada desta maneira, dada a fase processual que ainda impera nesta lide. Sendo o processo um meio utilizado para efetivar garantias constitucionais e instrumento utilizado pelo Estado para fazer a entrega de prestação jurisdicional, não se pode permitir que seja utilizado com fins de obter uma pretensão manifestamente abusiva, a enriquecer indevidamente a parte postulante. (fls. 154-155). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentindo de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ademais, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: O parágrafo 3º do artigo 357 do novo CPC traz previsão de que a decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório. .. A parte exequente demonstrou que não houve cumprimento da obrigação no prazo determinado na decisão liminar. Dessa forma, não vislumbro, a probabilidade do provimento recursal. Consequentemente, mostra-se desnecessário o exame da presença do periculum in mora, haja vista que o efeito ativo exige a presença concomitante dos dois requisitos ( fumus boni iuris e periculum in mora). (fls. 121-124). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal" (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA