HC 594859 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo porque, nos termos do art. 111 da LEP e da jurisprudência consolidada do STF e do STJ, as penas de reclusão e detenção são ambas penas privativas de liberdade e devem ser somadas para fins de fixação do regime prisional, razão pela qual a tese do agravante não se sustenta.
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- Parties
- Agravante: DANIEL PEREIRA DE MIRANDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Acórdão Julgamento Colegiado (quinta Turma)
- Outcome
- negou provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Unificação De Penas, Regime Prisional, Habeas Corpus
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Parties
DANIEL PEREIRA DE MIRANDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Acórdão Julgamento Colegiado (quinta Turma)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de unificação e soma das penas de reclusão e detenção para fixação do regime prisional nos termos do art. 111 da Lei de Execução Penal
- 2 Admissibilidade do habeas corpus quando há via recursal própria
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque, nos termos do art. 111 da LEP e da jurisprudência consolidada do STF e do STJ, as penas de reclusão e detenção são ambas penas privativas de liberdade e devem ser somadas para fins de fixação do regime prisional, razão pela qual a tese do agravante não se sustenta.
Court Disposition
negou provimento ao agravo regimental
Orders
- Negou provimento ao agravo regimental
- Manutenção da decisão por seus próprios fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Felix Fischer, João Otávio de Noronha, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REGIME FECHADO. ART. 111 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL -LEP. PENAS DE RECLUSÃO E DETENÇÃO. UNIFICAÇÃO. SOMA. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. De acordo com a jurisprudência desta Corte, as penas de reclusão e de detenção devem ser somadas para a fixação do regime prisional, nos termos do art. 111 da Lei de Execução Penal. Precedentes. 2. Agravo desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por DANIEL PEREIRA DE MIRANDA, contra decisão singularque não conheceu do habeas corpus. O agravante reitera a tese de que as penas de reclusão e detençãopossuem naturezas distintas, não podendo, assim, serem somadas, na medida em que a pena mais grave, de reclusão, deve ser executada primeiramente. Diante disso, busca a reconsideração do decisum ou o julgamento do recurso pelo órgão colegiado. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REGIME FECHADO. ART. 111 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL -LEP. PENAS DE RECLUSÃO E DETENÇÃO. UNIFICAÇÃO. SOMA. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. De acordo com a jurisprudência desta Corte, as penas de reclusão e de detenção devem ser somadas para a fixação do regime prisional, nos termos do art. 111 da Lei de Execução Penal. Precedentes. 2. Agravo desprovido. VOTO O presente agravo regimental não merece provimento, em que pesem os argumentos apresentados pelo agravante, devendo a decisão ser mantida por seus próprios fundamentos. Conforme relatado, a controvérsia refere-se à unificação e soma de penas de reclusão e detenção. Ao negar provimento ao agravo em execução defensivo, que buscava a separação das penas de reclusão e detenção, asseverou o Tribunala quo: " .. De início, salienta-se que, contrariamente ao arguido nas razões recursais, o regime estabelecido com o somatório das sanções não foi o fechado, mas sim o semiaberto, como é possível verificar da decisão atacada. Ademais, agiu em acerto o Juízo ao unificar as sanções para estabelecer o a quo regime, haja vista que o dispositivo legal que trata da unificação das penas não faz qualquer distinção entre as penas de reclusão e detenção, porquanto se tratem de medidas restritivas de liberdade, devendo o juízo da execução penal unificá-las e estabelecer, a partir da conclusão, o regime prisional de seu cumprimento. In verbis: .. ."(fl. 13) O art. 111 da Lei n. 7.210/1984, que trata da unificação das penas, não faz a distinção pretendida pelo paciente, motivo pelo qual devem ser consideradas cumulativamente tanto as penas de reclusão quanto as penas de detenção para efeito de fixação do regime prisional, porquanto constituem reprimendas de mesma espécie, ou seja, ambas são penas privativas de liberdade A jurisprudência do Supremo Tribunal Federalé firme no sentido de que não constitui constrangimento ilegal - na unificação das penas - a soma de pena(s) de reclusão com outra(s) de detenção. Veja-se, a título de exemplo: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. ALEGAÇÃO DE OFENSA ÀS REGRAS DEUNIFICAÇÃO DAS PENAS DE DETENÇÃO E RECLUSÃO:INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. RECURSO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1.O art. 111 da Lei de Execução Penal estabelece que, em condenação por mais de um crime, para a determinação do regime de cumprimento considera-se o resultado da soma ou unificação das penas, independentemente de serem de detenção ou reclusão. 2. É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal no sentido de que a soma ou unificação das penas em execução definem o regime prisional de seu cumprimento, podendo o resultado implicar a regressão. Precedentes. 3. Recurso ao qual se nega provimento. (RHC 118626, Relatora: Min. Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 26/11/2013, PUBLIC 2/12/2013). No mesmo sentido, é a Jurisprudência desta Corte Superior de Justiça. Confiram-se: RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DAS PENAS DE DETENÇÃO E RECLUSÃO. SOMATÓRIO. POSSIBILIDADE. ART. 111 DA LEP. REGIME PRISIONAL. 1. No caso, o Tribunal local entendeu que, interpretando o art. 111 da Lei de Execução Penal em conjunto com o art. 76 do Estatuto Repressivo, as penas de detenção e reclusão não poderiam ser somadas indistintamente, executando-se, no concurso de infrações, primeiramente a pena mais grave. 2. As reprimendas de reclusão e de detenção devem ser somadas para fins de unificação da pena, tendo em vista que ambas são modalidades de pena privativa de liberdade e, portanto, configuram sanções de mesma espécie. Precedentes do STF e desta Corte Superior de Justiça. 3. Recurso provido. (REsp 1642346/MT, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 17/5/2018, DJe 25/5/2018). EXECUÇÃO PENAL - HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO - INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA - REGIME PRISIONAL - UNIFICAÇÃO DAS PENAS - ART. 111 DA LEP - RÉU CONDENADO ÀS PENAS DE RECLUSÃO E DE DETENÇÃO - SOMATÓRIO DE AMBAS AS REPRIMENDAS PARA FIXAÇÃO DO REGIME - POSSIBILIDADE - WRIT NÃO CONHECIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e o Superior Tribunal de Justiça, por sua Terceira Seção, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. 2. Concorrendo penas de reclusão e detenção, ambas devem ser somadas para efeito de fixação da totalidade do encarceramento, porquanto constituem reprimendas de mesma espécie, ou seja, penas privativas de liberdade. Inteligência do art. 111 da Lei n. 7.210/84. Precedentes do STF e desta Corte Superior de Justiça. 3. Habeas corpus não conhecido. (HC 389.437/ES, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 8/8/2017, DJe 22/8/2017). Ante o exposto, voto pelo não provimento do recurso.