AREsp 2871218 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, por aplicação da orientação de que, em regra, não cabe recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere tutela provisória (Súmula 735 do STF e precedentes do STJ), e por entender que o perigo da demora foi alegado de forma genérica e...
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- Parties
- Agravante: CONSTRUTORA ROTTA LTDA.; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo/decisão Interlocutória
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial
- Legal Topics
- Tutela Provisória/urgência, Suspensão Da Exigibilidade Do Crédito Tributário, Cabimento De Recurso Especial Gegen Decisões Interlocutórias, Súmula 735 STF, Súmula 7 STJ, Ação Anulatória
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Parties
CONSTRUTORA ROTTA LTDA.
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo/decisão Interlocutória
Legal Issues
- 1 cabimento de recurso especial contra decisão que defere ou indefere liminar
- 2 aplicabilidade da Súmula 735 do STF em agravo de instrumento/agravo em recurso especial
- 3 requisitos da tutela de urgência (probabilidade do direito e perigo da demora)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, por aplicação da orientação de que, em regra, não cabe recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere tutela provisória (Súmula 735 do STF e precedentes do STJ), e por entender que o perigo da demora foi alegado de forma genérica e insuficiente, não havendo hipótese de ofensa direta a norma federal que autorizasse mitigação do óbice.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial
Orders
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CONSTRUTORA ROTTA LTDA., contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná que não admitiu recurso especial, fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, o qual desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 92): I - AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ANULATÓRIA. ISS. PLEITO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. II - ALEGAÇÃO DE PERIGO DA DEMORA DE MANEIRA GENÉRICA. INSUFICIÊNCIA. O PERIGO DA DEMORA PARA O ACOLHIMENTO DA TUTELA PROVISÓRIA HÁ DE SER ALGO PRESENTE, EM CONCRETO, O QUE NÃO FOI DEMONSTRADO. III - RECURSO NÃO PROVIDO. No recurso especial (e-STJ fls. 100/110), a parte recorrente aponta violação do art. 151, V, do CTN, e dos arts. 300, 933, e 489, II e § 1º, IV, do CPC. Alega: "O Código Tributário Nacional autoriza a suspensão da exigibilidade do crédito tributário mediante a concessão de liminar (Art. 151, V), que pode ser deferida quando presente a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo (CPC, Art. 300), ainda que para tanto tenha que apreciar fato superveniente ao momento em que interposto o recurso, por ser desconhecido na interposição (CPC, art. 933)" (e-STJ fl. 104). Nesse contexto, sustenta: "trata-se de caso em que está presente o requisito da probabilidade do direito, inclusive com paradigma recentíssimo em que se reconheceu o abuso da exação municipal e, ainda, há evidencia de que não há risco algum de prejuízo ao Município de Maringá-PR, que tem o valor total do crédito garantido por bem imóvel de valor superior ao crédito, apto a saldar a integralidade da dívida, se improcedente a demanda" (e-STJ fls. 105/106). Com relação ao dissídio jurisprudencial, diz que o julgado diverge do que foi decidido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Apelação n. 2044782-24.2024.8.26.0000. As contrarrazões foram oferecidas. O Tribunal de origem não admitiu o recurso especial por entender não configurado vício de integração e incidente o óbice da Súmula 7 do STJ (e-STJ fls. 229/231), o que ensejou a interposição deste agravo em recurso especial (e-STJ fls. 238/246). A contraminuta foi apresentada. Passo a decidir. No caso dos autos, o Tribunal de origem manteve a decisão que deferiu parcialmente o pedido de tutela de urgência formulado em ação anulatória. Transcrevo os fundamentos do aresto objeto de recurso especial (e-STJ fl. 93): O recurso é tempestivo e foi preparado, porém, não merece prosperar porque para o deferimento da tutela pretendida não basta a demonstração da fumaça do bom direito, é imprescindível também a comprovação de um perigo de demora específico. No caso, a agravante só alega um perigo de demora genérico, ou seja, "o crédito poderá ser exigido". O perigo da demora, como dito, tem que ser algo presente, em concreto, não basta alegar sua possibilidade. Por essas razões, nego provimento ao recurso. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça, em sintonia com o disposto na Súmula 735 do STF, firmou o entendimento de que, em regra, "não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmada ou revogada pela sentença de mérito" (STJ, AgRg no AREsp n. 438.485/SP, rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe de 17/2/2014). Com efeito, segundo a orientação do Supremo Tribunal Federal, se a decisão interlocutória puder ser revista pela instância a quo, no mesmo processo em que proferida, dela não caberá recurso extraordinário nem recurso especial, não porque seja interlocutória, mas por não ser definitiva. Nesse sentido: RE n. 432.462 AgR/SE, rel. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, DJe 13/4/2011; ARE n. 926.394 AgR/GO, rel. Ministro EDSONFACHIN, Segunda Turma, 2/5/2017. Realmente, o juízo desenvolvido em sede liminar, fundado na mera verificação da ocorrência do periculum in mora e da relevância jurídica da pretensão deduzida pela parte interessada, não enseja o requisito constitucional do esgotamento das instâncias ordinárias, indispensável ao cabimento dos recursos extraordinário e especial, conforme exigido expressamente na Constituição Federal - "causas decididas em única ou última instância". É certo que esta Corte de Justiça admite a mitigação do Enunciado 735 do STF, especificamente nas hipóteses em que a própria medida importe em ofensa direta à lei federal que disciplina a tutela provisória (art. 273 do CPC/1973 ou art. 300 do CPC/2015), por exemplo, quando houver norma proibitiva da concessão dessa medida, o que não se verifica nestes autos. No caso, verifica-se que a recorrente pretende convencer este juízo do preenchimento dos requisitos da tutela de urgência, a qual exige apreciação de questões factuais presentes nos autos, impondo-se, assim, a aplicação do óbice da Súmula 735 do STF. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA