REsp 1845416 - ACORDAO
O Tribunal reconheceu que não há omissão ou contradição no acórdão recorrido e que a alegação de vício de consentimento exige reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ. Aplicando o art. 1.725 do CC/2002, concluiu-se que, na ausência de contrato escrito dispondo o regime de bens, vigora o regime legal da comunhão parcial de bens, de modo que escritura pública posterior que impõe incomunicabilidade ou separação total de bens não pode retroagir para alcançar o período anterior à sua lavratura; assim, a escritura de 02/02/2015 não produz efeitos retroativos anteriores a essa data, permanecendo preservada a higidez da manifestação de vontade quanto à sua validade formal.
- Parties
- Recorrente: Vera Lúcia Ferreira Lourenço; Recorrente: Marlizete Ferreira Lourenço Rodrigues; Recorrido: José Manuel Dias Alves; Declarante/falecida: Eurides Cândido Bassanulpho e Silva; Litisconsorte: Giselle Maria Ferreira Lourenço; Litisconsorte: José Fernando Ferreira Lourenço
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Acórdão Da Terceira Turma Do Superior Tribunal De Justiça (julgamento De Recurso Especial)
- Outcome
- Recurso especial conhecido e parcialmente provido
- Legal Topics
- União Estável, Regime De Bens, Escritura Pública, Irretroatividade, Vício De Consentimento, Súmula 7/stj
Case Brief
Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Vera Lúcia Ferreira Lourenço
Recorrente
Marlizete Ferreira Lourenço Rodrigues
Recorrente
José Manuel Dias Alves
Recorrido
Eurides Cândido Bassanulpho e Silva
Declarante/falecida
Giselle Maria Ferreira Lourenço
Litisconsorte
José Fernando Ferreira Lourenço
Litisconsorte
Procedural Posture
Recurso Especial / Acórdão Da Terceira Turma Do Superior Tribunal De Justiça (julgamento De Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Existência de vício de consentimento (erro, dolo, fraude) na escritura pública de 02/02/2015
- 2 Se os bens foram adquiridos por sub-rogação de bens particulares ou por esforço comum
- 3 Se a escritura pública de reconhecimento de união estável e declaração de incomunicabilidade de patrimônio produz efeitos ex tunc (retroativos) ou ex nunc (prospectivos)
Ratio Decidendi
O Tribunal reconheceu que não há omissão ou contradição no acórdão recorrido e que a alegação de vício de consentimento exige reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ. Aplicando o art. 1.725 do CC/2002, concluiu-se que, na ausência de contrato escrito dispondo o regime de bens, vigora o regime legal da comunhão parcial de bens, de modo que escritura pública posterior que impõe incomunicabilidade ou separação total de bens não pode retroagir para alcançar o período anterior à sua lavratura; assim, a escritura de 02/02/2015 não produz efeitos retroativos anteriores a essa data, permanecendo preservada a higidez da manifestação de vontade quanto à sua validade formal.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e parcialmente provido
Orders
- Reconhecer que a escritura pública de reconhecimento de união estável e declaração de incomunicabilidade de patrimônio lavrada em 02/02/2015 não retroage para antes de 02/02/2015
- Manter a validade da escritura quanto à ausência de vício de consentimento e negar a anulação da escritura por vício de vontade, nos termos do acórdão recorrido
Full Case Text
Judgment text and source record
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